Por todo o tempo em que estudei teologia com seriedade, considerei-me dispensacionalista. Comecei, porém, firmemente no campo tradicional, moldado por McClain, Walvoord, Ryrie, Pentecost, Thomas Ice e outros de convicção semelhante. Meu contato com o Dispensacionalismo Progressivo (DP) veio apenas pelo viés crítico desses autores tradicionais, que tendiam a caricaturar o sistema e apresentá-lo sob uma luz desfavoravelmente distorcida. Não li nenhuma da literatura primária do DP; a impressão negativa que herdei foi suficiente para me dissuadir. Afinal, Ryrie me havia assegurado que o DP mal poderia ser chamado de dispensacionalismo.
A Porta Inesperada: O Estado Eterno
Minha aproximação ao DP veio, ironicamente, por uma porta inesperada. Ainda como dispensacionalista tradicional, fui absorvido pela questão do estado eterno — como o céu e a nova criação seriam de fato. Diante de duas concepções concorrentes — o céu como um reino etéreo, incorpóreo e totalmente descontínuo com a existência presente, e o céu como a renovação e consumação da ordem criada — vi-me decididamente atraído pela segunda. Heaven [Céu], de Randy Alcorn, foi particularmente formativo nesse período. Muito antes de ter lido uma única página da literatura do DP, e inteiramente com base em reflexão bíblico-teológica, eu já havia concluído que deveria haver continuidade substancial entre o reino milenial e o estado eterno. Essa convicção estava firmemente estabelecida em minha mente.
Vlach e Blaising: O Modelo da Nova Criação
A porta de entrada efetiva para o DP foi, curiosamente, o blog do Dr. Michael Vlach. Entre os muitos excelentes textos que ele havia publicado ali, deparei-me com um que descrevia o que ele chamava de "Modelo da Nova Criação". Lê-lo foi, na prática, reconhecer minhas próprias convicções — articuladas com mais clareza do que eu mesmo havia conseguido articulá-las. Naquele artigo, Vlach recomendava a contribuição de Craig A. Blaising em Three Views on the Millennium and Beyond [Três Visões sobre o Milênio e Além], e assim li meu primeiro texto de erudição propriamente do DP. O ensaio de Blaising foi uma revelação. Ele forneceu uma subestrutura teológica robusta para a escatologia holística e afirmadora da criação que eu havia estado buscando a tateios, ancorando minhas intuições em uma estrutura bíblico-teológica coerente. Eu já havia abraçado a redenção holística e a continuidade entre o milênio e o estado eterno; o que Blaising forneceu foi a arquitetura que os sustentava. A partir daí, a inferência foi natural: se o DP se mostrava tão esclarecedor numa questão que eu já havia trabalhado de forma independente, merecia ser levado a sério nas demais. Comecei, finalmente, a ler o DP em seus próprios termos.
Saucy: Remodelando a Eclesiologia e a Obra do Espírito
A transição foi, naturalmente, gradual e não repentina — uma questão de leitura paciente e não de conversão da noite para o dia. Se Blaising me introduziu ao Modelo da Nova Criação e aprofundou minha compreensão da redenção holística (com Vlach como o limiar), foi Robert Saucy quem remodelou minha eclesiologia e minha compreensão da obra do Espírito. Saucy me convenceu de que o batismo do Espírito não é um fenômeno exclusivo da era presente, e reformulou para mim as categorias de "o povo de Deus" e da Igreja como a comunidade da Nova Aliança.
Bock: A Peça Final sobre o Reino
A transição mais lenta envolveu o Reino de Deus. Nesse ponto, eu me considerava um intermediário — um "dispensacionalista revisado" no sentido em que Vlach usa o termo (ou "integrativo", como eu costumava chamar). Vlach e McClain ainda exerciam influência significativa em meu pensamento nessa área e, apesar dos passos que já havia dado, continuava resistindo a qualquer leitura robustamente no tempo presente do Reino. Foi Darrell Bock quem decisivamente rompeu essa última resistência. Seu argumento de que as bênçãos salvíficas que presentemente recebemos do Cristo exaltado — a presença interior do Espírito, o perdão e demais bênçãos — não são meramente bênçãos da Nova Aliança, mas especificamente bênçãos do Reino, deu-me a chave conceitual que me faltava. Eu já havia aceitado essas como benefícios da Nova Aliança; o que Bock demonstrou foi que, pela própria lógica dos textos, elas não podem ser separadas do próprio Reino.
Uma vez que enxerguei isso, não pude deixar de enxergá-lo. Voltando a McClain, observei uma tensão interna marcante. No capítulo 18 de The Greatness of the Kingdom [A Grandeza do Reino], quando McClain trata das bênçãos salvíficas em sua antecipação no Antigo Testamento, ele as identifica diretamente como bênçãos do Reino. No entanto, quando se volta para a dispensação presente, reconhece que essas mesmas bênçãos estão agora, de fato, sendo dispensadas — mas abruptamente recusa-se a chamá-las de bênçãos do Reino, ainda que esses mesmos benefícios tenham sido chamados de bênçãos do Reino em seu tratamento do Antigo Testamento.
O mesmo padrão reaparece em George N. H. Peters e, mais recentemente, em Vlach. As bênçãos são tratadas como bênçãos do Reino nas predições do Antigo Testamento. Mais adiante, reconhece-se que elas estão presentes, mas de alguma forma a conexão com o Reino se perde no que diz respeito às bênçãos presentes. Assim, seguindo Bock, compreendi que uma bênção não pode ser uma bênção do Reino na promessa e deixar de sê-lo na entrega — menos ainda quando o Doador é o próprio Rei Messiânico entronizado, dispensando aquelas mesmas bênçãos para as quais o Pai O exaltou.
Conclusão
Com essa peça final no lugar, minha transição do Dispensacionalismo Tradicional para o Dispensacionalismo Progressivo estava completa. Os quatro autores mais responsáveis por ela, na ordem em que me moldaram, foram Vlach, Blaising, Saucy e Bock.
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Autor
Leonardo A. Costa
Pesquisador e escritor que explora o dispensacionalismo sob uma perspectiva progressiva, com profunda apreciação pelo legado dessa tradição.
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