O que de fato caracteriza alguém como dispensacionalista? A resposta não é tão óbvia quanto pode parecer. Por mais de meio século, os próprios autores dispensacionalistas apresentaram listas concorrentes de essenciais, características, princípios, traços comuns ou sine qua non — algumas curtas e bem delimitadas, outras amplas e quase enciclopédicas. Lê-las lado a lado é um dos exercícios mais proveitosos para quem deseja compreender o que é o dispensacionalismo em seu núcleo.
Este artigo reúne, em ordem alfabética pelo primeiro nome de cada autor, as citações mais representativas em que autores dispensacionalistas propõem listas de características ou elementos essenciais do dispensacionalismo. Cada entrada apresenta uma enumeração estruturada.
Este artigo corresponde ao Capítulo 1 do meu novo livro, Defining Dispensationalism: A Descriptive Anthology — Definitions, Essences, and Descriptions [Definindo o Dispensacionalismo: Uma Antologia Descritiva — Definições, Essências e Descrições], uma antologia de citações dispensacionalistas organizada por tema. Um link direto para o livro é fornecido ao final do artigo.
Autores dispensacionalistas
B. K. Meyer
Em primeiro lugar, o dispensacionalismo oferece uma estrutura para compreender o plano de Deus à medida que ele se desdobra nas Escrituras — uma filosofia da história — centrada na glória de Deus.
O segundo elemento essencial do dispensacionalismo é a aplicação consistente de uma hermenêutica literal.
Em terceiro lugar, o dispensacionalismo permite fazer distinções bíblicas entre Israel e a Igreja, distinções que derivam de uma hermenêutica consistentemente literal. A Igreja não substituiu Israel nem se fundiu a ele; pelo contrário, Israel permanece uma nação (גּוֹי), e não apenas um povo (עַם), sobre o qual Deus atuará no futuro (Rm 9–11), conduzindo-o à salvação em Cristo.
— B. K. Meyer, Maranatha Is Dispensational, Maranatha Baptist Theological Journal
Bruce A. Baker
Portanto, se alguém fosse listar os elementos essenciais — aqueles dos quais o dispensacionalismo "necessariamente depende" —, teria de incluir os seguintes:
- O Israel étnico preservado até o fim.
- As promessas do AT ainda válidas para o Israel étnico.
- O Israel étnico como distinto dos gentios.
- A Igreja como distinta de Israel.
- A Igreja relacionada a Cristo de forma única.
- A Igreja unificada pelo Espírito Santo que desceu do céu.
- Um arrebatamento pré-tribulacional da Igreja.
— Bruce A. Baker, Israel and the Church, Journal of Ministry and Theology
C. Marvin Pate
A marca registrada do dispensacionalismo tem sido seu compromisso com a interpretação literal das Escrituras proféticas. Disso resultam três princípios bem conhecidos e caros aos adeptos do movimento.
- Deve-se manter a distinção entre as profecias feitas sobre Israel no Antigo Testamento e a Igreja no Novo Testamento. Em outras palavras, a Igreja não substituiu Israel no plano de Deus. As promessas feitas àquela nação acerca de sua restauração nacional ainda se cumprirão. A Igreja é, portanto, um parêntese no desdobramento desse plano.
- Os dispensacionalistas são pré-milenistas, isto é, creem que Cristo voltará e estabelecerá um reinado temporário de mil anos na terra, a partir de Jerusalém.
- Os dispensacionalistas creem no arrebatamento pré-tribulacional, ou seja, que o retorno de Cristo ocorrerá em duas etapas: a primeira, para buscar a sua Igreja, que será poupada da Grande Tribulação; a segunda, em poder e glória, para vencer os seus inimigos.
— C. Marvin Pate, Four Views on the Book of Revelation
No que diz respeito aos elementos essenciais do dispensacionalismo clássico, porém, os progressivos estão em pleno acordo, e são três:
- Israel será restaurado a Deus no futuro (isto é, há uma distinção — embora não uma dicotomia — entre Israel e a Igreja).
- Cristo voltará para estabelecer seu reinado milenial na terra (a visão pré-milenista).
- A Igreja não passará pela Grande Tribulação (a interpretação pré-tribulacional).
— C. Marvin Pate, Four Views on the Book of Revelation
Charles C. Ryrie
Qual é, então, o sine qua non do dispensacionalismo? A resposta é tríplice.
- O dispensacionalista mantém Israel e a Igreja distintos.… Este é provavelmente o teste teológico mais fundamental para determinar se alguém é ou não dispensacionalista, e é, sem dúvida, o mais prático e conclusivo. Quem não distingue Israel da Igreja inevitavelmente não sustentará as distinções dispensacionais; quem as distingue, as sustentará.
- Essa distinção entre Israel e a Igreja nasce de um sistema hermenêutico normalmente chamado de interpretação literal. Portanto, o segundo aspecto do sine qua non do dispensacionalismo é a questão da hermenêutica simples. A palavra "literal" talvez não seja tão adequada quanto "normal" ou "simples", mas em qualquer caso trata-se de uma interpretação que não espiritualiza nem alegoriza, como faz a interpretação não dispensacional. …
- Um terceiro aspecto do sine qua non do dispensacionalismo… diz respeito ao propósito subjacente de Deus no mundo. O teólogo da aliança, na prática, faz desse propósito a salvação; o dispensacionalista afirma que o propósito é mais amplo do que isso — a saber, a glória de Deus.
— Charles C. Ryrie, Dispensationalism Today
A essência do dispensacionalismo é, portanto, a distinção entre Israel e a Igreja. Isso decorre do emprego consistente pelo dispensacionalista de uma interpretação normal ou simples, e reflete uma compreensão do propósito fundamental de Deus em todos os seus tratos com a humanidade: glorificar-se a si mesmo por meio da salvação e de outros propósitos também.
— Charles C. Ryrie, Dispensationalism Today
A teologia dispensacional é um sistema que incorpora dois conceitos essenciais:
- A Igreja é distinta de Israel, e
- O propósito global de Deus é trazer glória a si mesmo (Ef 1:6, 12, 14).
— Charles C. Ryrie, Dictionary of Premillennial Theology
Christopher Cone
Os elementos-chave da teologia dispensacional normativa incluem os identificados por Guer:
- Literalismo (o princípio hermenêutico básico).
- Diversidade de categorias no corpo dos redimidos (distinção entre Israel e a Igreja).
- O uso literal do termo "dia" na profecia.
Talvez a caracterização mais eficaz dos elementos fundamentais seja encontrada no sine qua non de Ryrie:
- Distinção entre Israel e a Igreja.
- Uso consistente de uma hermenêutica literal.
- O propósito doxológico de Deus como centro.
— Christopher Cone, Prolegomena: Introductory Notes on Bible Study & Theological Method
Cory M. Marsh e James I. Fazio
O dispensacionalismo é integralmente evangélico, mas não se enquadra nas categorias frequentemente pressupostas pelos evangélicos. Não é uma teologia sistemática — embora apresente padrões reconhecíveis como os de um sistema —, tampouco é apenas uma teologia histórica — embora seja histórica. O que é, então? O dispensacionalismo é mais bem compreendido como uma teologia bíblica. Ele compartilha os critérios aceitos para a disciplina específica chamada teologia bíblica.
— Cory M. Marsh e James I. Fazio, Retrospect and Prospect of Dispensational Thought
Em sua essência, o dispensacionalismo não é soteriológico nem sequer escatológico. Embora tenha suas posições sobre essas importantes questões, o dispensacionalismo é provavelmente mais instrutivo como uma visão bíblica da história.
— Cory M. Marsh e James I. Fazio, Retrospect and Prospect of Dispensational Thought
É possível detectar ao longo da história da Igreja uma série de elementos que hoje seriam codificados sob o sistema teológico conhecido como "dispensacionalismo". Entre eles:
- Um uso sincrônico do termo bíblico "dispensação".
- Uma abordagem interpretativa literal das Escrituras.
- Escatologia pré-milenista.
- Um Anticristo futuro e pessoal.
- O aparecimento iminente de Cristo como distinto de sua Segunda Vinda (isto é, o arrebatamento).
- Um período futuro de tribulação.
- A história avançando por meio de economias divinas (dispensações).
- A salvação e a restauração nacional do povo judeu.
- Uma distinção entre o Israel nacional e a Igreja.
- Ênfase nas línguas originais e no estudo bíblico indutivo.
— Cory M. Marsh e James I. Fazio, Retrospect and Prospect of Dispensational Thought
Craig A. Blaising e Darrell L. Bock
As características comuns do dispensacionalismo incluem:
- "A autoridade das Escrituras"
- "As dispensações"
- "A singularidade da Igreja"
- "O significado prático da Igreja universal"
- "O significado da profecia bíblica"
- "O pré-milenismo futurista"
- "O retorno iminente de Cristo"
- "Um futuro nacional para Israel"
— Craig A. Blaising e Darrell L. Bock, Progressive Dispensationalism
Falamos do dispensacionalismo como uma tradição dentro do evangelicalismo norte-americano, que compartilha características comuns da ortodoxia evangélica. É uma tradição que tem enfatizado a Igreja universal como estrutura para a unidade e a espiritualidade cristãs, buscando sua manifestação prática de formas que não conflitem com o conceito de Igreja local. Tem defendido a autoridade das Escrituras e destacado a relevância teológica do apocalíptico bíblico e da profecia. É um pré-milenismo futurista que tem sustentado firmemente o retorno iminente de Cristo e um futuro nacional e político para Israel no plano divino da história. Caracteriza-se por uma abordagem canônica das Escrituras que interpreta as descontinuidades entre o Antigo e o Novo Testamento como mudanças históricas nas dispensações divino-humanas, refletindo diferentes propósitos no plano divino. Como elemento da mudança dispensacional, tem enfatizado características únicas da graça para a dispensação presente da Igreja.
— Craig A. Blaising e Darrell L. Bock, Dispensationalism, Israel and the Church: Assessment and Dialogue
Darrell L. Bock
Uma forma mais abrangente de definir o movimento foi proposta por Mark S. Sweetnam. Ele sugeriu cinco elementos cuja combinação completa constitui o dispensacionalismo:
- Compromisso com a doutrina evangélica.
- Compromisso com uma hermenêutica bíblica literal.
- Reconhecimento de distinções nas manifestações dos tratos divinos com a humanidade, o que insiste na singularidade e importância tanto de Israel quanto da Igreja no plano divino.
- Expectativa do retorno iminente de Cristo no arrebatamento.
- Ênfase na expectativa apocalíptica e milenar.
— Darrell L. Bock, Dispensationalism, St Andrews Encyclopaedia of Theology
Entre esses elementos, destacam-se:
- A autoridade das Escrituras…
- A posição única da Igreja como o lugar onde o Espírito de Deus habita nos crentes de maneira nova e renovada…
- O dispensacionalismo não está vinculado a uma denominação específica, mas tem atuado de forma mais ecumênica através das tradições…
- Seu foco na profecia bíblica e na discussão do futuro…
- O dispensacionalismo possui uma perspectiva pré-milenista futurista…
- Os dispensacionalistas frequentemente discutem o retorno iminente de Jesus como o próximo evento no programa escatológico da redenção…
- Israel tem ocupado um lugar especial de atenção na teologia dispensacional.
— Darrell L. Bock, Dispensationalism, St Andrews Encyclopaedia of Theology
Ao descrever o dispensacionalismo, permito-me destacar cinco de suas características importantes.
- Atenção à descontinuidade. O termo "dispensação" surge do arranjo administrativo ao qual Paulo se refere em Efésios 3:1, uma "mordomia". O termo grego οἰκονομία é traduzido como dispensatio em latim. Refere-se ao modo como alguém administra algo. Os dispensacionalistas falarão sobre os períodos da lei, da graça e do milênio (ou, melhor dizendo, de Israel, da Igreja e do milênio), distinguindo o que é único a cada era.
- Ênfase nos pactos. O dispensacionalismo enfatiza o papel dos pactos na Bíblia, bem como o lugar significativo de Israel no programa de Deus, por meio do qual os pactos e o Messias emergiram. Em particular, o Pacto Abraâmico (Gn 12:1–3) assumiu compromissos com o mundo por meio de Israel e de sua descendência.
- A eleição perene de Israel. Esse conjunto de promessas a Israel é lido na tradição dispensacional como preservando um lugar para a restauração nacional do povo e da nação de Israel no contexto do retorno de Jesus para remir o mundo.
- Uma interpretação literal das promessas de Deus. Os dispensacionalistas frequentemente sustentam que isso significa tomar as promessas de Deus ao pé da letra, com o argumento de que os compromissos que Deus assume — como os feitos a Israel — ele é fiel em cumprir.
- Escatologia pré-milenista. O dispensacionalismo tende a ser pré-milenista em sua escatologia apocalíptica, esperando um governo de mil anos de Cristo na terra, a partir de Israel, antes dos novos céus e da nova terra. Outros detalhes desse sistema incluem o momento do retorno de Jesus para arrebatar os santos em salvação, posição frequentemente denominada pré-tribulacionalismo.
— Darrell L. Bock, What Is Dispensationalism?
David Olander
- Uma interpretação literal consistente (uso normal da linguagem)
- Uma distinção completa entre Israel e a Igreja
- Um princípio doxológico consistente
— David Olander, The Greatness of the Rapture
Elmer Towns e Thomas Ice
O dispensacionalismo é, na verdade, um sistema de pensamento multifacetado. Os dispensacionalistas creem no seguinte:
A Bíblia é a revelação inspirada e inerrante de Deus à humanidade. As Escrituras fornecem a estrutura por meio da qual interpretamos o passado e o futuro. A Palavra escrita de Deus nos fala de seu plano para a criação, e esse plano certamente se cumprirá.
Como a Bíblia é a Palavra literal de Deus e o seu plano para a história, devemos interpretá-la literalmente.
A Bíblia revela o plano de Deus para a história. Esse plano inclui diferentes dispensações, eras ou épocas da história por meio das quais Deus prova suas criaturas (seres humanos e anjos). Deus instrui suas criaturas por meio da história, à medida que a criação avança do Jardim do Éden até a cidade celestial.
Toda a humanidade caiu no pecado, de modo que cada pessoa precisa individualmente receber a provisão de salvação de Deus por meio da morte e ressurreição de Cristo, crendo no evangelho. Portanto, Jesus Cristo é o único caminho para um relacionamento com Deus.
As Escrituras ensinam que, por causa da queda da humanidade no pecado, todos os seres humanos são naturalmente rebeldes contra Deus e as coisas de Deus. É por isso que somente os verdadeiros crentes em Cristo estão abertos aos ensinamentos da Bíblia. Assim, a salvação por meio de Cristo é um pré-requisito para compreender corretamente a Palavra de Deus.
O plano de Deus para a história inclui um propósito para os descendentes de Abraão, Isaque e Jacó — isto é, a nação de Israel. Esse plano para Israel inclui promessas de que eles terão a terra de Israel, terão uma descendência e serão uma bênção mundial para as nações. Muitas das promessas ao Israel nacional ainda estão por se cumprir. Portanto, Deus não terminou com Israel.
O plano de Deus desde a eternidade também inclui um propósito para a Igreja. No entanto, esta é uma fase temporária que terminará com o arrebatamento. Após o arrebatamento, Deus completará o seu plano para Israel e os gentios.
O principal propósito de Deus em seu plano mestre para a história é glorificar-se a si mesmo por meio de Jesus Cristo. Portanto, Jesus Cristo é o objetivo e o herói da história.
— Elmer Towns e Thomas Ice, The Harvest Handbook of Bible Prophecy
Grant Hawley
Antes de prosseguir, é necessário definir o dispensacionalismo normativo. Embora os dispensacionalistas normativos discordem em vários pontos, praticamente todos concordariam com os seguintes:
- A interpretação literal, histórica e gramatical deve ser aplicada a todas as partes das Escrituras.
- A Igreja e Israel são povos distintos no programa de Deus para as eras.
- O Senhor Jesus Cristo voltará corporalmente à terra e reinará no trono de Davi em Jerusalém por mil anos.
- O propósito subjacente dos tratos de Deus com o mundo é a sua glória, não apenas a salvação do ser humano; portanto, as Escrituras vão muito além do evangelismo.
- O cristão está livre da lei em sua totalidade, tanto para a justificação (Gl 2:16) quanto para a santificação (Gl 5:18).
Ao discutir o dispensacionalismo normativo, essas descrições definirão meu uso do termo.
— Grant Hawley, Dispensationalism and Free Grace: Intimately Linked Part 1, Journal of the Grace Evangelical Society
Herbert W. Bateman IV
O que caracteriza um dispensacionalista é a ênfase na singularidade da Igreja e a convicção de que existe um período milenial futuro na história humana — quando Deus consumará seus Pactos Abraâmico, Davídico e a Nova Aliança com o Israel nacional por meio do reinado físico e terreno de Jesus Cristo aqui na terra —, elementos que são as pedras angulares para distinguir um dispensacionalista de um não dispensacionalista.
— Herbert W. Bateman IV, Three Central Issues in Contemporary Dispensationalism
Não obstante, o dispensacionalismo se distingue não apenas por sua exposição e alto apreço pela Palavra de Deus, mas também por sua ênfase na profecia bíblica, pela divisão dos eventos da história da salvação em dispensações, pela ênfase na singularidade da Igreja, pela expectativa do retorno pré-milenista de Jesus Cristo e pela confiança em um futuro para o Israel nacional.
— Herbert W. Bateman IV, Three Central Issues in Contemporary Dispensationalism
James I. Fazio
Ryrie distinguiu o dispensacionalista por três características, às quais chamou de sine qua non do dispensacionalismo. Esses três elementos essenciais, definidos por Ryrie, são:
- Perceber uma distinção entre Israel e a Igreja.
- Aplicar consistentemente um método interpretativo literal gramatical-histórico ao texto bíblico.
- Perceber o propósito doxológico de Deus ao longo de toda a história.
— James I. Fazio, Discovering Dispensationalism
O pressuposto mais fundamental do DT está relacionado ao seu método hermenêutico. Os dispensacionalistas estão comprometidos com uma aplicação consistente da interpretação normal gramatical-histórica das Escrituras. É a partir dessa convicção principal que todos os demais distintivos do dispensacionalismo derivam. Entre esses distintivos, incluem-se:
- A organização da história bíblica de acordo com mordomias divinamente ordenadas ou "dispensações".
- Uma distinção clara entre os povos de Deus (especialmente Israel e a Igreja).
- Uma robusta expectativa escatológica pré-tribulacional que antecipa a restauração de Israel a Deus e o estabelecimento de um reino milenial literal e terreno.
— James I. Fazio, Traditional Dispensationalism (JBTS)
John S. Feinberg
Os seis "Essenciais do Dispensacionalismo" propostos em seu capítulo "Systems of Discontinuity" (1988) incluem:
- A crença de que a Bíblia usa termos como "judeu" e "descendência de Abraão" em múltiplos sentidos.
- Uma abordagem hermenêutica que enfatiza a interpretação do Antigo Testamento em seus próprios termos, sem reinterpretá-lo à luz do Novo Testamento.
- A crença de que as promessas do Antigo Testamento se cumprirão com o Israel nacional.
- A crença em um futuro distinto para o Israel étnico.
- A crença de que a Igreja é um organismo distinto.
- Uma filosofia da história que enfatiza não apenas questões soteriológicas e espirituais, mas também sociais, econômicas e políticas.
— John S. Feinberg, "Systems of Discontinuity" (1988), resumido por Michael J. Vlach em Dispensationalism: Essential Beliefs and Common Myths
Lewis Sperry Chafer
- Qualquer pessoa é dispensacionalista se confia no sangue de Cristo em vez de trazer um sacrifício animal.
- Qualquer pessoa é dispensacionalista se não reivindica direito ou título à terra que Deus prometeu a Israel como herança eterna.
- Qualquer pessoa é dispensacionalista se observa o primeiro dia da semana em vez do sétimo.
— Lewis Sperry Chafer, Dispensationalism
M. James Sawyer
- Autoridade das Escrituras
- Arranjos administrativos divinos como chave para a compreensão das Escrituras
- Singularidade da Igreja em relação ao Israel nacional
- Significado prático da Igreja universal
- Significado da profecia bíblica
- Pré-milenismo futurista
- Retorno iminente de Cristo
- Um futuro para o Israel nacional
— M. James Sawyer, Dispensationalism: An Introductory Survey
Mark A. Snoeberger
Há mais de meio século, Charles Ryrie postulou de forma célebre três características definidoras:
- Uma hermenêutica consistentemente literal.
- Uma distinção entre Israel e a Igreja.
- Um mitte "doxológico" de toda a atividade de Deus.
— Mark A. Snoeberger, Discovering Dispensationalism
Mark Hitchcock e Thomas Ice
O dispensacionalismo é um conjunto de ideias reunidas para formar um sistema de pensamento, assim como termos como calvinismo, arminianismo, anglicanismo, catolicismo ou luteranismo são rótulos históricos que representam não uma única ideia, mas um grupo de ideias reunidas para formar um esquema multifacetado.
Os dispensacionalistas são aqueles que creem nas seguintes coisas:
- A Bíblia é a revelação inspirada e inerrante (isto é, sem quaisquer erros) de Deus ao homem. As Escrituras fornecem a estrutura por meio da qual se interpreta a história (passada e futura). A Palavra escrita de Deus nos fala do Seu plano para a Sua criação, e esse plano certamente se cumprirá.
- Como a Bíblia é a Palavra literal de Deus acerca do Seu plano para a história, ela deve ser interpretada de forma literal e histórica (passada e futura).
- Como a Bíblia revela o plano de Deus para a história, segue-se que há um fluxo e refluxo nesse plano. Portanto, o plano de Deus inclui diferentes dispensações, eras ou épocas históricas por meio das quais Suas criaturas (homens e anjos) são testadas. Assim, Deus instrui Suas criaturas por meio do progresso da história.
- Como toda a humanidade caiu no pecado, cada pessoa deve individualmente receber a provisão de salvação de Deus por meio da morte de Cristo, crendo no evangelho. Portanto, Jesus Cristo é o único caminho para um relacionamento com Deus.
- Por causa da queda da humanidade no pecado, as Escrituras ensinam que toda a humanidade é naturalmente rebelde a Deus e às coisas de Deus. É por isso que somente os verdadeiros crentes em Cristo estão abertos aos ensinamentos da Bíblia. Assim, a salvação por meio de Cristo é um pré-requisito para compreender adequadamente a Palavra de Deus.
- O plano de Deus para a história inclui um propósito para os descendentes de Abraão, Isaque e Jacó — isto é, Israel. Esse plano para Israel inclui promessas de que terão a terra de Israel, terão uma descendência e serão uma bênção mundial para as nações. Muitas das promessas ao Israel nacional ainda são futuras; portanto, Deus não terminou com Israel.
- O plano de Deus desde toda a eternidade também inclui um propósito para a Igreja; no entanto, esta é uma fase temporária que terminará com o Arrebatamento. Após o Arrebatamento, Deus completará Seu plano para Israel e os gentios.
- O principal propósito do plano mestre de Deus para a história é glorificar a Si mesmo por meio de Jesus Cristo. Portanto, Jesus Cristo é o objetivo e o herói da história.
— Mark Hitchcock e Thomas Ice, The Truth Behind Left Behind [A Verdade por Trás do Left Behind]
Mark S. Sweetnam
Há cinco ênfases reconhecíveis que caracterizam o dispensacionalismo:
- Um compromisso com a doutrina evangélica.
- Um compromisso com uma hermenêutica bíblica literal.
- O reconhecimento de distinções nas manifestações do trato divino com a humanidade, que insiste na singularidade e importância tanto de Israel quanto da Igreja no plano divino.
- A expectativa do retorno iminente de Cristo no Arrebatamento.
- Uma ênfase na expectativa apocalíptica e milenar.
— Mark S. Sweetnam, Defining Dispensationalism [Definindo o Dispensacionalismo]
Michael J. Svigel
Os pilares fundamentais do dispensacionalismo incluem:
- Uma distinção marcante entre Israel e a Igreja.
- Uma forte descontinuidade entre as eras passada, presente e futura.
- Um cumprimento terreno futuro das promessas do Antigo Testamento ao Israel nacional.
- A ab-rogação da Lei de Moisés para a Igreja.
- O nascimento da Igreja em Pentecostes e a consumação da Igreja no arrebatamento.
— Michael J. Svigel, Dispensationalism and the History of Redemption [O Dispensacionalismo e a História da Redenção]
Michael J. Vlach
Seis Crenças Essenciais do Dispensacionalismo (revisadas e atualizadas em 2017):
- O significado primário de qualquer passagem bíblica é encontrado nessa própria passagem. O Novo Testamento não reinterpreta nem transcende passagens do Antigo Testamento de maneira que cancele ou substitua a intenção autoral original dos escritores veterotestamentários.
- Tipos existem, mas o Israel nacional não é um tipo inferior que é suplantado pela Igreja.
- Israel e a Igreja são distintos; portanto, a Igreja não pode ser identificada como o novo e/ou verdadeiro Israel.
- A unidade espiritual na salvação entre judeus e gentios é compatível com um papel funcional futuro para Israel como nação.
- A nação de Israel será tanto salva quanto restaurada, com um papel funcional único em um reino milenial terreno futuro.
- Há múltiplos sentidos para "descendência de Abraão", de modo que a identificação da Igreja como "descendência de Abraão" não cancela as promessas de Deus à "descendência de Abraão" judaica crente.
— Michael J. Vlach, Dispensationalism: Essential Beliefs and Common Myths [Dispensacionalismo: Crenças Essenciais e Mitos Comuns]
Phillip Heideman
Os principais distintivos do dispensacionalismo são:
- Em primeiro lugar, o uso consistente da hermenêutica gramatical-histórica.
- Em segundo lugar, a distinção entre Israel e a Igreja.
- Em terceiro lugar, o reinado de Jesus Cristo e de Seus santos no Reino Messiânico. Este último é o objetivo em direção ao qual Deus trabalha providencialmente na história humana.
- Em quarto lugar, o fio unificador do começo ao fim do registro bíblico é a manifestação dos atributos de Deus — a saber, Seu amor, Sua justiça, Sua fidelidade e Sua soberania. Em particular, Deus demonstra ao longo das eras que está no controle, embora haja períodos em que isso possa não parecer assim. Esses elementos são essenciais para perceber a continuidade e a progressão das Escrituras e para compreender as principais áreas da Verdade revelada na Palavra de Deus.
— Phillip Heideman, Dispensational Theology, Chafer Theological Seminary Journal
Robert P. Lightner
[O dispensacionalismo é um] sistema de teologia que interpreta a Bíblia literalmente — de acordo com o uso normal — e coloca ênfase primária nos principais pactos bíblicos — Abraâmico, Palestino, Davídico, Nova Aliança — e enxerga a Bíblia como o desdobramento de economias distinguíveis no desenvolvimento do propósito maior de Deus de trazer glória a Si mesmo.
— Robert P. Lightner, citado por T. Maurice Pugh em Dispensationalism and the History of Redemption
- É o sistema de teologia que segue (ou tem como objetivo) uma interpretação consistentemente literal ou normal das Escrituras.
- Vê a distinção entre o programa de Deus para Israel e o Seu programa para a Igreja.
- Vê economias ou regras de vida distinguíveis e progressivas no desenvolvimento do propósito primário de Deus no mundo, que é trazer glória a Si mesmo.
— Robert P. Lightner, Conservative Theological Journal
Stephen R. Lewis
Hoje muitos perguntam: "Qual é o sine qua non (elemento absolutamente essencial) do dispensacionalismo?" A maioria dos dispensacionalistas responderia que ele se concentra em três proposições:
- O propósito revelado supremo de Deus é glorificar a Si mesmo, expressando livre e plenamente Seus atributos e caráter.
- Uma interpretação consistentemente literal ou simples da Bíblia é essencial para compreender adequadamente a revelação de Deus.
- Essa interpretação literal leva a distinguir Israel da Igreja.
— Stephen R. Lewis, The New Covenant Enacted or Ratified? [A Nova Aliança Promulgada ou Ratificada?], Chafer Theological Seminary Journal
T. Maurice Pugh
Há pelo menos três características centrais do dispensacionalismo que seus adeptos geralmente afirmam.
- Primeiro, há uma distinção entre o plano único de Deus para Israel e o Seu plano para a Igreja...
- Segundo, o dispensacionalismo mantém ênfases significativas nos pactos bíblicos e na profecia divina dentro da estrutura do programa global de Deus...
- Por fim, uma característica central da interpretação da teologia dispensacional da história redentora é uma escatologia pré-milenar.
— T. Maurice Pugh, Dispensationalism and the History of Redemption
Thomas Ice
Ryrie demonstrou que a teologia dispensacional deve conter pelo menos os três elementos a seguir, que ele famosamente chamou de sine qua non:
- A essência do dispensacionalismo, portanto, é a distinção entre Israel e a Igreja.
- Isso decorre do emprego consistente, por parte do dispensacionalista, da interpretação normal, simples ou histórico-gramatical.
- Reflete uma compreensão do propósito básico de Deus em todos os Seus tratos com a humanidade como sendo o de glorificar a Si mesmo por meio da salvação e de outros propósitos também.
— Thomas Ice, The Golden Years of Dispensationalism (1900–1970) [Os Anos de Ouro do Dispensacionalismo (1900–1970)]
William F. Luck, Sr.
Há quatro elementos distintos que compõem o dispensacionalismo moderno.
Há um método normal ou simples de interpretação bíblica. Isso é às vezes chamado de hermenêutica literal ou histórico-gramatical.
Há uma consciência da centralidade da soberania de Deus sobre todo o curso da história, que é mais ampla do que apenas o plano especial redentor da graça.
Há o reconhecimento de uma distinção entre o Israel étnico ou nacional e a Igreja, ou corpo de Cristo, composto principalmente de gentios nesta era.
O reconhecimento de períodos distintos, múltiplos e progressivos, ou eras administrativas, que revelam a soberania de Deus se manifestando ao longo da história em pelo menos 3 eras principais, culminando em uma Cristocracia:
- (a) os tempos do Israel étnico desde o pacto feito com eles no Sinai;
- (b) a Nova Aliança estabelecida no sangue de Cristo, que envolve a vinda do Espírito Santo para chamar as nações, judeus e gentios, a se prepararem para
- (c) o reinado de Cristo na terra pelos 1.000 anos (premilenismo).
— William F. Luck, Sr., Evangelical Bible Doctrine [Doutrina Bíblica Evangélica]
Padrões e Convergências
Nas entradas acima, três observações se destacam.
Um núcleo amplamente compartilhado. Apesar das diferenças no número de pontos — das três proposições de Lightner às oito de Hitchcock/Ice e Sawyer — três itens aparecem em quase todas as enumerações:
- Uma hermenêutica literal (ou gramatical-histórica).
- Uma distinção entre Israel e a Igreja.
- Uma expectativa pré-milenar que inclui um futuro para o Israel nacional.
Uma extensão recorrente à eclesiologia e à escatologia. Além do núcleo hermenêutico, as listas mais longas caracteristicamente acrescentam:
- A autoridade das Escrituras (Towns/Ice, Hitchcock/Ice, Sawyer, Blaising/Bock, Bock).
- A singularidade da Igreja (Bateman, Sawyer, Blaising/Bock, Vlach, Svigel).
- O retorno iminente de Cristo (Sweetnam, Sawyer, Blaising/Bock, Bock).
- Um arrebatamento pré-tribulacional (Baker, Pate, Fazio).
- Uma ênfase na profecia bíblica e no apocalipticismo (Bock, Bateman, Sawyer, Blaising/Bock, Sweetnam).
- A concepção da história como divinamente administrada por meio de oikonomiai sucessivas (Bock, Marsh/Fazio, Towns/Ice, Hitchcock/Ice, Sawyer, Lightner, Luck).
As listas revelam, portanto, não tanto um credo único e fixo, mas uma família estável de compromissos que orbitam um núcleo reconhecido.
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FreeRequest: Matthew 24:4–31 — Chronology in Dispensationalism
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Perguntas Frequentes
Qual é o sine qua non do dispensacionalismo?
Todos os dispensacionalistas concordam com a mesma lista de elementos essenciais?
Quais características são mais frequentemente listadas além do núcleo de Ryrie?
Autor
Leonardo A. Costa
Pesquisador e escritor que explora o dispensacionalismo a partir de uma perspectiva progressiva, com profunda apreciação pelo legado dessa tradição.
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