O Reducionismo do Dispensacionalismo Tradicional

Por que as categorias de Reino, pacto e milênio são frequentemente tratadas de forma muito estreita

DispensacionalismoLeonardo A. Costa6 min de leitura

Tenho observado um certo condicionamento e uma tendência reducionista entre a maioria dos dispensacionalistas tradicionais (DTs) — não todos. Toda vez que falo sobre o Reino de Deus e seus aspectos espirituais presentes, a maioria dos DTs — especialmente aqueles que não vêm da linhagem de McClain e Pentecost — manifesta as seguintes tendências reducionistas:

1. Reino de Deus = Israel

Essa tendência limita o Reino exclusivamente a Israel. Para quem adota essa visão, o Reino foi prometido a Israel e para Israel; consequentemente, a Igreja não participa de nenhum de seus benefícios. O argumento é que o Reino prometido no AT é inteiramente israelita e que a Igreja não tem nada a ver com ele, pois a Igreja é um mistério revelado somente no NT, enquanto o Reino foi revelado no AT.

Afirmam que Jesus em Mateus 13 não vincula o Reino à Igreja. Para excluir a Igreja das promessas do Reino, a maioria dos DTs argumenta que o Reino em Mateus 13 nem sequer é o mesmo prometido no AT; sugerem que Jesus teria alterado seu sentido para uma "forma misteriosa" do Reino, em vez de revelar mistérios acerca do mesmo Reino. Curiosamente, ignoram que a Igreja reinará com Cristo no Reino Milenial. Como observam McClain e Pentecost, o projeto do Reino começa em Gênesis 1, e não com Davi ou Abraão.

2. Reino de Deus = Pacto Davídico

Esta é uma segunda tendência: quando argumento que aspectos espirituais do Reino — como o Espírito habitando no crente e a regeneração — estão presentes hoje, a resposta costuma ser: "O Reino Davídico não está presente." Essa expressão revela que a pessoa acredita que o Reino prometido está inteiramente contido no Pacto Davídico — um reducionismo flagrante.

O projeto do Reino abrange muito mais do que o Pacto Davídico, que se concentra principalmente nos aspectos administrativos e políticos (a linhagem do Rei). Há muitos outros elementos espirituais do Reino em Isaías, e a própria Nova Aliança faz parte do Reino. Além disso, o Pacto Abraâmico já contém elementos relacionados ao Reino. Esse reducionismo impede que a maioria dos DTs perceba que os benefícios presentes da Nova Aliança fazem parte da essência do Reino, e não algo alheio a ele. Também discordo dos Dispensacionalistas Progressivos (DPs) neste ponto: creio que os aspectos presentes hoje estão vinculados à Nova Aliança, e não ao Pacto Davídico (Jesus no Trono de Davi).

3. A Hermenêutica do "Tudo ou Nada"

Identifiquei ainda outra tendência, que chamarei de hermenêutica do "tudo ou nada": a ideia de que, para um Reino ser "presente", todos os seus aspectos precisam estar presentes simultaneamente — caso contrário, nada do Reino está presente. Essa mentalidade de "tudo ou nada" é estranhamente aplicada apenas ao Reino; a maioria dos DTs aceita que alguns aspectos da Nova Aliança são presentes enquanto outros são futuros, mas recusa essa mesma nuance quando se trata do Reino. É evidente que Jesus não praticou essa hermenêutica do "tudo ou nada" (Lucas 4.17-21).

4. Reducionismo Político

A maioria dos DTs também incorre em reducionismo político. Argumentam que nenhum aspecto do Reino está presente porque o Reino é primariamente político. Como não vemos Jesus sentado politicamente num trono em Jerusalém governando Israel e o mundo hoje, concluem que nenhum aspecto do Reino prometido está presente. Isso ignora o fato de que os benefícios da própria Nova Aliança já estão em operação.

5. Nova Aliança ≠ Reino de Deus

Ligada ao ponto anterior está a visão de que a Nova Aliança contém elementos necessários para entrar no Reino, mas não faz parte do próprio Reino prometido. Esse é mais um fruto do reducionismo. Embora as bênçãos da Nova Aliança sejam de fato pré-requisitos para entrar no Reino (João 3.3), elas também são bênçãos que emanam do Programa do Reino prometido.

6. Reino de Deus = Milênio

Certa vez afirmei que há aspectos presentes do Reino, e alguém me respondeu: "Não estamos no Milênio. O Milênio ainda não chegou." O estranho é que eu jamais disse que estamos no Milênio. Sou pré-milenista. Mas isso acontece em razão de mais um reducionismo sustentado pela maioria dos teólogos dispensacionais. Esse reducionismo não ocorre apenas em relação aos aspectos presentes, mas também aos futuros. Para eles, o Reino de Deus se esgota no Milênio. Sim, o Reino que a Bíblia declara ser ETERNO é reduzido ao Milênio — ideia de Ryrie, para quem a filosofia da história culmina no Milênio. O Estado Eterno é também uma fase do Reino Eterno prometido no AT.

7. Programa do Reino vs. Manifestação do Reino

Esta é talvez a questão mais séria e a que mais dificulta o diálogo. Creio que até mesmo McClain, Pentecost e Vlach — a linhagem que sigo — não captaram plenamente essa implicação. Quando falo dos aspectos presentes do Reino dentro da minha teologia, estou me referindo aos aspectos presentes do Programa do Reino que começou em Gênesis e se estende até hoje. Não estou me referindo à manifestação física e política do Reino. Portanto, a Nova Aliança faz parte do Programa do Reino (e não da manifestação do Reino) iniciado em Gênesis 1? Sim, faz. Consequentemente, desfrutamos hoje de benefícios presentes desse Programa do Reino. Essa é a implicação da teologia de McClain, Pentecost e Vlach.

Na teologia de McClain, Pentecost e Vlach, o Reino serve como categoria abrangente — o tema unificador das Escrituras. Portanto, o projeto da Nova Aliança é parte integrante do Programa do Reino. Se os benefícios da Nova Aliança estão presentes hoje, segue-se por implicação que esses são benefícios já ativos do Programa do Reino.

Conclusão

Portanto, o que chamo de "Reino Presente" hoje é simples: os benefícios da Nova Aliança. Ao contrário de alguns DPs que falam de benefícios davídicos presentes (como Jesus no Trono Davídico), refiro-me exclusivamente à Nova Aliança. Somente quando alguém me convencer de que a Nova Aliança não faz parte do Programa do Reino que começou em Gênesis 1 é que deixarei de afirmar que o Reino de Deus já possui aspectos presentes.

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Autor

Leonardo A. Costa

Pesquisador e escritor que explora o dispensacionalismo a partir de uma perspectiva progressiva, com profunda apreciação pelo legado da tradição.

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