A Igreja Pode Ser Alheia à Nova Aliança? Uma Resposta a Christopher Cone

Uma resposta seção por seção à posição SCIO de Cone, examinando diakonos, o sangue do pacto, fontes abraâmicas, nominalismo, Efésios 2–3 e Hebreus 10

DispensacionalismoLeonardo A. Costa26 min de leitura

O ensaio de Christopher Cone, Hermeneutical Ramifications of Applying the New Covenant to the Church [Ramificações Hermenêuticas da Aplicação da Nova Aliança à Igreja], é útil precisamente porque levanta uma preocupação metodológica legítima. Ele está certo ao insistir que a Nova Aliança de Jeremias 31 foi estabelecida com "a casa de Israel e a casa de Judá", e também está certo que os dispensacionalistas não devem nivelar Israel à Igreja. Nesses pontos, ele pressiona na direção correta.

Contudo, a solução de Cone vai longe demais na direção oposta. Na tentativa de preservar a identidade israelita da Nova Aliança, ele a reduz tão estritamente às partes contratantes originais que não deixa espaço para o próprio testemunho do Novo Testamento de que a Igreja já participa de suas bênçãos por meio de Cristo. Isso não é consistência. É reducionismo.

O Falso Dilema: Participação Não Significa Substituição

Cone trata a questão como se houvesse apenas duas opções:

  1. Ou a Igreja participa da Nova Aliança, e nesse caso o pacto de alguma forma precisa ser aplicado à Igreja como pacto;
  2. Ou o pacto pertence exclusivamente a Israel, e nesse caso a Igreja não pode ter nenhuma relação real com ele.

Porém, a própria Escritura nos apresenta um padrão mais matizado. Um pacto pode ser estabelecido com um povo enquanto as bênçãos que fluem desse pacto se estendem para além das partes imediatas do contrato. Essa não é uma ideia estranha na narrativa bíblica. Está integrada à vocação de Israel desde o princípio.

Israel jamais foi escolhido simplesmente para receber bênçãos como ponto terminal. Israel foi escolhido para mediar bênçãos às nações. A promessa a Abraão já aponta nessa direção: "por meio de você todas as famílias da terra serão abençoadas" (Gn 12.3). Israel é descrito posteriormente como um reino de sacerdotes (Êx 19.5-6), e a missão do Servo se expande em direção às nações (Is 49.6). O papel pactual de Israel não é diminuído quando a bênção alcança os gentios; pelo contrário, está sendo cumprido exatamente na direção que Deus pretendia.

O próprio Cone aceita esse fluxo mediatorial quando se trata do Pacto Abraâmico — ele apela a Gênesis 12.3 como fonte das bênçãos aos gentios. Mas nega o mesmo fluxo quando se trata da Nova Aliança. A questão é: por quê? Se o papel pactual de Israel inclui canalizar a bênção para fora, e se a Nova Aliança especifica o conteúdo dessa bênção (perdão, o Espírito, o coração renovado), então recusar que esse conteúdo alcance as nações por meio do Messias não é uma defesa da singularidade de Israel — é uma truncagem da vocação de Israel.

Por essa razão, o fato de a Nova Aliança ter sido estabelecida com Israel não prova que suas bênçãos não possam alcançar a Igreja. Prova apenas que Israel permanece o locus histórico e profético do pacto.

Paulo como Ministro da Nova Aliança (2 Coríntios 3.6)

Cone responde ao argumento de que Paulo é ministro da Nova Aliança fazendo dois movimentos. Primeiro, distingue entre servir e administrar um pacto: Paulo estava "servindo uma nova aliança, não a administrando", e portanto "sua audiência (seja judeu ou gentio, ou ambos) é irrelevante." Segundo, propõe que Paulo serve a Nova Aliança "na medida em que exalta seu ministério a fim de que os judeus sejam movidos ao ciúme e sejam salvos (Rm 11.13-14)", buscando assim "apressar o cumprimento do pacto." Acrescenta que "o pacto pode ser ratificado e aguardar cumprimento sem estar em vigor ou presentemente cumprido, e alguém pode estar servindo a ele mesmo esperando por seu cumprimento futuro."

Cada um desses movimentos falha por seus próprios fundamentos.

A distinção entre servir e administrar é estranha ao texto. A palavra que Paulo usa é diakonos, e em todas as ocorrências no Novo Testamento ela se refere a alguém que serve algo presentemente em operação: servo de Cristo (1Co 3.5; Cl 1.7 — Epafras), do evangelho (Cl 1.23; Ef 3.7), da Igreja (Cl 1.25; Rm 16.1 — Febe como serva da Igreja em Cencreia), de Deus (2Co 6.4), das autoridades governamentais (Rm 13.4), servo fiel no Senhor (Ef 6.21; Cl 4.7 — Tíquico), o próprio Cristo como servo da circuncisão (Rm 15.8), e até servos de Satanás (2Co 11.15). Em todos esses casos, o objeto do serviço é uma realidade presente e operante. Não há nenhum caso no NT em que alguém seja chamado de diakonos de algo futuro ou ainda não em vigor. Cone introduz uma distinção entre "servir" e "administrar" que o texto não faz e para a qual ele não apresenta nenhum fundamento lexical ou contextual. O ônus da prova recai sobre quem afirma que diakonos carrega aqui um significado que não carrega em nenhum outro lugar.

A leitura do ciúme é importada de Romanos 11, não derivada de 2 Coríntios 3. Cone apela a Romanos 11.13, onde Paulo usa o termo cognato diakonia ao falar de seu ministério aos gentios e de sua esperança de que os judeus sejam provocados ao ciúme. Em seguida, ele retroprojeta esse motivo do ciúme em 2 Coríntios 3.6, como se definisse o que significa ser "ministro da nova aliança." Mas 2 Coríntios 3.6 nada diz sobre provocar ciúme. O contexto de 2 Coríntios 3 é um contraste entre dois ministérios (diakoniai) em operação: o de Moisés — o ministério da letra que mata — e o de Paulo — o ministério do Espírito que dá vida. Moisés não era servo da antiga aliança de forma indireta ou instrumental; ele operava dentro dela. O paralelismo exige o mesmo para Paulo. Importar o tema do ciúme de uma carta e contexto completamente distintos, e torná-lo o conteúdo definidor da designação de Paulo como ministro da Nova Aliança, não é hermenêutica literal-gramatical-histórica — é uma imposição teológica sobre o texto.

Os efeitos presentes de 2 Coríntios 3 pressupõem um pacto presentemente operante. Nessa passagem, Paulo não se limita a reivindicar um título ou anunciar uma esperança futura. Ele descreve um ministério presentemente em operação — um que produz efeitos presentes: o Espírito dá vida (3.6), há glória presente (3.8-9), e o véu está sendo removido presentemente (3.16-18). Se a Nova Aliança "não está em vigor", qual é então a fonte desse presente ministério do Espírito que Paulo contrasta com o ministério de Moisés? Cone não oferece resposta. Além disso, se "ministro da nova aliança" significa apenas "alguém que proclama um pacto futuro", então Jeremias, Ezequiel e talvez até o próprio Moisés poderiam ser chamados de "ministros da nova aliança", já que também apontavam para ela. Mas Paulo traça um contraste entre seu ministério e o de Moisés — e esse contraste só funciona se ambos estiverem operando dentro de regimes de aliança distintos e ativos. Se ambos estivessem apenas anunciando uma realidade futura, não haveria nenhum contraste de ministérios do qual falar.

A Separação entre o Sangue de Cristo e a Nova Aliança

Cone argumenta que a morte de Cristo serviu como "ratificação em vez de 'colocar em vigor' o pacto", e que portanto "a Igreja estaria relacionada ao Mediador, e não ao pacto." Em sua análise de 1 Coríntios 11.25, ele insiste que "nada em 1 Coríntios 11.25 oferece qualquer indicação de que o pacto está em vigor hoje ou de que está relacionado à Igreja", e que "a ênfase não é sobre o pacto que Ele ratificou, mas sobre a própria morte dele."

Essa separação entre o sangue de Cristo e o pacto que ele ratifica é artificial e não emerge da hermenêutica literal-gramatical-histórica.

Jesus identifica seu sangue como o sangue da Nova Aliança. "Este cálice é a nova aliança no meu sangue" (Lc 22.20; 1Co 11.25). A sintaxe faz dessa afirmação uma identificação, não uma associação vaga: touto to potērion hē kainē diathēkē estin en tō haimati mou — o cálice é (estin) a nova aliança. Hebreus 10.29 o chama de "o sangue da aliança." Separar o sangue do pacto ao qual ele pertence é uma distinção que o próprio Cristo não faz. O sangue é eficaz precisamente porque é sangue pactual — sangue que ratifica e inaugura a Nova Aliança. Afirmar que alguém pode estar relacionado ao sangue mas não ao pacto que ele sela é dividir o que a Escritura une. Se o sangue da Nova Aliança é o fundamento do perdão, da justificação e do acesso da Igreja a Deus, então a Igreja está relacionada à Nova Aliança — e não apenas à pessoa do Mediador abstraída de sua obra pactual.

As palavras da instituição resistem à dicotomia de Cone. Cone afirma que a Igreja deve "lembrar d'Ele, não do pacto" na Ceia do Senhor. Mas Jesus não diz: "Este cálice é o meu sangue." Ele diz: "Este cálice é a nova aliança no meu sangue" (1Co 11.25). O pacto não é incidental à ordenança — é constitutivo dela. Não se pode recordar a morte de Cristo tal como apresentada na Ceia sem recordar o pacto que sua morte efetua.

A analogia abraâmica de Cone mina sua própria posição. Ele argumenta que "a ratificação do Pacto Abraâmico... não viu nenhum de seus aspectos específicos especificamente cumprido até muito mais tarde", e que portanto a Nova Aliança pode igualmente ser "ratificada mas não cumprida." Mas essa analogia trabalha contra ele. O Pacto Abraâmico foi ratificado em Gênesis 15 e estava em vigor a partir daquele momento — Abraão já operava sob suas provisões, recebia suas promessas e agia com base nelas, mesmo que seu cumprimento completo estivesse no futuro. A ratificação é o momento em que um pacto entra em vigor. Se Cone concede que a Nova Aliança foi ratificada pelo sangue de Cristo, então, por sua própria analogia, ela está em vigor — mesmo que seu cumprimento completo com Israel nacional permaneça futuro. Cone ainda poderia replicar que o Pacto Abraâmico estava em vigor para Abraão, seu destinatário, e que da mesma forma a Nova Aliança está em vigor para Israel, seu destinatário. Mas isso apenas desloca a questão de se o pacto é operante para a quem seus benefícios se estendem presentemente — e é precisamente essa questão que Hebreus 10.15-22 responde, onde o "portanto" do versículo 19 deriva o acesso presente da Igreja a partir das promessas da Nova Aliança.

A Fonte das Bênçãos Salvíficas da Igreja

Um pilar central do caso SCIO de Cone é a afirmação de que as bênçãos salvíficas da Igreja — perdão, justificação, regeneração, o ministério do Espírito — não provêm da Nova Aliança, mas sim do Pacto Abraâmico. Seu raciocínio é o seguinte: essas bênçãos existiam antes mesmo que a Nova Aliança fosse anunciada; elas podem ser explicadas pelo sétimo aspecto do Pacto Abraâmico (Gn 12.3 — "por meio de você todas as famílias da terra serão abençoadas"); e como os escritores do NT discutem a regeneração e o Espírito sem sempre nomear a Nova Aliança, não há "fundamento exegético para relacionar a nova aliança à Igreja." Cone sustenta ainda que "o Pacto Abraâmico promete bênção para aqueles que não são descendentes físicos de Abraão", que "o ministério do Espírito Santo aos gentios é prometido fora do contexto da nova aliança (cf. Jl 2.28ss e Atos 2)", e que "há revelação significativa sobre a salvação dos gentios fora do contexto da nova aliança."

A lógica subjacente é esta: se uma bênção pode ser encontrada fora do rótulo "Nova Aliança", então ela não precisa estar vinculada à Nova Aliança. Mas esse raciocínio confunde o anúncio de uma bênção com seu fundamento de eficácia, e atribui ao Pacto Abraâmico um conteúdo que somente a Nova Aliança fornece.

Primeiro, Gênesis 12.3 não promete as bênçãos específicas que Cone lhe atribui. O sétimo aspecto do Pacto Abraâmico promete que "por meio de você todas as famílias da terra serão abençoadas." Trata-se de uma promessa ampla de bênção, mas ela não especifica em que consiste essa bênção. O conteúdo da bênção — perdão, regeneração, o Espírito habitando no crente, a lei escrita no coração — provém dos textos da Nova Aliança (Jr 31.31-34; Ez 36.25-27). O que Cone faz efetivamente é tomar emprestado o conteúdo da Nova Aliança e colocá-lo sob o rótulo do Pacto Abraâmico. Se o Pacto Abraâmico fosse realmente a fonte da regeneração e do perdão para a Igreja, seria de se esperar que o Antigo Testamento desenvolvesse essas promessas dentro do quadro abraâmico. Isso nunca acontece. Essas bênçãos são desenvolvidas exclusivamente dentro do quadro da Nova Aliança. O Pacto Abraâmico anuncia que a bênção alcançará as nações; a Nova Aliança especifica em que consiste essa bênção e como ela é realizada. Colapsar os dois é tratar Gênesis 12.3 como se contivesse um conteúdo que só a revelação posterior fornece.

Segundo, o Novo Testamento vincula explicitamente a eficácia salvífica retroativa à Nova Aliança, não à Abraâmica. Hebreus argumenta que o perdão dos pecados não era possível sob a antiga aliança (Hb 10.4, 11) e só se tornou realidade por meio do sangue de Cristo (Hb 9.14-15; 10.17-18) — sangue identificado como o sangue da Nova Aliança. Hebreus 9.15 afirma que a morte de Cristo redime as transgressões cometidas sob a primeira aliança. Trata-se de eficácia retroativa — e o autor de Hebreus a vincula à Nova Aliança, não à Abraâmica. Romanos 3.25 confirma o mesmo padrão: Deus "tolerou" os pecados anteriores em sua paciência, e essa paciência está fundamentada na propiciação pelo sangue de Cristo — o mesmo sangue que Jesus identifica como "o sangue da nova aliança." Os santos do Antigo Testamento foram de fato perdoados — mas com base em quê? O fato de as pessoas terem sido salvas antes de a Nova Aliança ser anunciada não significa que foram salvas à margem de sua eficácia. O NT ensina o oposto: o sangue da Nova Aliança é o que confere validade retroativa a cada ato de perdão divino.

Terceiro, Joel 2.28ss não ajuda o caso de Cone — ao contrário, reforça a posição oposta. Cone cita Joel 2.28 e Atos 2 como evidência de que o ministério do Espírito aos gentios é prometido "fora do contexto da nova aliança." Mas Joel 2.28-32 descreve o mesmo complexo escatológico de eventos — derramamento do Espírito, restauração, proximidade divina — que Ezequiel 36 e Jeremias 31 descrevem. Na literatura profética, esses eventos formam um único conjunto escatológico. Ezequiel 36.26-27 conecta explicitamente o dom do Espírito às promessas da Nova Aliança: "Porei o meu Espírito dentro de você." A citação de Joel 2 por Pedro em Atos 2 não separa o Espírito da Nova Aliança; ela identifica a experiência presente do Espírito como o início do que os profetas previram. Citar Joel como prova de que o Espírito opera fora da Nova Aliança é separar artificialmente o que os próprios profetas tratam como uma realidade escatológica unificada.

Quarto, o argumento de Cone a partir do Evangelho de João é um argumento do silêncio. Cone observa que João discute a regeneração (Jo 3) e o ministério do Espírito (Jo 14-16) sem mencionar a Nova Aliança, e conclui que essas bênçãos são desvinculadas dela. Mas o novo nascimento que Jesus descreve — nascer "do Espírito" — é precisamente o conteúdo da promessa da Nova Aliança em Ezequiel 36.26-27. O silêncio de João sobre o rótulo não desfaz a conexão que o conteúdo estabelece.

O Conteúdo, Não os Rótulos, Determina a Referência Pactual

Cone insiste que, como os escritores do Novo Testamento não conectam explicitamente as bênçãos da Era da Igreja à Nova Aliança pelo nome, tal conexão não existe. Ele argumenta a partir da ausência do rótulo "nova aliança" em passagens como Gálatas 3 e da ausência de linguagem explícita de expansão em Hebreus 8.

Isso cria um duplo padrão. A expressão "Nova Aliança" não aparece em Ezequiel 36 — contudo, o próprio Cone cita essa passagem como texto da Nova Aliança, e com razão, porque a reconhece por seu conteúdo, não pelo rótulo. A expressão "nova aliança" aparece explicitamente apenas em Jeremias 31.31. É o conteúdo que determina a referência, não a presença do rótulo.

O conteúdo de Gálatas 3.13-14 — "a promessa do Espírito" como a bênção que chega aos gentios por meio de Cristo — é inegavelmente linguagem da Nova Aliança (Ez 36.26-27), não linguagem abraâmica. Se alguém exige que o rótulo "Nova Aliança" apareça em Gálatas 3 antes de aceitar que Paulo está falando da Nova Aliança, então pelo mesmo critério não se pode citar Ezequiel 36 como passagem da Nova Aliança tampouco.

Para ser hermeneuticamente consistente, Cone precisaria encontrar no Antigo Testamento onde as promessas de receber o Espírito, a purificação do coração e a lei escrita no coração estão nominalmente vinculadas ao Pacto Abraâmico. Se a presença nominal é exigida no Novo Testamento para conectar uma passagem à Nova Aliança, essa mesma exigência se aplica ao Antigo Testamento — e o Pacto Abraâmico jamais promete nominalmente essas coisas.

A Proximidade Pactual da Igreja (Efésios 2:11–3:6)

Cone aborda Efésios 2:11–3:6 e argumenta que os gentios serem "aproximados" (2:13) não indica participação nos pactos. Ele escreve que Paulo "não afirma que todas essas condições são revertidas no momento da salvação", e que o mistério de Efésios 3:6 consiste simplesmente no fato de os gentios serem "co-membros do corpo" — não co-participantes dos pactos judaicos. Sua conclusão é: "Perto não é dentro nem sobre."

As cinco condições e a reversão abrangente. Paulo lista cinco condições dos gentios não salvos em Efésios 2:12: separados de Cristo, alienados da comunidade de Israel, estranhos aos pactos da promessa, sem esperança e sem Deus. O remédio anunciado por Paulo em 2:13 — "Mas agora em Cristo Jesus vocês, que antes estavam longe, foram aproximados mediante o sangue de Cristo" — é apresentado como uma reversão abrangente. Se "aproximados" reverte a condição dos que estavam "longe", e esse estar "longe" é definido em parte por serem "estranhos aos pactos da promessa", então "aproximados" deve incluir uma mudança no relacionamento deles com esses pactos. Dizer que perto não é dentro não resolve a tensão — apenas reformula a pergunta. Se a Igreja foi aproximada dos pactos da promessa, mas não tem participação alguma neles, então "aproximados" é uma designação vazia. Em que consiste, afinal, essa proximidade?

A "promessa" no singular inclui os pactos, não os exclui. Cone argumenta que Paulo, posteriormente, fala apenas de "a promessa" no singular (Ef. 3:6), e não dos pactos em si; portanto, os gentios seriam aproximados dos judeus em um só corpo, mas sem qualquer participação pactual. Contudo, o argumento de Paulo em Efésios 2–3 é um contraste deliberado entre o antes e o depois. Antes de Cristo, os gentios eram estranhos aos pactos da promessa. Depois de Cristo, são co-herdeiros, co-membros do corpo e co-participantes da promessa em Cristo Jesus. O singular "promessa" em 3:6 não desvincula os gentios dos "pactos" plurais de 2:12 — ele os resume. A expressão usada anteriormente por Paulo é precisamente "os pactos da promessa". O singular reúne o plural; não o exclui.

A promessa do Espírito é uma promessa da Nova Aliança. Cone sugere que a "promessa" em Efésios 3:6 se refere apenas ao Espírito, à vida eterna ou à bênção abraâmica — categorias que ele considera não relacionadas à Nova Aliança. Mas a promessa do Espírito é uma promessa da Nova Aliança (Ez. 36:26–27). Não se pode isolar a promessa do Espírito da estrutura pactual na qual ela é dada.

O mistério não é a ausência de conexão, mas a surpresa dela. Cone argumenta que, por ser uma revelação misteriosa, essa participação não pode ser encontrada em Jeremias 31. Nesse ponto, curiosamente, ele se aproxima do insight correto, mas extrai a conclusão errada. Precisamente porque a participação dos gentios é um mistério, não deveríamos esperar que Jeremias a detalhasse. O mistério não é que os gentios recebam bênção — Gênesis 12:3 já antecipava isso. O mistério está no modo: a co-incorporação em um só corpo, partilhando as promessas pactual de Israel mediante a união com o Messias de Israel. Que as nações seriam abençoadas sempre foi o plano; que elas seriam co-herdeiras, co-membros e co-participantes em Cristo Jesus (Ef. 3:6) é a surpresa.

A Mudança de Pronome e o "Portanto" de Hebreus 10:19

Cone argumenta que, em Hebreus 10:15–16, a distinção entre "nós" (v. 15) e "eles/deles" (v. 16) prova que os destinatários de Hebreus são distintos dos destinatários da Nova Aliança. Ele escreve: "Nós não é eles. Os pronomes mantêm a distinção entre os leitores de Hebreus e aqueles com quem o pacto é firmado e a quem ele é cumprido." Acrescenta ainda que "nenhuma das dezesseis ocorrências de diatheke apresenta conexão exegética alguma com a Igreja", e que o propósito de Hebreus é simplesmente exaltar a superioridade de Cristo — não aplicar a Nova Aliança à Igreja.

Esta é uma das passagens mais claras e decisivas de toda a discussão, pois ela mostra exatamente a transição que a posição de Cone nega.

Observe cuidadosamente a sequência. No versículo 15, o Espírito Santo "nos dá testemunho" (hēmin — dativo, "a nós"). Nos versículos 16–17, o autor cita Jeremias 31 — o pacto feito com "eles" (Israel): "Este é o pacto que farei com eles... e dos seus pecados e transgressões não me lembrarei mais." O autor introduz a citação de Jeremias dizendo que o Espírito nos dá testemunho disso a nós — não "a respeito deles", não "para o futuro", mas a nós, os leitores presentes da carta.

Em seguida vem a conclusão. Versículo 18: "Onde há perdão dessas coisas, não há mais necessidade de oferta pelo pecado." Versículo 19: "Portanto (oun), irmãos, temos plena liberdade para entrar no Lugar Santíssimo pelo sangue de Jesus..." Versículo 20: "...pelo caminho novo e vivo que ele nos abriu..." Versículo 22: "Aproximemo-nos com coração sincero e plena certeza de fé, com o coração aspergido e limpo de má consciência..."

O oun ("portanto") no versículo 19 é a peça decisiva. Ele conecta diretamente as promessas da Nova Aliança nos versículos 16–17 aos benefícios presentes para "nós" nos versículos 19–22. A cadeia lógica do autor é: (1) A Nova Aliança promete o perdão dos pecados (vv. 16–17, citando Jeremias 31). (2) Onde há esse perdão, não há mais necessidade de oferta pelo pecado (v. 18). (3) Portanto (oun) — temos acesso ao Santo dos Santos (v. 19). (4) Aproximemo-nos — uma exortação presente, a nós (v. 22).

Note o que o autor não diz. Ele não diz: "Portanto, pelo sacerdócio de Cristo independentemente da Nova Aliança, temos acesso." Ele diz: a Nova Aliança promete o perdão → portanto, temos acesso. Os benefícios presentes derivam das promessas da Nova Aliança, não de outra fonte. O "portanto" não permite a separação que Cone propõe. Se a Nova Aliança não guarda relação com os leitores, a cadeia inferencial se rompe e o "portanto" perde seu antecedente.

E observe algo ainda mais notável: o pacto é feito com "eles" (v. 16, citando Jeremias), mas os benefícios são aplicados a "nós" (vv. 15, 19–22). O autor de Hebreus realiza exatamente a transição que a posição de Cone afirma não poder acontecer agora: ele toma as promessas da Nova Aliança feitas a Israel e as aplica à comunidade cristã presente como realidade atual, não futura. A mudança de pronome reflete o fato de que o autor está citando um texto veterotestamentário dirigido a Israel; isso não significa que ele considere os benefícios do pacto inaplicáveis ao seu público. Pelo contrário, o "portanto" do versículo 19 sela a aplicação.

O Sacerdócio de Cristo Não Pode Operar em um Vácuo Pactual

O problema central da posição de Cone torna-se evidente aqui: ela tenta fazer o sacerdócio de Cristo operar em um vácuo pactual — como se Cristo pudesse ser sumo sacerdote segundo a ordem de Melquisedeque, exercer um ministério celestial, oferecer um sacrifício eficaz e aplicar benefícios reais à Igreja, tudo isso sem que o pacto que fundamenta, define e autoriza esse ministério esteja em vigor. Mas Hebreus vincula sacerdócio e pacto de forma inseparável. O sacerdócio mudou e, portanto, a lei necessariamente mudou (7:12). Cristo agora tem um ministério mais excelente como mediador de um pacto superior (8:6) — a superioridade do ministério é definida pela superioridade do pacto. A morte do testador põe o pacto em vigor (9:16–17) — e Cristo já morreu. O Espírito nos dá testemunho das promessas da Nova Aliança (10:15), e portanto temos acesso presente (10:19–22).

Não há como acessar os benefícios do sacerdócio de Cristo sem o pacto que o sustenta. São dois lados da mesma moeda. O próprio Cone reconhece que "inseparável de seu papel como Mediador do pacto, ele é sacerdote segundo a ordem de Melquisedeque", mas ainda assim tenta dar à Igreja os benefícios do sacerdócio enquanto lhe nega qualquer relação com o pacto. Hebreus não permite essa separação. O "portanto" de 10:19 sela a unidade entre sacerdócio, pacto e aplicação presente à Igreja.

A Participação da Igreja Não Apaga Israel

Uma das preocupações recorrentes de Cone é que qualquer linguagem de participação vai borrar a distinção entre Israel e a Igreja. Mas isso só se segue se participação significar substituição, redefinição ou esgotamento — e não precisa significar nenhuma dessas coisas.

Romanos 11 oferece um quadro concreto de participação sem substituição. Os gentios são enxertados na oliveira. Ser enxertado não é ficar do lado de fora da árvore recebendo frutos atirados por cima de um muro — é ser inserido no organismo e compartilhar da seiva e do sustento. No entanto, os ramos enxertados não substituem a raiz; delas dependem (Rm. 11:18). A estrutura de Cone exige que os crentes gentios estejam organicamente conectados à árvore e, ainda assim, não tenham parte alguma na vida pactual que flui por ela. Essa é uma distinção sem diferença.

A formulação mais adequada é mais simples: a Nova Aliança é feita com Israel, será cumprida com Israel e já é a fonte das bênçãos presentes desfrutadas pela Igreja por meio de Cristo. A Igreja não se torna Israel. A Igreja não cumpre o pacto no lugar de Israel. A Igreja não esgota as promessas do pacto. Mas tampouco a Igreja é alheia ao pacto cujo Mediador ela já conhece, cujo sangue ela proclama e cujas bênçãos ela já experimenta.

Isso não é uma posição de compromisso. É a harmonização de todos os dados.

Conclusão: Participação Sem Deslocamento

Nenhum dos argumentos acima implica que a Igreja seja a parceira pactual original — Israel o é, e os pactos encontrarão seu cumprimento completo com Israel. Tampouco isso significa que a Igreja se tornou o novo referente ou a verdadeira parceira pactual de Jeremias 31. Jeremias 31 continua significando o que sempre significou. O que isso significa é que agora, por meio de Cristo, a Igreja é co-herdeira e co-participante dos pactos da promessa (Ef. 3:6). A Igreja participa sem deslocar.

Cone enquadra a questão como um dilema binário: ou a Igreja é totalmente alheia à Nova Aliança, ou é necessário abandonar a hermenêutica literal-gramatical-histórica. Mas isso é um falso dilema. O próprio Novo Testamento — lido em seu sentido literal-gramatical-histórico — apresenta a Igreja como participante das realidades da Nova Aliança por meio da união com o Mediador que a ratificou.

Ironicamente, é a posição de Cone que exige o maior esforço hermenêutico. Para sustentar a visão Pacto Único / Somente Israel (SCIO), é necessário: redefinir diakonos para significar algo que ele nunca significa no NT; separar o sangue de Cristo do pacto que ele sela, contrariando as próprias palavras de instituição de Cristo; atribuir ao Pacto Abraâmico bênçãos que o AT desenvolve exclusivamente sob a estrutura da Nova Aliança; exigir a presença nominal de "Nova Aliança" em textos do NT, enquanto se aceita sua ausência em textos do AT como Ezequiel 36; tornar "aproximados dos pactos da promessa" uma designação vazia; e romper a cadeia inferencial de Hebreus 10:15–22, onde o "portanto" do versículo 19 deriva o acesso presente das promessas da Nova Aliança. Cada um desses movimentos, tomado individualmente, é questionável. Tomados em conjunto, representam um afastamento sistemático do texto com o objetivo de preservar um compromisso teológico — exatamente o que Cone acusa outros de fazer.

A ironia é marcante: ao tentar defender o lugar de Israel, a posição SCIO estreita o próprio propósito para o qual Israel foi escolhido. Israel nunca foi chamado a ser uma barreira que retém a bênção dentro de si mesmo, mas um canal por meio do qual a bênção flui para as nações — um fluxo que atinge seu ápice no Messias.

Christopher Cone tem razão em resistir a qualquer teologia que dissolva Israel na Igreja. Tem razão ao afirmar que a Nova Aliança permanece o pacto de Israel e que seu cumprimento pleno ainda é futuro. Mas quando insiste em que a Igreja não tem absolutamente nenhuma participação pactual, ele supercorrige e cria um novo desequilíbrio.

O quadro bíblico é mais rico do que a estrutura SCIO de Cone permite. A Nova Aliança não é um pacto da Igreja. Não é um segundo pacto. Não se esgota na era presente. Mas tampouco está vedada à Igreja, como se a Igreja pudesse conhecer o Mediador e permanecer inalcançada pelo pacto que ele media.

A leitura mais adequada preserva ambas as verdades simultaneamente: a Nova Aliança pertence a Israel em sua promessa original e em seu cumprimento futuro, e a Igreja já compartilha de suas bênçãos por meio do mistério agora revelado em Cristo. Isso não é incoerência. É o quadro bíblico completo.

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Autor

Leonardo A. Costa

Pesquisador e escritor que explora o dispensacionalismo a partir de uma perspectiva progressiva, com profunda apreciação pelo legado da tradição.

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