Em The Greatness of the Kingdom [A Grandiosidade do Reino], Alva McClain faz duas afirmações que, colocadas lado a lado, convidam a uma análise cuidadosa.
No Capítulo 18, ao tratar do Antigo Testamento, McClain argumenta que as bênçãos prometidas na Nova Aliança não são meramente bênçãos pactais em sentido genérico — elas são, em sua essência, bênçãos do Reino Prometido. Pertencem a ele de forma constitutiva. Retire-as, e não se terá simplesmente diminuído o pacto; terá tocado no próprio Reino.
Quando McClain passa ao Novo Testamento, reconhece o que praticamente nenhum intérprete sério negaria: a Igreja já participa das bênçãos da Nova Aliança. O Espírito foi derramado. Os pecados foram perdoados. A lei foi gravada nos corações.
O Silogismo que a Própria Obra de McClain Implica
Considere o que decorre dessas duas premissas juntas:
- As bênçãos da Nova Aliança são bênçãos fundamentais do Reino Prometido.
- A Igreja participa presentemente das bênçãos da Nova Aliança.
- Portanto, a Igreja já participa das bênçãos do Reino Prometido.
As duas primeiras premissas são extraídas diretamente da própria obra de McClain. A terceira é minha conclusão. Convido os leitores a refletirem: ela decorre logicamente? Se as bênçãos são, em sua essência, bênçãos do Reino — e se a Igreja as recebe genuinamente agora — que movimento lógico impede o terceiro passo?
O Arcabouço do Interregno
O arcabouço de McClain insiste em que vivemos atualmente num interregno — literalmente, um período entre reinados: o Reino Davídico foi ofertado, rejeitado e totalmente suspenso/adiado. Esta era presente é, portanto, parentética, uma pausa entre a garantia jurídica do Reino e sua chegada efetiva. O Reino existe apenas de jure, num sentido judicial ou posicional, mas decididamente não de facto: proclamado, decretado e garantido, mas ainda não operativo.
Essa posição tem raízes na tradição mais ampla da doutrina do adiamento do dispensacionalismo clássico, que sustenta que todo o programa do Reino Messiânico foi postergado quando Israel rejeitou seu Messias. Nessa leitura, a Era da Igreja não é o Reino — nem mesmo seu começo — mas uma pausa entre a oferta e o cumprimento vindouro.
As implicações para a Nova Aliança e suas bênçãos são significativas: se o Reino está inteiramente ausente em todo sentido operativo, então as bênçãos que a Igreja recebe por meio da Nova Aliança precisam de alguma forma ser dispensadas à parte do próprio Reino — como cortesias antecipadas concedidas no crédito do Reino, ou como sinais antecipatórios do que um dia será plenamente dado.
Seis Perguntas que o Arcabouço Precisa Responder
Tudo isso levanta questões que convido vocês a considerarem comigo acerca de se a teologia do Reino de McClain contém uma contradição interna.
1. O que significa receber bênçãos reais de um Reino que ainda não existe em nenhum sentido operativo?
Se o Reino é inteiramente não-operativo, o que exatamente está sendo recebido? Bênçãos pressupõem um benfeitor que está agindo presentemente. O derramamento do Espírito, o perdão dos pecados, a renovação do coração — essas não são notas promissórias. São realidades efetivadas.
2. Uma bênção recebida não é, por definição, uma realidade de facto?
Quando uma promessa pactual é cumprida e seu fruto é experimentado, não aconteceu algo concreto? Pode alguém genuinamente experimentar os benefícios de um reinado e ao mesmo tempo sustentar que o próprio reinado permanece inteiramente inoperante?
3. Uma bênção constitutiva do Reino pode ser extraída e dispensada à parte do Reino?
Se uma bênção é constitutiva do Reino — pertencendo a ele em seu núcleo —, pode ela ser desvinculada e dada separadamente sem deixar de ser exatamente aquilo que McClain afirma ser? Uma bênção pode ter forma constitutivamente ligada ao Reino no Antigo Testamento e, ainda assim, tornar-se de caráter não-Reino quando recebida pela Igreja? Essa pergunta pressiona a maneira como a tradição lidou com a continuidade hermenêutica entre os Testamentos.
4. É coerente afirmar que o fruto do Reino está presente enquanto o próprio Reino está ausente?
Se as bênçãos são reais, presentes e — pelo próprio relato de McClain — constitutivamente bênçãos do Reino, em que sentido o Reino permanece inteiramente ausente? Os benefícios constitutivos de um reinado podem ser historicamente experimentados enquanto o reinado permanece inteiramente inoperante?
5. Essas bênçãos são realidades efetivadas ou abstrações jurídicas?
Quando o Espírito é efetivamente derramado, os pecados são efetivamente perdoados e os corações são efetivamente renovados, seriam essas meras abstrações jurídicas? E se a resposta for que essas bênçãos estão presentes apenas de modo derivado ou antecipatório, isso não exige uma qualificação que o próprio arcabouço categórico de McClain parece resistir?
6. A conclusão é protegida por definição em vez de ser argumentada a partir das evidências?
Se nenhum cumprimento presente das bênçãos do Reino pode contar como qualquer manifestação presente do Reino — independentemente do que o texto diga —, isso é uma conclusão teológica ou uma estipulação definitória? A questão de se o tratamento do Reino pelo dispensacionalismo clássico envolve um duplo padrão hermenêutico merece ser examinada com cuidado.
Conclusão: O Dispensacionalismo Progressivo como o Caminho mais Coerente
As questões levantadas acima não apenas expõem uma tensão no arcabouço de McClain — elas apontam para uma resolução. E essa resolução, eu argumentaria, é fornecida de forma mais consistente pelo Dispensacionalismo Progressivo (DP).
O DP, desenvolvido por estudiosos como Craig Blaising e Darrell Bock, leva a sério exatamente o que a estrutura de duas premissas de McClain implica, mas resiste a concluir: que a recepção presente de genuínas bênçãos do Reino constitui uma inauguração real, ainda que parcial, do próprio Reino. O Reino não foi simplesmente decretado e adiado. Foi inaugurado — genuína, histórica e operativamente — na pessoa, na ressurreição e na sessão de Jesus Cristo, que agora reina à direita do Pai como o Filho de Davi entronizado. O que aguardamos não é o início do Reino, mas sua consumação: a manifestação plena, terrena e visível de um reinado que já está, no sentido mais significativo, em curso.
Esse arcabouço não é um abandono dos compromissos dispensacionais. Ele retém a distinção entre Israel e a Igreja. Retém a expectativa de um cumprimento futuro e literal das promessas davídicas e da terra. Retém a integridade de uma hermenêutica histórico-redentora que lê os pactos com cuidado literal-gramatical-histórico. O que ele se recusa a reter é o movimento lógico — forçado, sustento, e não meramente cauteloso — que dissocia as bênçãos do Reino do próprio Reino sempre que essas bênçãos são recebidas pela Igreja na era presente.
O dispensacionalista clássico enfrenta um dilema que nenhum ajuste terminológico resolve plenamente: ou as bênçãos da Nova Aliança recebidas pela Igreja são genuinamente bênçãos constitutivas do Reino, caso em que o Reino está genuinamente, ainda que parcialmente, presente; ou são outra coisa — derivadas, antecipatórias, analógicas — caso em que a própria afirmação de McClain de que elas são fundamentalmente bênçãos do Reino requer revisão. Não se pode sustentar simultaneamente que as bênçãos têm forma constitutivamente ligada ao Reino e que sua recepção presente não envolve qualquer realidade presente do Reino. Esta é a tensão central que a comparação entre o dispensacionalismo tradicional e o progressivo torna inevitável.
O DP escapa desse dilema ao abraçar o que os dados bíblicos nos impõem: que Pentecostes não foi um parêntese, mas uma inauguração; que o Espírito derramado não é a nota promissória do Reino, mas as suas primícias; e que o perdão dos pecados e a renovação do coração não são cortesias pré-Reino estendidas à Igreja no crédito do Reino — são a própria vida do Reino, já irrompendo na história por meio do pacto ratificado pelo sangue de Cristo.
Receber as bênçãos do Reino, em qualquer raciocínio coerente, é já estar ao alcance do Reino. O reinado pode ainda não ter sido consumado. Sua glória plena ainda está por vir. Mas um Reino cujas bênçãos constitutivas estão presentemente operativas já está presente, no único sentido que, em última análise, importa. O Dispensacionalismo Progressivo tem a honestidade teológica — e o respaldo exegético — para afirmá-lo.
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Perguntas Frequentes
A estrutura do Reino de McClain contém uma contradição interna?
O que o Dispensacionalismo Progressivo afirma sobre o Reino presente?
Pode-se receber as bênçãos de um Reino que ainda não é operativo?
Qual é a tese do interregno no dispensacionalismo clássico?
Em que o Dispensacionalismo Progressivo difere do dispensacionalismo clássico quanto ao Reino?
Autor
Leonardo A. Costa
Pesquisador e escritor que explora o dispensacionalismo a partir de uma perspectiva progressiva, com profundo apreço pelo patrimônio da tradição.
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