O Dispensacionalismo Progressivo Deve Abandonar as Noções de Adiamento e Parêntese?

Por que essa linguagem pode ser mantida se seu escopo for corrigido

DispensacionalismoLeonardo A. Costa5 min de leitura

Discordo. Os termos não precisam ser abandonados — precisam ser corrigidos e depurados.

O problema no uso tradicional desses termos não está nos termos em si, mas no escopo a eles atribuído. Quando os dispensacionalistas clássicos falam de um "parêntese", acabam tratando-o como um parêntese no plano de Deus como um todo — como se todo o programa divino tivesse sido suspenso quando Israel rejeitou o Messias. Quando falam de "adiamento", entendem um adiamento total do Reino — como se nenhuma realidade do Reino estivesse operante na era presente. Ambos os usos extrapolam o que os termos deveriam abarcar.

O que é revelador é que alguns dos seus melhores representantes usam o qualificador certo — mas sem perceber suas implicações plenas. Charles Ryrie escreveu que "quando os dispensacionalistas mais antigos usavam essa palavra, queriam dizer que a Igreja era um parêntese no programa de Deus com Israel." John Walvoord afirmou: "A era presente e o período de disciplina e julgamento de Israel coincidem e constituem um parêntese no programa divino para Israel." E James Fazio, de forma semelhante: "De acordo com o DT, a Igreja é considerada um parêntese no trato de Deus com Israel." O qualificador está lá: para Israel, com Israel. Porém, na prática, ele não muda nada em sua teologia — porque, para eles, o programa de Deus para Israel é essencialmente o programa todo. Eles leem o Antigo Testamento como se ele fosse primária — senão exclusivamente — sobre o plano de Deus para Israel. E assim o parêntese no calendário de Israel silenciosamente se torna um parêntese em tudo.

É aí que reside o erro mais profundo. Israel não é a totalidade do programa de Deus. Israel é uma nação especial, sacerdotal, eleita — chamada a mediar os propósitos de Deus ao mundo (Êx. 19:5-6; Is. 49:6). Mas a nação que medeia o plano não é o plano em si. O propósito redentor de Deus abrange toda a criação (Cl. 1:19-20; Ef. 1:9-10). Colapsar a totalidade do programa de Deus no calendário profético de Israel é confundir o instrumento com o todo. E uma vez que essa confusão se instala, a passagem de "um parêntese no programa de Deus para Israel" para "um parêntese no plano de Deus" ocorre quase imperceptivelmente — como Thomas Ice explicita: "Esse mistério paulino revelado a respeito do Corpo de Cristo sustenta a noção de que a Igreja é um parêntese no plano de Deus." Ice simplesmente diz em voz alta o que a estrutura já implica.

O parêntese é real — mas pertence ao calendário profético de Israel, não ao plano redentor de Deus como um todo. O adiamento é real — mas é parcial, não total. O que foi adiado foram os elementos nacional-políticos do Reino, vinculados à rejeição do Messias por Israel (Mt. 12): o Reino físico, a restauração de Jerusalém, a reconstituição do governo teocrático de Israel. Mas as dimensões espirituais desse mesmo Reino não foram adiadas. Já as experimentamos. Já participamos das bênçãos salvíficas do Reino — o perdão dos pecados, a presença interior do Espírito, o novo nascimento, as primícias da nova criação (Rm. 8:23; Ef. 1:13-14; 2 Co. 3:6; Hb. 8:6-13). O Reino não simplesmente cessou; foi inaugurado em uma forma não prevista pelo calendário profético de Israel, enquanto suas dimensões nacional e geopolítica aguardam o tempo determinado.

Além disso, o fato de a Igreja ser um "mistério" (Ef. 3:4-6) não significa que ela não tenha relação com o programa veterotestamentário de Deus. O uso paulino de mystērion significa consistentemente algo antes oculto, mas agora revelado — e não algo desconectado do plano anterior de Deus (Rm. 16:25-26). A Igreja está relacionada à promessa de Gênesis 12:3 — "por meio de você todas as famílias da terra serão abençoadas" — ainda que a forma plena dessa bênção, especialmente a unidade entre judeus e gentios em um único corpo, não tenha sido revelada ali (Gl. 3:14). Mistério significa não revelado, não sem relação. A Igreja não é uma pausa na história da redenção — ela é o próprio meio pelo qual os propósitos restauradores de Deus já estão sendo desvelados e realizados na era presente.

Portanto, se esses termos forem usados corretamente — com seu escopo devidamente definido e seus limites honestamente reconhecidos — eles não precisam ser abandonados. Precisam ser corrigidos. É por isso que proponho um conjunto de termos mais preciso:


Adiamento parcial

Para refletir que apenas os elementos nacional-políticos do Reino foram postergados, não suas bênçãos espirituais. O Reino não foi cancelado nem totalmente adiado — foi inaugurado parcialmente, com suas dimensões nacional-israelitas aguardando a consumação.

Parêntese perspectival

Para esclarecer que o intervalo é um parêntese apenas do ponto de vista do calendário profético de Israel, e não do ponto de vista do plano redentor global de Deus. Do nível de zoom de Israel, há uma interrupção; do nível de zoom cósmico de Deus, há continuidade e progressão.

Inauguração parcial do Reino

Para afirmar que o Reino não está nem plenamente presente nem plenamente ausente. Foi genuinamente inaugurado em suas dimensões salvífica e espiritual, enquanto suas dimensões nacional e geopolítica para Israel aguardam o tempo determinado.


Esses termos preservam o que há de correto nos instintos do dispensacionalismo tradicional — a distinção de Israel, a realidade do intervalo, a futuridade da restauração de Israel — ao mesmo tempo em que corrigem o que há de errado: a pressuposição de que todo o programa de Deus foi suspenso.

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Autor

Leonardo A. Costa

Pesquisador e escritor que explora o dispensacionalismo a partir de uma perspectiva progressiva, com profunda apreciação pelo legado dessa tradição.

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