Ed Hindson é claramente um dispensacionalista tradicional, mas defende algumas posições surpreendentemente não convencionais a respeito do Reino. Nesse tema, sua perspectiva é, sem dúvida, mais "progressiva" do que a minha — e até mesmo do que a de Saucy.
Nas notas de Hindson sobre Mateus no KJB Commentary, bem como em sua obra mais recente Twenty-First Century Biblical Commentary Series [Série de Comentários Bíblicos para o Século XXI], ele apresenta uma leitura singular do Dispensacionalismo Tradicional (DT). Veja o que ele escreve:
"Portanto, anunciou-se agora um intervalo entre a aparição original do Messias e Seu retorno definitivo. Esse intervalo é a Era da Igreja, durante a qual os crentes são cidadãos do reino que está 'no meio de vocês' (Lc 17.21). A distinção entre a Igreja e o reino não está em um ser mais espiritual do que o outro. A Igreja é a forma presente (realizada) do Reino de Deus. O reino milenial, que há de vir no futuro (Ap 20.4), é outra forma transitória do reino, que por fim será entregue ao Pai para ser o reino eterno de Deus (Ap 21)."
Observe a afirmação: "A Igreja é a forma presente (realizada) do Reino de Deus." Hindson também sustenta que, nessa era, "um núcleo espiritual é desenvolvido para o estabelecimento do reinado messiânico." Isso se assemelha ao que Darrell Bock descreveu — a ideia de que a Igreja funciona como uma espécie de "prévia antecipada" do Reino.
Em outra passagem do mesmo comentário, Hindson escreve:
"A mensagem não deve mais se restringir à casa de Israel, mas ser proclamada a todos os povos. A palavra do reino é a proclamação evangélica de Jesus, o Rei, e não pode ser limitada a uma mensagem exclusivamente judaica do Antigo Testamento. Lembre-se: essas parábolas deixam claro que a Igreja é a forma contemporânea do reino."
Nem mesmo Saucy, em seus dias mais progressivos, chega a expressar algo assim. Ao comentar Mateus 21.43, Hindson escreve:
"O aviso 'o reino de Deus lhes será tirado' (Mt 21.43) foi cumprido no Pentecostes, quando o 'reino' foi transferido mediatoriamente para a Igreja (cf. Rm 9–11, que promete claramente a restauração de Israel no tempo da Grande Tribulação e do reino milenial)."
Até mesmo Saucy e Vlach rejeitaram essa interpretação de Mateus 21.43, considerando-a progressiva demais.
A Twenty-First Century Biblical Commentary Series lista Mal Couch como editor — um dispensacionalista tradicional convicto, com uma visão bastante tradicional do Reino. É curioso que ele tenha aceitado a contribuição de Ed Hindson mesmo sem concordar com ela.
Encontrei vários outros autores que endossam uma compreensão progressiva do Reino sem advogar o Dispensacionalismo Progressivo (DP) — Tom Constable é um exemplo. Pretendo incluir todo esse material no meu próximo livro.
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Autor
Leonardo A. Costa
Pesquisador e escritor que explora o dispensacionalismo a partir de uma perspectiva progressiva, com profunda apreciação pelo legado da tradição.
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