Visões sobre a Nova Aliança Comparadas no Dispensacionalismo

As principais posições dispensacionais e não dispensacionais sobre a Nova Aliança em uma visão geral

DispensacionalismoLeonardo A. Costa5 min de leitura

Este artigo mapeia as principais interpretações da Nova Aliança — primeiro dentro do dispensacionalismo e, em seguida, nas tradições não dispensacionais. O objetivo não é apagar nuances reais, mas oferecer uma orientação rápida sobre as principais posições e os nomes mais representativos associados a cada uma delas.

Por que existem visões diferentes sobre a Nova Aliança dentro do Dispensacionalismo?

A Escritura contém certos temas apresentados em tensão. Por exemplo, o Reino de Deus aparece em alguns textos como realidade presente e em outros como esperança futura, o que dá origem a diferentes posições sobre o assunto. A Nova Aliança, da mesma forma, envolve uma tensão que precisa ser enfrentada. Há dois conjuntos de evidências bíblicas que precisam ser harmonizados:

  • Conjunto 1. No Antigo Testamento, a Nova Aliança é profetizada no contexto da restauração nacional de Israel e é explicitamente estabelecida com as casas de Israel e de Judá (Jr 31:31–34; 32:36–41; Ez 36:24–28; 37:21–28; Is 59:20–21).
  • Conjunto 2. No Novo Testamento, a Igreja — que também inclui gentios — aparece conectada à Nova Aliança em diversas passagens (Lc 22:20; 1 Co 11:25; 2 Co 3:6; Hb 8:6–13; 9:15; 12:24; Ef 2:11–13; 3:6).

É fundamental reconhecer que ambas as categorias de textos estão genuinamente presentes na Escritura. A diversidade de posições dentro do dispensacionalismo surge precisamente das diferentes maneiras pelas quais os intérpretes tentam integrar esses dois conjuntos. Algumas propostas emergiram dentro do sistema:

Proposta 1 — Duas Novas Alianças. Como nenhum dos conjuntos pode ser negado — nem a relação da Igreja com a Nova Aliança no Conjunto 2, nem o fato de o pacto ter sido estabelecido com Israel no Conjunto 1 —, esta visão sustenta que a Nova Aliança mencionada no Novo Testamento, na qual a Igreja participa, é distinta da Nova Aliança profetizada no Antigo Testamento. A tensão se dissolve porque o pacto do Conjunto 1 e o pacto do Conjunto 2 simplesmente não são o mesmo pacto.

Proposta 2 — Uma Nova Aliança exclusivamente com Israel. Por ser inegável o Conjunto 1, esta visão questiona o Conjunto 2. Embora o Novo Testamento pareça associar a Igreja à Nova Aliança, uma exegese mais cuidadosa não revela nenhuma conexão pactual real. Essa aparência surge porque a Igreja está unida a Jesus Cristo, que também é o mediador da Nova Aliança para Israel. As bênçãos que a Igreja desfruta se assemelham às da Nova Aliança — pois fluem do mesmo sacrifício —, mas não são idênticas a elas. A Igreja não tem nenhuma relação com a Nova Aliança nem com suas bênçãos próprias.

Proposta 3 — Participação indireta nas bênçãos da Nova Aliança. Ambos os conjuntos são aceitos como inegáveis. De acordo com o Conjunto 1, somente Israel se relaciona diretamente com a Nova Aliança, e somente Israel pode estar sob ela. De acordo com o Conjunto 2, porém, a Igreja participa indiretamente — sem estar sob o próprio pacto — por meio de sua união com Cristo, partilhando de bênçãos genuínas da Nova Aliança. A Igreja realmente recebe esses benefícios, não porque está sob o pacto ou o está cumprindo, mas apenas de forma indireta em virtude de estar em Cristo. A Nova Aliança ainda não foi formalmente inaugurada; no entanto, já desfrutamos de suas bênçãos de maneira mediada.

Proposta 4 — Revelação progressiva e inclusão dos gentios. O Antigo Testamento de fato profetiza a Nova Aliança no contexto da restauração nacional das casas de Israel e de Judá. Contudo, o Novo Testamento avança e complementa essa revelação: por meio de Cristo, os gentios — que antes eram estranhos aos pactos da promessa — tornam-se co-herdeiros com Israel desses pactos, incluindo a Nova Aliança. Essa nova revelação é chamada de mistério por Paulo. Assim, os gentios participam da própria Nova Aliança e de suas bênçãos. Nessa perspectiva, já se pode falar de uma inauguração parcial e inicial da Nova Aliança que está em vigor agora, e é correto afirmar que a Igreja está sob ela.

Visões Dispensacionais sobre a Nova Aliança

A tabela abaixo resume como essas propostas se distribuem entre as principais posições sustentadas dentro do dispensacionalismo, com os autores representativos de cada uma.

VisãoAfirmação centralAutores / estudiosos
Somente Israel / sem participação legalA Igreja não está sob a Nova Aliança e não recebe suas bênçãos, apenas bênçãos semelhantes.Roy E. Beacham, Christopher Cone, George Gunn, Gary Gilley, David Gunn, Charlie Clough, Don Trest, John R. Master, Mark Snoeberger
Duas Novas AliançasIsrael e a Igreja possuem, cada um, sua própria Nova Aliança.Lewis Sperry Chafer, John F. Walvoord (fase inicial), Charles C. Ryrie (fase inicial)
A Igreja participa das bênçãos, mas não do pactoA Igreja recebe agora as bênçãos da Nova Aliança, mas não está sob ela, pois foi estabelecida exclusivamente com Israel e será cumprida com Israel.J. N. Darby, C. I. Scofield, J. Dwight Pentecost, Mal Couch, Paul Benware, Charles Feinberg, Arnold Fruchtenbaum, Thomas Ice, Homer A. Kent Jr., Phillip Heideman, John F. Walvoord (fase posterior)
Ratificada agora, inaugurada com Israel no futuroA Nova Aliança é ratificada agora; a Igreja se beneficia agora, mas sua inauguração é futura e pertence a Israel. A Igreja não está sob a Nova Aliança.Elliott E. Johnson, Stephen R. Lewis
Nova Aliança inaugurada / cumprimento parcialA Igreja já está sob a Nova Aliança inaugurada; o cumprimento pleno para Israel ainda é futuro.Craig A. Blaising, Darrell L. Bock, Robert L. Saucy, Bruce Ware, Michael Vlach, Rodney Decker, Harold Hoehner, Paul Henebury

Visões Não Dispensacionais

VisãoAfirmação centralAutores / estudiosos
Reformulação do Pacto MosaicoJeremias 31 não estabelece uma Nova Aliança distinta; trata-se de uma reformulação do pacto mosaico.Couturier, Duhm, Schmidt
AmilenismoA Igreja é o verdadeiro Israel e herdeira das promessas da Nova Aliança.Louis Berkhof, William Cox, Anthony Hoekema, O. Palmer Robertson
Pós-milenarismoA Nova Aliança foi inaugurada em Cristo; o evangelho triunfará progressivamente antes da Segunda Vinda. Alguns também esperam uma futura conversão em larga escala dos judeus.Charles Hodge, A. A. Hodge, B. B. Warfield, Kenneth Gentry, J. Marcellus Kik, Loraine Boettner
Pré-milenarismo HistóricoA Igreja participa agora da Nova Aliança; haverá uma consumação futura no reino milenial.George Eldon Ladd, Henry Alford, J. Barton Payne
Teologia da Aliança (Reformada)A Nova Aliança é a administração final do único Pacto de Graça. A Igreja é a continuação de Israel.John Calvin, Michael Horton, R. Scott Clark
Teologia da Nova Aliança (TNA)Toda a lei mosaica é cumprida e substituída pela lei de Cristo. A Igreja cumpre o papel tipológico de Israel.Tom Wells, Fred Zaspel, John Reisinger, Steve Lehrer, Jon Zens, Gary Long
Pactualismo ProgressivoOs pactos bíblicos culminam progressivamente em Cristo e na Nova Aliança. Apresenta-se como uma alternativa tanto à Teologia da Aliança quanto ao Dispensacionalismo.Stephen Wellum, Peter Gentry, Brent Parker, Jason DeRouchie

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Autor

Leonardo A. Costa

Pesquisador e escritor que explora o dispensacionalismo a partir de uma perspectiva progressiva, com profundo apreço pelo legado da tradição.

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