Curiosidades no Número 9 do JBTS sobre Dispensacionalismo

Como os rótulos DT e DP se dissolvem quando os autores cruzam as fronteiras sobre o Reino e o sensus plenior

DispensacionalismoLeonardo A. Costa5 min de leitura

O número 9 do JBTS contém algumas curiosidades que merecem registro. Cada autor dispensacionalista defende sua própria posição e tradição e se identifica com um rótulo: DT ou DP. Os artigos são bem escritos e apresentam seus pontos de vista com honestidade. O que chamou minha atenção é que algumas linhas de pensamento incomuns — em certos pontos, não em todos — vieram de autores que eu não esperava.

Vlach e Dunham sobre o Reino

A peculiaridade mais interessante envolve Vlach e Dunham. Vlach escreve a partir da posição progressiva e Dunham a partir da posição tradicional. Por padrão, esperaríamos que o lado progressivo sustentasse que o Reino de Deus — ou pelo menos alguns de seus benefícios — está presente na dispensação atual, e que o lado tradicional argumentasse que o Reino foi adiado e ainda não está presente. O que encontramos, porém, é precisamente o oposto. Dunham é o autor que sustenta que o Reino de Deus está presente em um sentido específico, com Cristo reinando como rei sacral melquisedequeano. Do outro lado, a posição de Vlach é bem conhecida desde seu livro He Will Reign Forever [Ele Reinará Para Sempre]: o Reino foi adiado e não está presente em nenhum sentido.

Dunham, o DT, chega até a elogiar a escatologia inaugurada, chamando-a de um dos "insights mais fecundos do século XX" na teologia — algo que, em meus vinte anos como dispensacionalista, jamais havia visto qualquer DT dizer. Ele vai além e cita Ladd nesse ponto, o que é bastante excêntrico: "Aqui argumento, em consonância com uma preocupação central de Ladd e dos dispensacionalistas progressivos, que o NT vincula o Reino à era da Igreja atual sob as premissas da escatologia inaugurada."

Fazio, Bock, Vlach e Snoeberger sobre o Sensus Plenior

Outra peculiaridade emerge quando comparamos James Fazio com Bock, Vlach e Snoeberger. O artigo de Fazio tem como objetivo definir o DT, e sua definição é justa. Mas há um ponto que se encaixa no padrão de excentricidade que estou descrevendo. Enquanto Snoeberger, também um DT, critica qualquer forma de sensus plenior na mesma revista, Fazio segue o caminho oposto e afirma o sensus plenior — e o faz em linguagem que se sobrepõe parcialmente à hermenêutica complementar de Bock, que também contribui para o mesmo número: "Isso não significa que um texto não possa ter um significado expandido ou mais pleno, ou o que os hermeneutas têm chamado de sensus plenior. De fato, um texto pode ter um significado expandido, mas não pode violar o significado original" (Fazio).

Sua afirmação de que "um texto pode ter um significado expandido, mas não pode violar o significado original" nada mais é do que o que Bock chamou de hermenêutica complementar — e, a rigor, vai até além disso, já que o próprio Bock não gosta da expressão sensus plenior. Snoeberger, por sua vez, se opõe a qualquer forma de sensus plenior e propõe um método "originalista", restringindo o significado de um texto ao que foi "intencionado pelo autor original e aceito pelos leitores originais". O sensus plenior que Fazio defende, porém, vai além da definição de Snoeberger: ele permite que "um texto possa ter um significado expandido, desde que não viole o significado original."

E como se as excentricidades já não fossem suficientes, Fazio define a hermenêutica do DT como consistente e afirma que o DT rejeita a hermenêutica complementar do DP — sem perceber que sua própria visão do sensus plenior é, ela mesma, uma hermenêutica complementar acrescida de sensus plenior. As excentricidades ainda não param por aí: Vlach, que representa o DP, tampouco defende a hermenêutica complementar. Escrevendo como DP, Vlach afirma: "O Dispensacionalismo Progressivo, às vezes, é associado ao conceito de 'hermenêutica complementar', segundo o qual Deus pode fazer mais do que prometeu em determinado texto, mas não fará menos. Assim, poderiam existir significados e implicações além do significado original de um texto. Esse conceito tem sido debatido dentro do dispensacionalismo, e não é minha posição." Portanto, Vlach, embora seja um DP, diz que essa não é a sua posição. E curiosamente, a definição de HC que Vlach apresenta — de que poderiam existir "significados e implicações além do significado original de um texto" — é essencialmente a mesma coisa que Fazio afirma ao dizer que "um texto pode ter um significado expandido, mas não pode violar o significado original."

Rótulos São Úteis, mas Não São Definitivos

No final, portanto, os rótulos são importantes e úteis, mas não são definitivos. Como na política, em que "esquerda" e "direita" organizam um espectro real, mas apagam as diferenças internas. Os exemplos acima mostram que o mapa pode enganar: um DT citando Ladd e abraçando a escatologia inaugurada, um DP rejeitando a hermenêutica complementar, dois DTs no mesmo periódico em lados opostos da questão do sensus plenior. A excentricidade não está nos próprios autores, mas na expectativa de que o rótulo deva determinar a posição. Quem quiser compreender o debate de forma adequada precisará fazer mais do que identificar o rótulo — precisará perguntar quais questões específicas cada autor está respondendo, e como.

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Autor

Leonardo A. Costa

Pesquisador e escritor que explora o dispensacionalismo a partir de uma perspectiva progressiva, com profunda apreciação pelo legado da tradição.

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