Este artigo é um resumo do capítulo de abertura do meu próximo livro sobre o Dispensacionalismo Progressivo.
Este quadro comparativo cumpre um papel indispensável na literatura dispensacionalista. Já passou da hora de os críticos do Dispensacionalismo Progressivo superarem as generalizações grosseiras, as distorções e as caricaturas da posição. O quadro deixa absolutamente claro que nem todo adepto do DP afirma que Jesus senta literalmente no trono davídico, nem todo DP adota a hermenêutica complementar, e nem todo DP sustenta que o Reino Davídico foi inaugurado.
Alguns pontos devem ser considerados desde o início:
- Não confundam a inauguração do Pacto Davídico com a inauguração do Reino Davídico: alguns dispensacionalistas progressivos afirmam que o Pacto Davídico já foi inaugurado (Vlach e Saucy) e, ao mesmo tempo, negam que o reino em si tenha sido inaugurado. Essa distinção raramente recebe a atenção que merece.
- Apenas Darrell Bock, entre os autores representados aqui, afirma que Cristo está literalmente assentado no trono de Davi.
- Robert Saucy defende que Jesus já está no trono de Davi; contudo, ele interpreta isso metaforicamente — como a recepção da autoridade real —, e não como a sessão literal de Cristo no futuro trono davídico.
- Nem todo dispensacionalista progressivo afirma que Jesus já reina. Michael Vlach e Robert Saucy negam que Cristo esteja presentemente reinando no Reino Davídico.
- Tanto Michael Vlach quanto Robert Saucy afirmam o adiamento do reino.
- A coluna "Tendência do Dispensacionalismo Tradicional" representa uma tendência geral, e não um único autor. Por isso, é intencionalmente generalizante — a tabela já está suficientemente densa para comportar a representação separada de múltiplos autores do Dispensacionalismo Tradicional.
Quadro Comparativo
| Questão | Tendência do Dispensacionalismo Tradicional | Vlach & Saucy | Leo Costa | Blaising & Bock |
|---|---|---|---|---|
| Pacto Davídico inaugurado | Não | Sim | Sim | Sim |
| A Nova Aliança foi inicialmente inaugurada? | Não, mas muitos afirmam que já experimentamos algumas de suas bênçãos | Sim | Sim | Sim |
| O reino em si foi inaugurado? | Não | Não | Sim, parcialmente inaugurado | Sim |
| O reino foi adiado? | Sim, totalmente | Sim | Sim, parcialmente adiado | Não |
| As bênçãos do reino estão presentes? | Não | Vlach: Não Saucy: Sim | Sim | Sim |
| Jesus está reinando? | Não | Não | Sim | Sim |
| Jesus está literalmente no trono davídico? | Não | Vlach: Não Saucy: Não (apenas metaforicamente) | Não | Blaising: Não Bock: Sim |
| Hermenêutica complementar | Não | Vlach: Não Saucy: Sim | Hermenêutica Complementar Revisada | Sim |
| A Igreja como mistério | Sim, não revelada no AT e sem relação com o AT | Vlach: Sim, não revelada no AT Saucy: Não realizada no AT | Sim, não revelada no AT, mas relacionada ao AT | Não realizada no AT |
| O batismo do Espírito é exclusivo desta dispensação? | Sim | Não | Não | Não |
| A Igreja é um parêntese no plano de Deus? | Sim | Vlach: Sim Saucy: Não | É um parêntese apenas no programa de Israel (Dn 9), não no plano geral de Deus | Não |
| A Igreja é a comunidade escatológica inicial? | Não | Sim | Sim | Sim |
| Um único povo de Deus com distinções internas? | Não | Sim | Sim | Sim |
| Israel e a Igreja têm destinos distintos: terreno para Israel e celestial para a Igreja? | Sim (como tendência) | Não | Não | Não |
| O futuro da Igreja está separado das promessas do AT? | Sim (como tendência) | Não | Não | Não |
| Arrebatamento pré-tribulacional | Sim | Sim | Sim | Sim |
| Interpretação futurista do Apocalipse | Sim | Sim | Sim | Sim |
| Israel possui promessas distintas e únicas, e um papel futuro específico | Sim | Sim | Sim | Sim |
Pacto Davídico inaugurado
- Tendência do DT
- Não
- Vlach & Saucy
- Sim
- Leo Costa
- Sim
- Blaising & Bock
- Sim
A Nova Aliança foi inicialmente inaugurada?
- Tendência do DT
- Não, mas muitos afirmam que já experimentamos algumas de suas bênçãos
- Vlach & Saucy
- Sim
- Leo Costa
- Sim
- Blaising & Bock
- Sim
O reino em si foi inaugurado?
- Tendência do DT
- Não
- Vlach & Saucy
- Não
- Leo Costa
- Sim, parcialmente inaugurado
- Blaising & Bock
- Sim
O reino foi adiado?
- Tendência do DT
- Sim, totalmente
- Vlach & Saucy
- Sim
- Leo Costa
- Sim, parcialmente adiado
- Blaising & Bock
- Não
As bênçãos do reino estão presentes?
- Tendência do DT
- Não
- Vlach & Saucy
- Vlach: Não
Saucy: Sim - Leo Costa
- Sim
- Blaising & Bock
- Sim
Jesus está reinando?
- Tendência do DT
- Não
- Vlach & Saucy
- Não
- Leo Costa
- Sim
- Blaising & Bock
- Sim
Jesus está literalmente no trono davídico?
- Tendência do DT
- Não
- Vlach & Saucy
- Vlach: Não
Saucy: Não (apenas metaforicamente) - Leo Costa
- Não
- Blaising & Bock
- Blaising: Não
Bock: Sim
Hermenêutica complementar
- Tendência do DT
- Não
- Vlach & Saucy
- Vlach: Não
Saucy: Sim - Leo Costa
- Hermenêutica Complementar Revisada
- Blaising & Bock
- Sim
A Igreja como mistério
- Tendência do DT
- Sim, não revelada no AT e sem relação com o AT
- Vlach & Saucy
- Vlach: Sim, não revelada no AT
Saucy: Não realizada no AT - Leo Costa
- Sim, não revelada no AT, mas relacionada ao AT
- Blaising & Bock
- Não realizada no AT
O batismo do Espírito é exclusivo desta dispensação?
- Tendência do DT
- Sim
- Vlach & Saucy
- Não
- Leo Costa
- Não
- Blaising & Bock
- Não
A Igreja é um parêntese no plano de Deus?
- Tendência do DT
- Sim
- Vlach & Saucy
- Vlach: Sim
Saucy: Não - Leo Costa
- É um parêntese apenas no programa de Israel (Dn 9), não no plano geral de Deus
- Blaising & Bock
- Não
A Igreja é a comunidade escatológica inicial?
- Tendência do DT
- Não
- Vlach & Saucy
- Sim
- Leo Costa
- Sim
- Blaising & Bock
- Sim
Um único povo de Deus com distinções internas?
- Tendência do DT
- Não
- Vlach & Saucy
- Sim
- Leo Costa
- Sim
- Blaising & Bock
- Sim
Israel e a Igreja têm destinos distintos: terreno para Israel e celestial para a Igreja?
- Tendência do DT
- Sim (como tendência)
- Vlach & Saucy
- Não
- Leo Costa
- Não
- Blaising & Bock
- Não
O futuro da Igreja está separado das promessas do AT?
- Tendência do DT
- Sim (como tendência)
- Vlach & Saucy
- Não
- Leo Costa
- Não
- Blaising & Bock
- Não
Arrebatamento pré-tribulacional
- Tendência do DT
- Sim
- Vlach & Saucy
- Sim
- Leo Costa
- Sim
- Blaising & Bock
- Sim
Interpretação futurista do Apocalipse
- Tendência do DT
- Sim
- Vlach & Saucy
- Sim
- Leo Costa
- Sim
- Blaising & Bock
- Sim
Israel possui promessas distintas e únicas, e um papel futuro específico
- Tendência do DT
- Sim
- Vlach & Saucy
- Sim
- Leo Costa
- Sim
- Blaising & Bock
- Sim
A esmagadora maioria dos críticos do DP se expõe ao ridículo com generalizações que não passam de caricatura grosseira do sistema. E essas distorções não aparecem apenas em conversas informais ou em grupos do Facebook dos quais faço parte — elas estão presentes na literatura acadêmica, em artigos publicados nos principais periódicos teológicos.
É notável que, até hoje, ninguém tenha se dado ao trabalho de mapear as diferenças internas dentro do Dispensacionalismo Progressivo. Em vez disso, tudo é agrupado sob um rótulo caricato que reflete, na melhor das hipóteses, um ou dois autores, ignorando vários outros — entre eles Saucy, um dos próprios fundadores do sistema. Minha esperança é que este quadro ajude até mesmo os dispensacionalistas tradicionais a criticar o sistema com base em seus méritos reais — e que, quando determinada posição pertencer a um autor específico, ela seja tratada como tal, em vez de ser projetada sobre o sistema inteiro. Só isso já seria um avanço significativo.
Com base no quadro acima, o que considero ser a verdadeira essência do Dispensacionalismo Progressivo — o terreno comum partilhado por todos os seus autores — pode ser formulado da seguinte forma: o Dispensacionalismo Progressivo sustenta que a presente dispensação não é uma intercalação no programa pactual de Deus, mas uma fase orgânica dele, na qual os Pactos Davídico e a Nova Aliança foram inicialmente inaugurados, a Igreja participa dessas promessas pactual como a comunidade escatológica inicial, e Israel conserva seu papel futuro distinto dentro de um único povo de Deus. Esse é o núcleo do sistema, e é isso que deveria ser criticado quando alguém se propõe a criticar o Dispensacionalismo Progressivo como um todo. Quem deseja criticar elementos específicos — como a hermenêutica complementar ou a sessão presente de Cristo no trono davídico — deve dirigir sua crítica aos autores particulares que sustentam essas posições, e não ao sistema em si.
Acredito que Vlach de fato capturou a essência do Dispensacionalismo Progressivo. Após afirmar que o DP adere às crenças centrais do dispensacionalismo, ele descreve o verdadeiro ênfase do DP em dois pontos:
O Dispensacionalismo Progressivo adere às crenças centrais do dispensacionalismo encontradas nas listas de Ryrie e Feinberg acima. Mas há certas ênfases dignas de nota. Primeiro, o DP traça as ações de Deus na história principalmente a partir do desdobramento dos pactos bíblicos na história, e menos a partir das tradicionais sete dispensações. Muitos dispensacionalistas progressivos creem nas dispensações tradicionais do dispensacionalismo, mas optam por concentrar-se mais nos pactos bíblicos e nas implicações das duas vindas de Jesus para compreender as ações de Deus na história.
Segundo, o DP crê que a Igreja desta era experimenta cumprimentos parciais e realizados dos pactos Abraâmico, Davídico e da Nova Aliança. Esses pactos foram estabelecidos com Israel e serão cumpridos em todas as suas dimensões com Israel, mas como eles também tinham a intenção de abençoar os gentios algum dia (cf. Gn 12:3; 2 Sm 7:19; Is 52:15), é correto ver a Igreja como experimentando as bênçãos espirituais dos pactos da promessa. Assim, o DP utiliza o termo "cumprir" para descrever o que Deus está fazendo com a Igreja em relação aos pactos. Esse cumprimento envolve a vinda de Jesus e as bênçãos espirituais associadas aos pactos. Contudo, o cumprimento das promessas físicas e nacionais, incluindo aquelas relacionadas ao Israel nacional, aguarda o retorno de Jesus. (Michael J. Vlach, "Progressive Dispensationalism" em JBTS Vol. 9)
Para ilustrar o ponto: criticar o Dispensacionalismo Progressivo com base em elementos que não são constitutivos do sistema e não são sustentados por todos os seus autores é como criticar o Dispensacionalismo Tradicional por ensinar a existência de dois novos pactos distintos — um estabelecido com Israel e outro com a Igreja. Embora Chafer, e inicialmente Walvoord e Ryrie, tenham de fato ensinado isso, e embora sejam autores inegavelmente importantes dentro da tradição, a visão dos dois novos pactos não é uma característica definidora do Dispensacionalismo Tradicional como sistema e não representa todos os seus defensores. O mesmo princípio se aplica na direção inversa.
O dispensacionalismo como um todo há muito sofre com distorções e desinformação — acusações de ensinar dois caminhos de salvação, entre tantas outras. O Dispensacionalismo Progressivo agora sofre exatamente o mesmo tratamento, só que desta vez as distorções vêm de dentro da própria família dispensacionalista. É profundamente irônico: o mesmo tipo de deturpação que os dispensacionalistas tradicionais justificadamente denunciaram por décadas está sendo perpetuado por eles contra um sistema irmão.
Deve-se enfatizar mais uma vez: a inauguração inicial do Pacto Davídico não implica que todos os dispensacionalistas progressivos afirmem uma inauguração inicial do Reino Davídico. Como o quadro acima demonstra, Vlach e Saucy sustentam que o Pacto Davídico foi inaugurado por meio da ressurreição e exaltação do Messias, que recebeu toda autoridade, ao mesmo tempo em que negam que o Reino Davídico em si tenha sido inaugurado ou que Cristo esteja presentemente reinando nele. Trata-se de duas afirmações distintas, e confundi-las é um dos erros mais recorrentes entre os críticos do sistema.
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Autor
Leonardo A. Costa
Pesquisador e escritor que explora o dispensacionalismo a partir de uma perspectiva progressiva, com profunda apreciação pelo legado da tradição.
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