A Marca da Besta e 666

Um estudo futurista de fôlego sobre Apocalipse 13, o Anticristo, 666, e por que as tecnologias atuais não são a marca

Profecia BíblicaLeonardo A. Costa56 min de leitura

Capa do livro O que é a Marca da Besta

Sumário

Prefácio

Muitos homens poderosos deixaram sua marca nas páginas da história: políticos, imperadores, ditadores, generais e tantos outros que, por meio de guerras, conspirações e violência, conquistaram fama, poder imenso e riqueza. Entre eles podemos mencionar Nabucodonosor, Alexandre o Grande, Napoleão Bonaparte, Nero César, Hitler e Stalin.

No entanto, apesar de todo o poder e da fama que esses homens alcançaram em sua época, a Bíblia ensina que um governante de autoridade e crueldade ainda maiores ainda há de surgir na terra — alguém cujo domínio se estenderá até os seus confins.

A Bíblia chama essa figura futura de Anticristo. Ao tornar-se um governante mundial, ele proclamará a si mesmo como Deus (2 Ts 2:4), exigindo adoração de toda a humanidade (Ap 13:12, 14-15). Os que habitarem a terra naquele tempo e se recusarem a adorar o Anticristo serão tratados como traidores e rebeldes e, por isso, serão severamente perseguidos por seu governo.

É nesse momento da história que aparecerá a marca que é o tema deste livro: a marca da Besta. Essa marca será o sinal visível de adoração e lealdade ao Anticristo e ao seu governo — não um mero símbolo de fidelidade, mas o ato público pelo qual cada pessoa na terra será obrigada a declarar o Anticristo como seu deus. Todo aquele que se submeter à adoração desse futuro autoproclamado deus receberá sua marca na mão direita ou na testa (Ap 13:16-17).

Durante esse período, conhecido nas Escrituras como a Tribulação, os que se recusarem à marca do Anticristo enfrentarão grave perseguição. A Bíblia ensina que os que não tiverem essa marca não poderão realizar nenhuma transação financeira, seja comprando ou vendendo bens e serviços (Ap 13:17). As consequências econômicas de recusar a marca decorrem diretamente de seu propósito religioso primário: como a marca é a declaração de adoração, os que se recusarem a adorar o Anticristo serão excluídos da participação na economia que ele controla.

Por essa razão, o tema tem atraído enorme interesse. Todo dia surgem novas afirmações sobre a marca da Besta em e-mails, blogs e publicações nas redes sociais. Infelizmente, muitas dessas mensagens propagam mais desinformação do que verdade e apenas aprofundam a confusão das pessoas.

Por exemplo, no que diz respeito à identificação da marca da Besta, diversos objetos e tecnologias foram rotulados como essa marca ao longo dos últimos cinquenta anos. Há alguns anos, quando os produtos de supermercado passaram a ser vendidos com códigos de barras, muitos afirmaram que o código de barras, com suas três barras maiores no início, no meio e no fim, simbolizava o número 666 e que, portanto, seria a marca da Besta. Com base nessa desinformação, muitos cristãos zelosos pararam de comprar qualquer produto com código de barras, pois lhes disseram que fazê-lo equivaleria a aceitar a marca da Besta.

O mesmo aconteceu quando o rádio e a televisão se popularizaram: alguns pesquisadores os identificaram como a marca do Anticristo. Em consequência disso, muitos cristãos foram aconselhados a não manter esses aparelhos em seus lares, pois afirmava-se que tê-los significava aceitar a marca da Besta. Com o advento da internet, o mesmo fenômeno se repetiu. Inúmeras alegações circularam online afirmando que a própria internet era a marca da Besta e que www simbolizava o número 666 (Ap 13:18).

Com o passar do tempo, essas supostas marcas da Besta foram sendo gradualmente esquecidas. Hoje ninguém se abstém de comprar produtos com código de barras, de ter rádio ou televisão em casa, nem de usar a internet por esse motivo. A lista de candidatos, porém, continuou crescendo e se acelerando. Quando este livro foi escrito pela primeira vez, em 2015, o candidato mais proeminente era o chip implantável — impulsionado em parte por uma alegação amplamente divulgada em 2012 de que os Estados Unidos estavam prestes a exigir que todos os cidadãos recebessem um microchip em conformidade com uma legislação de saúde. Essa alegação era falsa, mas se espalhou de forma viral. A pandemia de COVID-19, em 2020, gerou uma onda inteiramente nova de anúncios sobre a marca da Besta: vacinas, passaportes de vacinação, certificados digitais de saúde e códigos QR foram todos proclamados, em diferentes momentos, como o cumprimento de Apocalipse 13. Interfaces cérebro-computador como a Neuralink, as Moedas Digitais de Bancos Centrais (CBDCs) em desenvolvimento por dezenas de governos e os sistemas nacionais de identidade digital se juntaram desde então a essa rotação. O padrão é consistente e previsível: toda grande tecnologia que toca o corpo, a identidade ou as transações financeiras torna-se, em algum canto da internet, a marca da Besta.

Esses exemplos mostram que, em pouco mais de cinquenta anos, vários objetos e tecnologias foram identificados como a marca da Besta. Uma rápida pesquisa no Google é suficiente para demonstrar quantas opiniões conflitantes existem sobre o assunto. Em meio a toda essa informação e desinformação, o objetivo deste livro é examinar o tema com cuidado à luz das Escrituras, deixando de lado o sensacionalismo e a especulação infundada, e permitindo que o próprio texto bíblico nos guie a uma compreensão sólida da marca da Besta.

Introdução

Uma marca é um sinal ou símbolo usado para representar outra coisa. A marca examinada neste livro é, portanto, um símbolo ou sinal que representa aquilo que a Bíblia chama de Besta. O primeiro passo para compreender a famosa marca da Besta é identificar a realidade que ela simboliza: a Besta. Esse é o ponto de partida para qualquer pessoa que deseje estudar o assunto, pois a visão que se tem sobre a identidade da Besta inevitavelmente influenciará a visão sobre o que é a marca da Besta.

Identificando a Besta Simbolizada pela Marca

Em Apocalipse 13, duas bestas aparecem: a primeira sobe do mar (Ap. 13:1) e a segunda sobe da terra (Ap. 13:11). De acordo com os versículos 16-18, a besta associada à marca é a primeira, aquela que sobe do mar (Ap. 13:1). Para entender o que é a marca da Besta, precisamos primeiro entender o que é a própria Besta.

A maioria dos autores cristãos concorda que essa primeira Besta, no simbolismo apocalíptico, representa o Anticristo. Discordam, porém, quanto à identidade da Besta, o Anticristo. Ao longo da história, a Besta que possui uma marca foi identificada de diferentes formas: como um reino, um sistema político, um governante do passado, um governante do presente ou um governante do futuro.

Os Reformadores, como Martin Luther e John Calvin,1 sustentavam que o papado romano representava a Besta. Essa visão é geralmente encontrada entre os intérpretes amilenistas historicistas, como John Wycliffe, John Knox, John Wesley, a Confissão de Westminster,2 Charles Spurgeon, Martin Lloyd-Jones e outros.3 Por essa razão, os autores protestantes da Reforma, bem como escritores historicistas mais recentes, tendem a explicar a marca da Besta de forma alegórica, afirmando que não se trata de uma marca literal colocada na pele. Spurgeon, por exemplo, não acreditava que essa marca seria um sinal físico literalmente colocado na mão direita ou na testa das pessoas. De acordo com sua interpretação simbólica, receber a marca na testa era uma forma alegórica de aceitar as ideias associadas ao sistema anticrístico representado pela Besta, enquanto recebê-la na mão direita significava praticar as obras pecaminosas desse sistema.4

Os adventistas do sétimo dia, que também adotam uma visão historicista, identificam a Besta de Apocalipse 13 com o sistema papal romano. Por essa razão, afirmam que a marca da Besta não será uma marca literal na pele, nem um chip implantado nas pessoas, mas sim uma marca que representa a lealdade do indivíduo ao sistema simbolizado pela Besta: o papado.5 Segundo essa visão, a Besta, isto é, o sistema papal, instituirá o domingo como dia de culto nos últimos dias; assim, o domingo seria a marca da Besta, ao passo que o sábado seria a marca de Deus.6

Um conhecido teólogo historicista moderno, William Hendriksen, acredita que a Besta no Apocalipse simboliza o poder perseguidor de Satanás contra a Igreja, atuando nas nações e por meio dos governos em todos os períodos da história. Em seu comentário sobre o Apocalipse, ele observa que no mundo antigo os escravos eram marcados, e assim a marca tornou-se um símbolo de propriedade. Receber a marca de alguém significa, portanto, pertencer a essa pessoa. No caso da Besta, receber sua marca significa alinhar-se a esse sistema anticrístico que persegue a Igreja, não receber uma marca literal na mão direita ou na testa. Segundo Hendriksen, sempre que um poder perseguidor se levanta contra a Igreja na história, tanto a Besta quanto sua marca estão presentes.7

Os estudiosos preteristas, por outro lado, argumentam que a Besta de Apocalipse 13 não é nem o papado romano nem um governante futuro, mas um governante do primeiro século. Stanley Gundry, um autor preterista, escreve: "Entendo que a besta retrata o Império Romano (o reino) em geral e o imperador Nero César (o rei) especificamente."8 Sob essa perspectiva, a marca da Besta não pode ser um chip nem qualquer outra marca pertencente ao presente ou ao futuro. Ela deve necessariamente ser uma marca relacionada ao primeiro século e ao Império Romano.

Ao contrário dos preteristas, os estudiosos futuristas acreditam que a Besta de Apocalipse 13 é uma figura futura, alguém que se tornará um governante mundial. Durante seu reinado, ao contrário de qualquer coisa que a história já tenha visto, ele obterá controle total da economia global. Para comprar ou vender, uma pessoa precisará literalmente de uma marca física na mão direita ou na testa (Ap. 13:16-17).

Deve-se notar, portanto, que a visão futurista — segundo a qual a marca será uma marca literal colocada na mão direita ou na testa — só pode estar correta se a Besta, o Anticristo, for 1) um homem e 2) um governante mundial futuro. Este livro adota a visão futurista. Portanto, antes de perguntar o que é a marca da Besta, precisamos primeiro demonstrar a partir das Escrituras que a Besta é tanto uma figura humana quanto uma figura futura.

A Besta Será um Homem

A Besta de Apocalipse 13, que sobe do mar (Ap. 13:1), é o Anticristo. O termo anticristo aparece apenas no Novo Testamento, e somente nas cartas de João (1 João 2:18, 22; 4:3; 2 João 7).9 O apóstolo usa o termo em dois sentidos distintos: um sentido geral e um sentido específico ou escatológico. No sentido geral, o termo se refere a tudo aquilo que se opõe ao ensino verdadeiro das Escrituras. Para João, qualquer pessoa que negasse uma verdade bíblica fundamental era um anticristo: "Quem é o mentiroso, senão aquele que nega que Jesus é o Cristo? Este é o anticristo — aquele que nega o Pai e o Filho" (1 João 2:22, NVI). Nesse sentido, segundo o apóstolo, já havia muitos anticristos no mundo (1 João 2:18b; veja também 2 João 7). Da mesma forma, "todo espírito que não confessa Jesus não é de Deus; este é o espírito do anticristo" (1 João 4:3, NVI). Das cinco vezes em que esse termo é usado, quatro carregam esse significado geral.10

No sentido específico ou escatológico, o Anticristo é um governante mundial futuro, como João diz: "vocês ouviram que o anticristo está para vir" (1 João 2:18a, NVI). O apóstolo escreve presumindo que seus leitores já haviam sido instruídos sobre a vinda do Anticristo ("vocês ouviram"). Ao contrário das passagens em que usa o termo de forma geral e diz que muitos anticristos já estão no mundo ("já surgiram muitos anticristos", 1 João 2:18b, NVI), nesse sentido específico o Anticristo ainda não havia aparecido no mundo ("o anticristo está para vir", 1 João 2:18a, NVI).

Comentando os versículos do Apocalipse que falam sobre a Besta, o Dr. Henry Morris afirma com razão que "...a besta não é um reino, mas um homem, e esse homem tem um nome, e seu nome tem um número."11 Essa interpretação está correta porque a Bíblia diz claramente que o número do Anticristo, 666, é o número de um homem (Ap. 13:18).12 Em outras palavras, não é apenas qualquer número — como o número de um cartão de crédito, um chip, um espírito, um sistema político ou um movimento —, mas especificamente o número de um ser humano individual. Em consonância com essa visão, Paulo chama o Anticristo de "o homem do pecado" e "o filho da perdição" (2 Ts. 2:3), indicando que ele será de fato um homem. O profeta Daniel, na profecia das setenta semanas, chama o Anticristo de "o príncipe que há de vir" (Dn. 9:26), mostrando que ele é uma pessoa, um ser humano que se tornará um governante.

Uma questão secundária debatida entre os estudiosos dispensacionalistas é se o Anticristo será judeu ou gentio. Alguns argumentam que ele deve ser de origem judaica para ser aceito por Israel como seu messias, apontando para Daniel 11:37, que afirma que "ele não dará atenção ao Deus de seus pais" — expressão que alguns interpretam como indicando uma origem judaica. Outros, porém, apontam para a imagem da Besta subindo do mar (Ap. 13:1), onde o mar, na literatura apocalíptica, representa as nações gentias (Dn. 7:3; Ap. 17:15), sugerindo uma origem gentílica. O peso das evidências bíblicas favorece a visão de que o Anticristo será gentio — especificamente associado ao sistema do império mundial gentio que remonta a Roma e aos impérios anteriores da visão de Daniel — uma vez que o "príncipe que há de vir" de Daniel 9:26 está ligado ao povo que destruiu Jerusalém em 70 d.C., a saber, os romanos.13 Seja qual for sua origem étnica precisa, as Escrituras são unânimes em afirmar que ele será um homem de capacidade excepcional, empoderado por Satanás, que ascenderá à dominação global por meio da diplomacia e, em seguida, da força.

A Besta Será uma Figura Futura

Os estudiosos preteristas do Apocalipse acreditam que Nero era a Besta, o Anticristo, e que o número 666 resulta do valor numérico das letras de seu nome quando transliterado para o hebraico (Nrwn Qsr, נרון קסר).14 Vale notar que esse cálculo não funciona em grego — o idioma em que o Apocalipse foi efetivamente escrito —, o que é uma das razões pelas quais muitos estudiosos futuristas o consideram pouco convincente. Os estudiosos historicistas também procuram uma figura histórica para identificar como o Anticristo. Por essa razão, ao longo da história muitos homens foram considerados o Anticristo: Kaiser Wilhelm II, Adolf Hitler, Benito Mussolini, Henry Kissinger, Jimmy Carter, Ronald Reagan, George H. W. Bush, Bill Clinton, George W. Bush, Mikhail Gorbachev, Mao Zedong, o rei Juan Carlos da Espanha, os Habsburgos, Saddam Hussein e David Rockefeller.15

Os teólogos futuristas, contudo, afirmam categoricamente que nenhuma figura histórica pode ser considerada o Anticristo, uma vez que as profecias bíblicas a seu respeito ainda não foram cumpridas por nenhum ser humano.

De acordo com a Bíblia, o Anticristo será adorado em todo o mundo (Ap. 13:3-4, 12), literalmente em escala global. É por isso que Paulo diz que ele se proclamará Deus (2 Ts. 2:4). Nenhuma figura na história humana que reivindicou ser Deus foi adorada pelo mundo inteiro. Nero, um antigo imperador romano, não pode ser o Anticristo porque não cumpre essa profecia, já que foi adorado apenas nas regiões sob domínio romano.16 O Dr. Mark Hitchcock também explica que Nero não exigiu que os súditos de seu império recebessem uma marca na mão direita ou na testa para comprar e vender, como o Anticristo fará (Ap. 13:16). Não existe figura histórica que, enquanto reivindicava ser Deus, tenha sido adorada mundialmente e tenha marcado seus seguidores na testa ou na mão direita.17

A Bíblia diz que o homem do pecado — o termo de Paulo para o Anticristo — será pessoalmente destruído pela vinda de Jesus (2 Ts. 2:8). Paulo está claramente falando da Segunda Vinda de Cristo à terra, que ocorrerá após a Tribulação. Portanto, nenhuma figura histórica que já tenha morrido, ou que não estará viva na Segunda Vinda de Cristo, pode possivelmente ser o Anticristo. Em Apocalipse 19:20, lemos que, no retorno de Cristo à terra durante a batalha de Armagedom, o Anticristo será pessoalmente derrotado por Cristo e, por fim, lançado vivo no lago de fogo juntamente com o Falso Profeta. É, portanto, impossível que Nero seja o Anticristo, uma vez que ele não foi destruído na Segunda Vinda de Cristo — evento que ainda não ocorreu.

Em Apocalipse 13:16-18, a Bíblia afirma que o Anticristo controlará a economia global. Sem sua marca, ninguém poderá comprar ou vender. Isso é algo que nunca foi visto na história, pois nenhum líder jamais assumiu o controle de toda a economia mundial.18

Uma consideração histórica adicional enfraquece a identificação preterista de Nero com o 666: o livro do Apocalipse foi quase certamente escrito durante o reinado do imperador Domiciano, por volta de 95 d.C. — aproximadamente três décadas após a morte de Nero em 68 d.C.19 Um aviso profético dirigido a Nero teria chegado tarde demais para ter qualquer utilidade prática. Além disso, como observa Mark Hitchcock, a interpretação de Nero tornou-se especialmente proeminente na erudição moderna a partir do século XIX.20 Os principais pais da Igreja primitiva não identificaram Nero como a solução padrão para o 666. Ireneu, por exemplo, propôs nomes gregos como Lateinos e Teitan e advertiu explicitamente contra a especulação dogmática. Algumas fontes cristãs posteriores associaram Nero a um perseguidor escatológico, mas a leitura da gematria de Nero não era a explicação patrística dominante. Essa longa ausência da interpretação cristã primitiva dominante é uma das razões pelas quais muitos escritores futuristas continuam sem se convencer por ela.

Conclui-se, portanto, que a única interpretação correta do Anticristo, a Besta, é que ele será um governante futuro.

O Fundamento Profético: Daniel 7, 9 e 11

A Besta de Apocalipse 13 não aparece sem precedente profético. O simbolismo e a realidade que ele representa estão enraizados em três passagens-chave do profeta Daniel que juntas formam o alicerce bíblico para o retrato do Anticristo. Em Daniel 7, o profeta vê quatro grandes bestas subindo do mar, representando quatro impérios mundiais sucessivos — Babilônia, Medo-Pérsia, Grécia e Roma — seguidos de uma quarta besta aterrorizante com dez chifres, da qual surge um "pequeno chifre" que profere grandes coisas e faz guerra contra os santos (Dn. 7:7-8, 21, 25). Em Daniel 9:26-27, o anjo Gabriel revela que, após a sexagésima nona semana de anos, "o príncipe que há de vir" confirmará um pacto por uma semana e o romperá na metade, provocando a "abominação da desolação". Em Daniel 11:36-45, o "rei voluntarioso" que "se exaltará e se engrandecerá acima de todo deus, e proferirá coisas espantosas contra o Deus dos deuses" fornece mais detalhes sobre o caráter blasfemo e as campanhas militares desse governante final.

A visão de João em Apocalipse 13 reúne esses três retratos danielícos em uma única figura profética. Como observa o Dr. John Walvoord, a primeira besta de Apocalipse 13 é mais bem identificada como "o 'pequeno chifre' de Daniel 7:8, 'o príncipe que há de vir' de Daniel 9:26, o rei voluntarioso de Daniel 11:36-45, e o homem do pecado, ou o iníquo, de 2 Tessalonicenses 2:3."21 A besta composta que João vê — combinando o leopardo, o urso e o leão dos quatro reinos de Daniel — revela que o império do Anticristo reunirá em si todo o poder e a brutalidade de todos os impérios mundiais gentios anteriores, enquanto as características pessoais descritas por Daniel alcançarão sua expressão máxima em um único indivíduo que dominará o mundo durante os três anos e meio finais antes do retorno de Cristo.

A Besta como Culminação do Poder Mundial Gentio

A descrição da Besta em Apocalipse 13:1-2 revela que ela não surgirá em um vácuo político, mas representará a culminação de todos os impérios mundiais gentios anteriores. Em sua visão, João descreve a Besta como tendo dez chifres e sete cabeças, com aparência de leopardo, pés de urso e boca de leão (Ap. 13:1-2). Essa descrição é diretamente extraída da visão do profeta Daniel em Daniel 7, onde quatro grandes bestas representam quatro impérios mundiais sucessivos: o leão representa a Babilônia (Dn. 7:4), o urso representa a Medo-Pérsia (Dn. 7:5), o leopardo representa a Grécia (Dn. 7:6), e uma quarta besta aterrorizante representa Roma (Dn. 7:7).

O que é notável é que a Besta de Apocalipse 13 combina as características de todos os quatro impérios em uma única figura. Como observa o Dr. John MacArthur, "Assim como a indescritível quarta besta de Daniel 7:7, que representa o Império Romano, o império final do Anticristo será uma composição dos impérios que o precederam. Ele incorporará toda a ferocidade, crueldade, rapidez e força dos outros impérios mundiais."22 O reino do Anticristo possuirá a majestade e o poder autocrático da Babilônia (a boca do leão), a vasta força militar da Medo-Pérsia (os pés do urso) e a velocidade de conquista da Grécia (o corpo do leopardo), tudo combinado em uma única entidade política.

Os dez chifres da Besta correspondem aos dez chifres da quarta besta de Daniel (Dn. 7:7, 24), que representam dez reis ou reinos que formarão uma confederação sob o domínio do Anticristo. Essa confederação — que muitos estudiosos dispensacionalistas identificam como uma forma revivida do Império Romano23 — servirá como base política a partir da qual o Anticristo estenderá seu domínio sobre toda a terra. Daniel 7:23 afirma que esse quarto reino "devorará a terra inteira, a pisará e a esmagará" (NVI).

O fato de a Besta incorporar as características de todos os impérios anteriores indica que seu reino os superará a todos em poder e alcance. O dragão, o próprio Satanás, dará à Besta "o seu poder, o seu trono e grande autoridade" (Ap. 13:2, NVI). Esse empoderamento satânico, combinado com o aparato político e militar da confederação romana revivida, permitirá ao Anticristo estabelecer o governo mais poderoso e abrangente que o mundo já viu — um governo que, por fim, exigirá que toda pessoa na terra carregue sua marca.

Um importante ponto interpretativo emerge da forma como Apocalipse 13 descreve a Besta: o texto oscila entre uma linguagem que descreve um império e uma linguagem que descreve uma pessoa individual. As sete cabeças, os dez chifres e o simbolismo animal composto apontam para uma entidade política — um reino ou confederação de reinos —, enquanto os pronomes pessoais masculinos usados ao longo da passagem, os atos pessoais de blasfêmia (Ap. 13:5-6) e a identificação de "o número de um homem" (Ap. 13:18) apontam inequivocamente para um indivíduo específico. O Dr. John Walvoord capta essa dupla realidade ao escrever que "a besta é ao mesmo tempo pessoal e, em certo sentido, o próprio império."24 O Dr. Robert L. Thomas observa ainda que o uso consistente de pronomes masculinos para se referir à Besta — um substantivo gramaticalmente neutro (thērion) em grego — é um indicador deliberado de que essa entidade é, em última análise, um rei vivo, e não meramente um sistema político abstrato.25 A Besta de Apocalipse 13 é, portanto, simultaneamente o último império mundial gentio e o governante individual que o personifica e o governa.

O Anticristo Será um Líder Mundial

O Anticristo será um governante mundial. O versículo 7 de Apocalipse 13 afirma que o Anticristo receberá autoridade sobre toda tribo, nação e povo da terra. O versículo 5 do mesmo capítulo diz que seu governo mundial durará quarenta e dois meses, isto é, três anos e meio. Como a Tribulação durará sete anos (Dn. 9:27), conclui-se que o governo do Anticristo corresponderá aos três anos e meio finais desse período. Sabemos disso porque, de acordo com Apocalipse 19, o reino do Anticristo será destruído na Segunda Vinda de Jesus à terra (2 Ts. 2:8), evento que também marcará o fim da Tribulação.

Um traço marcante de Apocalipse 13.5-7 é a repetição quádrupla do verbo grego edothē ("foi dado" ou "foi dado a ele"): a Besta "recebeu" uma boca para proferir blasfêmias (v. 5a), "recebeu" autoridade para agir durante quarenta e dois meses (v. 5b), "recebeu" poder para fazer guerra contra os santos e vencê-los (v. 7a), e "recebeu" autoridade sobre toda tribo, povo, língua e nação (v. 7b). Como explica o Dr. Robert L. Thomas, a voz passiva aqui carrega a conotação de "concedido por Deus", assim como ocorre em todo o restante do livro (cf. Ap. 6:4, 8; 7:2; 9:5).26 Isso significa que a autoridade da Besta, por mais aterrorizante que seja, opera inteiramente dentro dos limites estabelecidos pela permissão divina — assim como Satanás só pôde afligir Jó dentro dos limites fixados por Deus (Jó 1:12; 2:6). Deus permite que a Besta blasfeme e persiga por um tempo limitado, mas ainda assim a responsabilizará plenamente. A implicação pastoral é profunda: os santos que sofrem sob o reinado da Besta não estão fora da providência de Deus. Sua perseguição foi mensurada, sua duração fixada em quarenta e dois meses, e a fidelidade deles diante dela é exatamente a "perseverança e a fé dos santos" a que Apocalipse 13:10 os convoca.27

Embora o controle econômico mundial do Anticristo seja sem precedentes em seu escopo, a história oferece vários antecedentes que ilustram como governantes podem usar a coerção econômica para impor lealdade religiosa e política. Na Ásia Menor, o culto ao imperador funcionava como um teste público de fidelidade; como observou Sir William Ramsay:

"De uma forma ou de outra, todo asiático precisava se identificar de maneira aberta e visível como leal, ou seria imediatamente desqualificado de participar da vida social comum e do comércio."28

Mais tarde, durante a perseguição deciana no século III, os habitantes do império eram obrigados a oferecer sacrifício e obter um certificado chamado libellus como prova de conformidade. Aqueles que não o possuíam enfrentavam graves consequências sociais e legais. Na história mais recente, regimes totalitários como a Alemanha Nazista utilizaram sistemas de identificação para excluir judeus da vida econômica, e os Estados comunistas empregavam cartões de racionamento que podiam ser retidos de dissidentes. Esses paralelos históricos, embora limitados em escala comparados ao que a Bíblia descreve, demonstram a plausibilidade do tipo de controle econômico que o Anticristo exercerá em escala global.

O Que a Bíblia Diz sobre a Marca da Besta

Há cinco passagens bíblicas que se referem à marca da Besta, e todas elas se encontram no livro do Apocalipse (Ap. 13.16-18; 14.9-11; 16.2; 19.20; 20.4). A primeira, Apocalipse 13.16-18, oferece os detalhes mais completos sobre essa marca. Examinemos o que essas passagens nos ensinam a respeito dela.

1 – A Marca Será Posta 'Sobre' a Mão Direita ou 'Sobre' a Testa das Pessoas

Alguns teólogos futuristas afirmam que a marca será implantada nas pessoas, argumentando que essas são as duas únicas regiões do corpo humano menos propensas a rejeitar um chip implantado.

Contudo, escrevendo no início do século XX, quando a ideia de uma marca na forma de chip sequer existia no imaginário popular, Isbon Beckwith sugeriu que o sinal do Anticristo seria colocado na mão direita ou na testa precisamente por serem partes altamente visíveis do corpo, o que facilitaria a identificação dos seguidores do Anticristo.29 Alguns autores contemporâneos, seguindo a mesma linha de raciocínio, acreditam que essas duas partes do corpo foram escolhidas tanto por sua visibilidade quanto por serem locais adequados para um chip.30

Em apoio a uma segunda interpretação — que considero mais persuasiva com base no conjunto das evidências — autores futuristas observam que a melhor tradução da passagem que menciona essas partes do corpo é sobre a mão ou sobre a testa, e não, como algumas traduções apresentam, na mão direita ou na testa.

A Preposição Grega 'epi' e Sua Tradução

O Dr. Thomas explica que a marca deverá ser colocada sobre a mão direita ou sobre a testa, ponto sustentado pela preposição grega epi, que aparece antes dos substantivos mão e testa.31 Ele acrescenta que a marca será visível e que a escolha da mão direita e da testa aponta nessa direção.32 É verdade que epi pode assumir outros sentidos, mas seu significado primário e mais natural é sobre. Portanto, a menos que o contexto exija claramente outra interpretação, o sentido mais natural é que a marca da Besta será colocada sobre a pele. Isso sugere fortemente que se tratará de uma marca visível.33

Por essa razão, alguns autores futuristas rejeitam a ideia de que a marca da Besta será um chip implantado nas pessoas. O Dr. Mark Hitchcock, por exemplo, ao comentar Apocalipse 13.16, afirma que a preposição grega epi usada nesse texto — "sobre" a mão ou "sobre" a testa — se refere a algo colocado sobre a mão ou sobre a testa, e não implantado nessas partes do corpo, como seria o caso de um chip.34 O Dr. Ron Rhodes compartilha essa visão e, observando a força da preposição, faz a seguinte consideração:

"Observe que essa marca estará sobre as pessoas, não nelas (como aconteceria com algum tipo de microchip). Estará sobre a mão direita ou sobre a testa e será visível a olho nu (talvez como uma tatuagem), não escondida sob a pele. Será universalmente rejeitada pelos crentes em Deus, mas universalmente aceita por aqueles que optarem contra Deus."35

Um detalhe gramatical adicional reforça essa conclusão. No texto grego de Apocalipse 13.16, a preposição epi é empregada com dois casos gramaticais distintos: com o caso genitivo para a mão (epi tēs cheiros) e com o caso acusativo para a testa (epi to metōpon). O Dr. Robert L. Thomas observa que a construção com o genitivo enfatiza a visibilidade da marca sobre a mão (descrevendo sua localização como resultado), enquanto a construção com o acusativo enfatiza o ato de impressão sobre a testa (descrevendo a ação de aplicá-la).36 Ambos os casos apontam consistentemente para uma aplicação superficial, e não para uma implantação interna.

O Antigo Testamento oferece um suporte adicional para compreender a marca como um sinal visível e externo. Em Ezequiel 9.4, o Senhor ordena que uma marca visível seja colocada nas testas dos justos em Jerusalém: "Percorra as ruas de Jerusalém e faça uma marca na testa dos que suspiram e gemem por causa de todas as práticas detestáveis que se cometem na cidade." De modo semelhante, Isaías 44.5 fala de homens que escrevem em suas mãos "Sou do Senhor", como sinal visível de lealdade religiosa. A Lei Mosaica também utiliza a imagem de sinais colocados "na mão" e "entre os olhos" (Êx. 13.9, 16; Dt. 6.8; 11.18), apontando consistentemente para marcas visíveis e externas. Esse contexto veterotestamentário estabelece um precedente hermenêutico sólido para compreender a marca da Besta como uma marca visível colocada sobre a superfície da pele.

Tomadas em conjunto, essas linhas convergentes de evidência — o sentido mais natural de epi, a análise dos casos genitivo e acusativo, o contexto histórico do termo charagma, o argumento da visibilidade funcional e os precedentes do Antigo Testamento — sustentam com solidez a interpretação de que a marca será um sinal externo e visível, colocado sobre a superfície da pele, e não abaixo dela. É a interpretação que considero mais persuasiva, e ela é compartilhada por muitos estudiosos dispensacionais cuidadosos.

Deve-se reconhecer, porém, que epi é uma preposição flexível, capaz de assumir uma variedade de sentidos, e uma minoria de intérpretes futuristas responsáveis não considera que a evidência gramatical, por si só, seja conclusiva. Essa incerteza honesta merece ser declarada, e não encoberta. O que precisa ser enfatizado, no entanto, é que essa incerteza não altera em nada a conclusão central deste livro. Mesmo que se concedesse que epi, nesse contexto, permite uma aplicação subcutânea, a conclusão sobre qualquer tecnologia existente permaneceria absolutamente inalterada: nenhum chip ou implante pré-Arrebatamento é a marca da Besta. A razão decisiva não é gramatical, mas cronológica e teológica. A marca é a marca do Anticristo — ela não pode existir antes que ele seja revelado ao mundo, e ele não pode ser revelado antes do Arrebatamento da Igreja (2 Ts. 2.6-8). O argumento de epi, em seu ponto mais forte, estabelece como a marca mais provavelmente será. O argumento cronológico estabelece que ela ainda não pode existir, em nenhuma forma, em nenhum momento da era presente. Esse é precisamente o erro do sensacionalismo popular sobre o assunto: ele pergunta se determinada tecnologia poderia corresponder à descrição física da marca, ignorando por completo as condições teológicas e históricas — a pessoa do Anticristo, seu governo mundial, o momento específico da segunda metade da Tribulação — sem as quais nenhuma marca de qualquer espécie é possível.

Examinando o Termo Grego para "Marca" (charagma)

Com base no contexto histórico do período, o Dr. Robert L. Thomas oferece uma interpretação interessante da marca da Besta que, a meu ver, está correta:

"A marca deve ser algum tipo de marcação semelhante à que era dada a soldados, escravos e devotos de templos nos dias de João. Na Ásia Menor, os devotos de religiões pagãs tinham prazer em exibir tal tatuagem como emblema de pertencimento a determinado deus (Kiddle, Sweet). No Egito, Ptolomeu Filopator I marcou judeus que se submeteram ao registro com uma folha de hera, em reconhecimento de seu culto dionisíaco (cf. 3 Mc. 2.29).37 Esse sentido se assemelha à prática de longa data de portar sinais para anunciar lealdades religiosas (cf. Is. 44.5) (Kiddle) e segue o hábito de marcar escravos com o nome ou sinal especial de seus donos (cf. Gl. 6.17).38 Charagma ('marca') era um termo para as imagens ou nomes de imperadores nas moedas romanas, podendo, portanto, ser aplicado adequadamente ao emblema da besta colocado sobre as pessoas."39

Mark Bailey e Tom Constable, concordando com o Dr. Thomas, comentam: "A marca da besta é evidentemente uma marca semelhante a um brasão ou tatuagem, que identificará os adoradores da besta e lhes permitirá comprar e vender. Os que portam a marca da besta demonstram por ela que são seus seguidores."40

Evidências adicionais para essa compreensão provêm dos documentos em papiro do período romano, onde o termo charagma aparece com frequência em associação ao imperador. Como Tony Garland observa: "Nos papiros, charagma está sempre associado ao imperador e, por vezes, contém seu nome e efígie, bem como o ano de seu reinado. Era necessário para comprar e vender."41 Esse uso histórico é notavelmente significativo: a própria palavra grega que João escolheu para descrever a marca da Besta já era, em seu próprio tempo, um termo técnico para os selos imperiais anexados a documentos comerciais. A associação entre a marca e a capacidade de comprar e vender (Ap. 13.17) não é, portanto, uma imposição arbitrária, mas decorre naturalmente do sentido estabelecido de charagma no mundo romano do primeiro século.

2 – A Marca da Besta Será uma Imitação do Selo de Deus

No capítulo 13, a Besta que sobe do mar (Ap. 13.1) simboliza o Anticristo, que exercerá poder político sobre os habitantes da terra. A Besta que sobe da terra (Ap. 13.11) simboliza o assistente ou porta-voz do Anticristo, um líder religioso devotado a promover a adoração universal ao Anticristo.42 Essas duas figuras atuam pelo poder e pela influência do próprio Satanás, representado nos capítulos 12 e 13 pelo dragão. Temos aqui, portanto, as três principais figuras da Tribulação: Satanás, o Anticristo e o Falso Profeta.

Ao longo da história, muitos teólogos identificaram uma semelhança entre essas três figuras e as pessoas da Trindade divina.43 Por essa razão, esses estudiosos acreditam que as três figuras formam uma trindade satânica, uma imitação maligna da Trindade divina.44 Nessa trindade falsificada, Satanás imita Deus Pai, o Anticristo imita Cristo e o Falso Profeta imita o Espírito Santo.45 Observando isso, o teólogo A. W. Pink escreve:

"As passagens acima estabelecem claramente o fato de que existe uma Trindade do Mal. Ora, certamente não é preciso nenhum argumento para provar que essas três pessoas malignas se opõem e são o antítipo das três Pessoas da Divindade. O Diabo se opõe a Deus Pai — 'Vocês são do pai de vocês, o diabo', João 8.40, etc. O Anticristo se opõe a Deus Filho — o próprio nome já o indica. A terceira pessoa maligna se opõe a Deus Espírito. Sendo assim, nossa tarefa presente fica muito simplificada: trata-se apenas de observar o que é predito separadamente sobre as duas Bestas em Apocalipse 13, de modo a verificar qual delas se opõe a Cristo e qual se opõe ao Espírito Santo."46

A citação acima mostra que um grande número de comentaristas — mesmo entre os que sustentam interpretações distintas do Apocalipse — concorda nesse ponto. Essa trindade falsificada opera por meio de paralelos funcionais específicos que revelam a profundidade da imitação de Satanás. Assim como Deus Pai conferiu toda a autoridade ao Filho (Jo. 5.22; Mt. 28.18), o dragão dá "o seu poder, o seu trono e grande autoridade" à Besta (Ap. 13.2). Assim como o Espírito Santo glorifica Cristo e direciona a adoração para Ele (Jo. 16.14), o Falso Profeta direciona a adoração do mundo para a Besta (Ap. 13.12). E assim como o Espírito Santo realiza sinais que testificam a favor de Cristo (At. 2.22; Hb. 2.4), o Falso Profeta realiza grandes sinais e maravilhas em favor da Besta (Ap. 13.13-14). Como o Dr. Arnold Fruchtenbaum observa: "Assim como o Pai deu sua autoridade ao verdadeiro Filho, Satanás dará sua autoridade ao filho falsificado. Assim como o Pai é adorado por meio do verdadeiro Filho, Satanás será adorado por meio do filho falsificado."47

O papel do Falso Profeta como contraparte satânica do Espírito Santo merece ênfase especial. Assim como o Espírito Santo não busca glória para si mesmo, mas direciona toda a atenção e adoração para Cristo — "Ele me glorificará", disse Jesus a respeito do Espírito, "pois receberá do que é meu e o anunciará a vocês" (Jo. 16.14) — o Falso Profeta não busca adoração para si mesmo, mas direciona toda a adoração para a primeira Besta (Ap. 13.12). Ele exerce toda a autoridade da primeira Besta "em sua presença" (gr. enōpion autou), funcionando como um subordinado que opera sob a supervisão constante de seu superior, assim como o Espírito procede do Pai e do Filho e age em união com eles. Como A. W. Pink observa: "Assim como o Espírito Santo está aqui para glorificar a Cristo, o Falso Profeta glorificará o falso cristo" — tornando o Falso Profeta o anti-Espírito no sentido mais pleno do termo.48

O padrão de falsificação se estende à própria pessoa e obra do Anticristo em contraste com Cristo:

  • Cristo desceu dos céus (Jo. 6.38); o Anticristo sobe do mar, símbolo das nações em turbulência (Ap. 13.1).
  • Cristo se humilhou e se tornou servo (Fp. 2.7-8); o Anticristo se exalta acima de tudo o que se chama Deus (2 Ts. 2.4).
  • Cristo realizou milagres pelo poder do Espírito Santo para conduzir as pessoas à salvação; o Anticristo realizará prodígios enganosos pelo poder de Satanás para conduzir as pessoas à perdição (2 Ts. 2.9-10).
  • Cristo morreu e ressuscitou (1 Co. 15.3-4); o Anticristo receberá uma ferida mortal que será curada em uma ressurreição falsificada (Ap. 13.3).
  • Deus Pai sela o seu povo para proteção (Ap. 7.2-4); o Anticristo marca seus seguidores como sinal de posse e lealdade (Ap. 13.16-17).

Uma vez que reconhecemos esse padrão abrangente de imitação, conclui-se que a marca da Besta também será uma imitação. A Bíblia afirma que, durante a Tribulação, o Senhor Jesus marcará 144.000 judeus colocando um selo em suas testas (Ap. 7.2-8). No capítulo 14, aprendemos que o selo de Deus nas testas dos 144.000 judeus conterá os nomes de Deus Pai e de Jesus (Ap. 14.1).49 Essa marca será um sinal da proteção de Deus sobre esses 144.000 judeus, preservando-os em segurança durante aquele período sombrio.

Como falsificação de Jesus, o Anticristo também colocará uma marca em seus seguidores durante a Tribulação. Portanto, a marca da Besta será uma contrafação ou imitação da marca de Deus.50 O Dr. John MacArthur argumenta que, assim como Deus protegerá os 144.000 judeus durante a Tribulação (Ap. 7.2-3; 9.4), o Anticristo oferecerá sua própria falsa proteção àqueles que portarem sua marca.51

3 – A Marca Será o Nome da Besta ou o Número do Seu Nome

"Ela também forçou todos, pequenos e grandes, ricos e pobres, livres e escravos, a receber uma marca na mão direita ou na testa, para que ninguém pudesse comprar ou vender, a não ser que tivesse a marca, que é o nome da besta ou o número do seu nome." (Ap. 13.16-17, NVI)

A Bíblia diz que, durante o governo do Anticristo, as pessoas serão marcadas na mão direita ou na testa com o nome da Besta ou com o número do seu nome (Ap. 13.17). Isso significa que o conteúdo visível da marca poderá ser tanto o nome do Anticristo quanto o número que corresponde a esse nome.

A Marca como o Nome do Anticristo

A primeira forma possível da marca é o nome do Anticristo. Em Apocalipse 14, vemos um contraste entre o selo de Deus (v. 1), colocado nas testas dos 144.000 judeus escolhidos, e a marca da Besta (v. 11), colocada na testa ou na mão direita de seus seguidores. Como observado anteriormente, a marca da Besta é uma contrafação ou imitação do selo de Deus. Tanto o selo de Deus quanto a marca da Besta estão associados a nomes. É por isso que, no versículo 11, ao se referir à marca do Anticristo, a Bíblia a chama de "marca do seu nome" ou, em algumas traduções, "sinal do seu nome" (Ap. 14.11).

Portanto, assim como o selo de Deus porta os nomes de Deus e de Jesus Cristo escritos nas testas de seus seguidores, a marca da Besta portará o nome do Anticristo ou o número do seu nome na testa ou na mão direita de seus seguidores.

Isso fica ainda mais claro quando lemos atentamente os versículos 16 e 17 de Apocalipse 13. Algumas traduções apresentam a marca, o nome da Besta e o seu número como três opções distintas. Por exemplo, a King James Version traduz o texto desta forma: "And that no man might buy or sell, save he that had the mark, or the name of the beast, or the number of his name" (nenhum homem pudesse comprar ou vender, exceto aquele que tivesse a marca, ou o nome da besta, ou o número do seu nome) (Ap. 13.17). Contudo, a tradução preferível é a que trata o nome da Besta e seu número como os dois elementos que constituem a própria marca. O Dr. Robert L. Thomas explica que esse é o sentido correto do texto original e que, portanto, a marca deve ser compreendida como o nome da Besta ou o número do seu nome, e não como algo distinto desses dois elementos.52

Os manuscritos de Apocalipse 13.17 preservam diversas variantes textuais quanto à relação entre a marca, o nome e o número. O Codex Sinaiticus traz "a marca da besta, ou o seu nome, ou o número do seu nome", apresentando três opções separadas. O Papiro 47 traz "a marca, ou o nome da besta, ou o número", oferecendo uma disposição ligeiramente diferente. Porém, o Codex Alexandrinus — amplamente reconhecido como a testemunha mais confiável para esse versículo — traz "a marca, o nome da besta ou o número do seu nome", tratando o nome e o número como os dois elementos que constituem a própria marca. Como o Dr. Robert L. Thomas explica em suas notas textuais, "A leitura do Alexandrinus explica melhor a origem das demais" — sendo as outras variantes tentativas de copistas para esclarecer ou reorganizar uma construção que achavam difícil.53 Essa evidência manuscrita confirma que a marca não deve ser compreendida como algo separado do nome e do número da Besta, mas como consistindo precisamente de um ou do outro.

Essa interpretação também se harmoniza melhor com a informação do capítulo seguinte, onde a marca da Besta é chamada de "marca do seu nome" (Ap. 14.11). Outro ponto importante é que as expressões "marca da Besta" e "marca do seu nome" são usadas de forma intercambiável em passagens semelhantes, sugerindo que são expressões equivalentes, e não duas coisas distintas (Ap. 14.11; 16.2; 19.20; 20.4). Portanto, a marca da Besta é mais bem compreendida como o nome do Anticristo ou o número do seu nome.54

A Marca como o Número Correspondente ao Nome do Anticristo

A segunda forma possível da marca será o número que corresponde ao nome do Anticristo, exibido sobre as pessoas. Apocalipse 13.16-18 afirma que o nome do Anticristo terá um número correspondente, e que esse número será 666.55 O Dr. Arnold Fruchtenbaum demonstra que essa interpretação é a conclusão lógica extraída dos seguintes elementos:

  • O nome da Besta;
  • O número do seu nome;
  • O número da Besta;
  • O número de um homem;
  • O número é 666.56

Considerando as informações acima, extraídas do próprio texto bíblico, chegamos à conclusão lógica de que a marca da Besta não pode ser simplesmente qualquer chip contendo qualquer número, mas uma marca específica contendo dados específicos: a saber, o nome do Anticristo ou o número do seu nome.

"Seguindo essa progressão lógica, o número da Besta é também o número de um homem, porque o Anticristo será um homem que será o último governante da forma final do Quarto Império Gentio. Além disso, esse número é o número do seu próprio nome, e o valor numérico do seu nome é 666."57

De acordo com o Dr. Arnold Fruchtenbaum, essa marca "nada tem a ver com crédito, como costuma ser ensinado hoje. Em um sistema de crédito, cada pessoa precisa ter um número diferente. Neste caso, todos têm o mesmo número. O propósito da marca será servir como sinal de identificação daqueles que reconhecerão o Anticristo como seu deus. Somente os que tiverem esse número poderão trabalhar, comprar, vender ou simplesmente sobreviver. O versículo não fala de cartões de crédito, sistemas bancários, sociedade sem dinheiro físico, um sistema monetário mundial único nem de computadores, etc."58

A observação do Dr. Fruchtenbaum é pertinente: o propósito principal da marca é identificar a fidelidade ao Anticristo, e não a identificação financeira individual como nos sistemas de crédito modernos. No entanto, vale registrar que alguns comentaristas futuristas, como Tony Garland, sugeriram que a marca poderia cumprir uma função dupla — um sinal visível identificando a lealdade compartilhada à Besta, combinado com um identificador único que permitiria transações econômicas individuais.59 Embora o texto bíblico enfatize o papel da marca como sinal de adoração e lealdade, ele não exclui funções práticas adicionais no sistema econômico do Anticristo.

Sobre este ponto, podemos resumir o que foi dito até aqui com as palavras do renomado teólogo dispensacional Charles Ryrie: "O versículo 17 indica que será o nome da Besta ou o número de seu nome (v. 17). As letras gregas também representam números. O número é explicado com mais detalhes no versículo 18 como 666. Evidentemente, as pessoas serão marcadas com o número 666 ou com o nome que esses números representam."60

O Que Significa Calcular o Número do Nome da Besta?

A Bíblia diz que o número do nome da Besta é 666. Ela também diz: "O que tem entendimento, calcule o número da besta" (Ap 13.18). No versículo anterior (Ap 13.17), a Bíblia fala da marca da Besta e afirma que será o nome da Besta ou "o número do seu nome." Calcular o número da Besta é, portanto, calcular o número que corresponde ao seu nome. Isso significa que a soma do valor numérico correspondente a cada letra do nome do Anticristo totalizará 666. Como Mark Bailey e Tom Constable observam com razão, "a intercambiabilidade entre o nome da Besta e o número de seu nome sugere que o nome, escrito em letras, tem um equivalente numérico (13.18)."61

A prática de calcular o valor numérico de um nome era muito comum nos tempos bíblicos e era conhecida entre os judeus como gematria.62 Era igualmente comum entre os romanos.63 Por exemplo, uma inscrição encontrada na antiga cidade de Pompeia diz: "Eu amo aquela cujo nome é 545."64

Para entender como essa prática funcionava, é preciso lembrar que tanto no alfabeto hebraico quanto no grego cada letra carregava um valor numérico fixo — um sistema que tornava possível calcular o número de qualquer palavra ou nome somando os valores de suas letras individualmente.6566 (O sistema romano era diferente: apenas certas letras — I, V, X, L, C, D, M — funcionavam como numerais, em vez de todas as letras do alfabeto.67 Os algarismos romanos não constituem, portanto, gematria no sentido estrito, embora ilustrem a prática antiga mais ampla de usar letras para representar números.)

No alfabeto grego, que é a língua do Novo Testamento, cada letra carrega um valor numérico fixo. O sistema funciona da seguinte forma: as primeiras nove letras representam as unidades (α=1, β=2, γ=3, δ=4, ε=5, ϛ=6, ζ=7, η=8, θ=9); as nove seguintes representam as dezenas (ι=10, κ=20, λ=30, μ=40, ν=50, ξ=60, ο=70, π=80, ϟ=90); e as últimas nove representam as centenas (ρ=100, σ=200, τ=300, υ=400, φ=500, χ=600, ψ=700, ω=800, ϡ=900). Para calcular o número de um nome, basta somar o valor numérico de cada letra. É isso que João quer dizer ao escrever: "O que tem entendimento, calcule o número da besta" (Ap 13.18) — o verbo grego psēphisatō ("calcular" ou "contar") refere-se precisamente a essa prática de somar os valores das letras de um nome.

Como Calcular um Nome em Grego (Isopsefia)

Como exemplo prático, considere o nome grego Ἰησοῦς (Iēsous, "Jesus"):

LetraNomeValor
Ιiota10
ηeta8
σsigma200
οômicron70
úpsilon400
ςsigma final200
Total888

O processo é simples: escreva o nome em letras gregas, consulte o valor de cada letra na tabela acima e some-os. Os primeiros cristãos perceberam que o nome de Jesus totaliza 888 — e o consideraram um contraponto significativo ao 666 da Besta.

Como Calcular um Nome em Hebraico (Gematria)

O alfabeto hebraico funciona com o mesmo princípio. Suas vinte e duas letras carregam os seguintes valores: as primeiras nove representam as unidades (א=1, ב=2, ג=3, ד=4, ה=5, ו=6, ז=7, ח=8, ט=9); as nove seguintes representam as dezenas (י=10, כ=20, ל=30, מ=40, נ=50, ס=60, ע=70, פ=80, צ=90); e as quatro finais representam as centenas (ק=100, ר=200, ש=300, ת=400).

Como exemplo prático, considere a palavra hebraica משיח (Mashiach, "Messias"):

LetraNomeValor
מmem40
שshin300
יyod10
חchet8
Total358

O cálculo é o mesmo que no grego: escreva a palavra em letras hebraicas, consulte o valor de cada letra e some-os.

As Primeiras Tentativas de Identificar a Besta pela Gematria

A mais antiga tentativa cristã de que se tem registro de aplicar esse método a Apocalipse 13.18 foi feita por Irenaeus de Lyon no século II, em sua obra Against Heresies [Contra as Heresias] (5.30).68 Cabe notar que muitos estudiosos modernos propuseram uma solução diferente: quando o nome "Nero César" é transliterado para o hebraico (Nrwn Qsr, נרון קסר), os valores das letras também totalizam 666. Essa identificação, inicialmente defendida por estudiosos alemães no século XIX, é amplamente aceita entre comentaristas preteristas e críticos, embora — como argumentamos em outra parte desta obra — enfrente sérias objeções de ordem tanto cronológica quanto teológica. O próprio Irenaeus, escrevendo muito mais próximo dos eventos e do círculo do apóstolo João, não propôs Nero, mas ofereceu três nomes gregos cujos valores de letra totalizam 666. Seu exemplo mais notável foi ΛΑΤΕΙΝΟΣ (Lateinos, "o Latino"), que calculou da seguinte forma: Λ=30 + Α=1 + Τ=300 + Ε=5 + Ι=10 + Ν=50 + Ο=70 + Σ=200 = 666. Ele considerou essa uma solução plausível porque os latinos (romanos) eram o poder dominante de sua época e representavam o quarto reino da visão de Daniel. Ele também propôs ΤΕΙΤΑΝ (Teitan, uma variante ortográfica de "Titã"): Τ=300 + Ε=5 + Ι=10 + Τ=300 + Α=1 + Ν=50 = 666. No entanto — e isso é significativo para nosso estudo —, Irenaeus advertiu explicitamente contra fazer uma identificação definitiva. Ele escreveu que "é, portanto, mais seguro e menos arriscado aguardar o cumprimento da profecia do que fazer suposições" — um princípio que permanece tão válido hoje quanto era no século II.

De acordo com os dados bíblicos, portanto, para calcular o número da Besta (Ap 13.18) devemos somar o valor numérico correspondente a cada letra de seu nome; se o fizermos, o resultado será 666.69 Como os exemplos de Irenaeus demonstram, muitos nomes podem produzir esse total — razão exata pela qual a identificação do Anticristo precisa aguardar seu aparecimento real no cenário mundial, em vez de ser objeto de especulação prematura. Alguns estudiosos, como o Dr. Arnold Fruchtenbaum, acreditam que esse cálculo deve ser feito usando o nome do Anticristo transliterado para o hebraico.70 Outros, como Henry Morris71 e B. W. Johnson,72 acreditam que deve ser feito usando o nome do Anticristo transliterado para o grego, já que o Novo Testamento foi escrito em grego. Neste ponto, não temos informações suficientes para dizer qual das duas visões está correta, pois ambas são possíveis e nomes ocidentais podem ser facilmente transliterados para esses idiomas.73

A Variante Textual: 666 ou 616?

Embora o número 666 seja sustentado pela esmagadora maioria dos manuscritos gregos, um pequeno número de testemunhos antigos preserva uma leitura variante de 616. Destacam-se o Papiro 115 (P115, datado do final do século III ou início do século IV) e o Codex Ephraemi (século V), que trazem 616 em vez de 666. Essa variante já era conhecida no século II: o próprio Irenaeus tinha ciência de manuscritos que liam 616, mas rejeitou explicitamente essa leitura como erro de copista e afirmou que 666 é o número correto.74

A existência dessa variante pode não ser acidental. Vários estudiosos observaram que, se o nome "Nero César" for transliterado para o hebraico com o nun final (נרון קסר, Nrwn Qsr), os valores das letras totalizam 666 — mas se a forma latina "Nero César" for usada sem o nun final (נרו קסר, Nrw Qsr), o total passa a ser 616. Isso levou alguns estudiosos a sugerir que a variante 616 surgiu precisamente porque algum copista ajustou o número para corresponder à grafia latina do nome de Nero.75 Independentemente de essa teoria estar ou não correta, a evidência textual para 666 é muito mais sólida. O Dr. Robert L. Thomas conclui que a leitura 666 conta com o apoio dos "manuscritos de maior autoridade" e deve ser considerada original, enquanto a variante 616 é muito provavelmente uma alteração secundária motivada por considerações interpretativas, e não pela transmissão fiel do texto.76

4 – O Que É o Número 666?

Antes de examinar as diversas interpretações do número 666, é importante identificar a questão metodológica fundamental que divide os estudiosos: o comando de "calcular" (psēphisatō) o número da Besta (Ap 13.18) aponta para um cálculo literal de gematria — isto é, a adição aritmética dos valores numéricos das letras de um nome — ou convoca a uma discernimento espiritual mais amplo do caráter e da identidade da Besta? Alguns intérpretes, seguindo Irenaeus e a tradição antiga, tomam o comando ao pé da letra como um convite a aplicar a gematria ao nome do Anticristo quando ele aparecer (Thomas, Fruchtenbaum). Outros, particularmente os que enfatizam a dimensão simbólica dos números no Apocalipse, argumentam que "calcular" aqui significa exercer sabedoria moral em vez de realizar operações aritméticas — reconhecer a natureza da Besta como epítome da queda humana e da rebelião contra Deus. Como o Dr. Buist Fanning observa em seu comentário sobre o Apocalipse, a dimensão referencial (identificar uma pessoa específica) e a dimensão ética (discernir o caráter da Besta) "podem coexistir" — não são aspectos mutuamente exclusivos, mas complementares de um mesmo mandamento divino.77 A abordagem mais equilibrada, portanto, reconhece que o 666 funciona simultaneamente em ambos os níveis: servirá como ferramenta literal de identificação para os crentes que viverão durante a tribulação, ao mesmo tempo em que carrega um rico significado simbólico que aponta para a inadequação absoluta da Besta diante de Deus.

Como vimos, o número 666 representa o número correspondente ao nome de alguém. Ao longo da história, porém, esse número foi interpretado e aplicado de formas diferentes. Alguns estudiosos argumentaram que esse número se refere, na verdade, à duração do governo do Anticristo. Sob essa perspectiva, o "666" foi aplicado a certos impérios e regimes políticos supostamente ligados ao Anticristo, como o Império Romano, o Islã e o nazismo.78

Outros autores não enxergam qualquer relação entre esse número e eventos históricos, vendo-o apenas como um símbolo. Nessa abordagem simbólica, identificam um contraste entre o número 6, que associam ao homem, e o número 7, que associam a Deus. Nesse contraste, o número 7 simboliza a perfeição divina, ao passo que o número 6 simboliza a imperfeição humana. Alguns autores argumentam que o fato de 666 ser composto por três seises consecutivos aponta para o humanismo e até mesmo para uma trindade satânica.79

A primeira visão, de que o "666" corresponde à duração do governo do Anticristo, é evidentemente equivocada. A segunda visão, a interpretação simbólica do número, não está errada em si, já que o número de fato simboliza o homem (Ap 13.18). O equívoco dessa segunda visão está em enxergar apenas o simbolismo do número e ignorar a afirmação clara da Bíblia de que esse é especificamente o número correspondente ao nome do Anticristo (Ap 13.17; 14.11).

Dito isso, esse número tem significado simbólico, como veremos adiante, mas também representa algo concreto: o nome do Anticristo. Essa é a interpretação correta do número 666. Ainda assim, isso não é suficiente. Muitas pessoas que entendem que esse número corresponde ao nome de uma pessoa ainda o aplicaram equivocadamente a indivíduos que não são o Anticristo. Uma simples pesquisa de artigos na internet mostra estudiosos aplicando esse número a pessoas como Nero, Napoleão, Hitler, vários papas, Mussolini, Bill Gates, Barack Obama e muitas outras figuras proeminentes.

O Número 666 Foi Dado para Identificar o Anticristo

Mais adiante veremos que os que aceitarem a marca do Anticristo em seus corpos enfrentarão condenação eterna. Diante disso, Deus fornece no Apocalipse um meio para que as pessoas identifiquem o Anticristo, a fim de que não sejam enganadas e não recebam sua marca.

Um dos modos pelos quais as pessoas poderão identificar o Anticristo durante a tribulação é por meio de sua marca e do cálculo do valor numérico correspondente ao seu nome: "O que tem entendimento, calcule o número da besta, pois é número de homem. Esse número é 666." (Ap 13.18). Em seu comentário sobre o Apocalipse, o Dr. Robert L. Thomas afirma que o propósito principal desse mandamento divino — o cálculo do número da Besta — é permitir que os crentes do futuro que vivam durante a tribulação identifiquem o Anticristo.80 Isso será necessário porque a tribulação será um tempo de engano generalizado. A Bíblia afirma que o Anticristo e o Falso Profeta enganarão as pessoas por meio de sinais e prodígios realizados pelo poder de Satanás:

"E realizava grandes sinais milagrosos, até fazer fogo descer do céu à terra, à vista de todos. E por causa dos sinais que lhe foi dado fazer em presença da besta, ele enganou os habitantes da terra, dizendo-lhes que fizessem uma imagem em honra da besta que, embora ferida pela espada, revivia. Lhe foi também concedido dar vida à imagem da besta, para que ela falasse e mandasse matar todos os que se recusassem a adorá-la." (Ap 13.13-15)

Referindo-se ao Anticristo, o apóstolo Paulo diz que sua vinda será "em conformidade com a atuação de Satanás, com todo tipo de milagres, sinais e prodígios enganosos, e com toda sorte de maldade que engana os que se perdem" (2 Ts 2.9-10). Note a expressão "prodígios enganosos" em algumas traduções: o resultado desses sinais e prodígios é que muitas pessoas serão enganadas e aceitarão a marca da Besta:

"Mas a besta foi capturada, e com ela o falso profeta que havia realizado sinais miraculosos em seu nome. Com esses sinais, ele havia enganado os que receberam a marca da besta e adoraram a sua imagem. Os dois foram lançados vivos no lago de fogo que arde com enxofre." (Ap 19.20)

De acordo com o texto bíblico, os que receberem a marca da Besta serão "enganados". A marca envolve, portanto, alguma forma de engano, provocado pelos sinais realizados pelo Falso Profeta e pelo Anticristo.81

Paulo não se limita a descrever a natureza desse engano. Nos versículos seguintes, ele explica sua causa teológica: "Por isso Deus lhes envia um poder enganoso, para que acreditem na mentira, a fim de que sejam condenados todos os que não creram na verdade, mas se agradaram da injustiça" (2 Ts 2.11-12). Esta é uma dimensão solene da marca: os que a aceitarem não o farão simplesmente porque o poder de Satanás os terá subjugado. O próprio Deus os confirmará judicialmente no engano que escolheram. Os que passaram suas vidas rejeitando a verdade perderão, na tribulação, a capacidade de reconhecer o Anticristo pelo que ele realmente é. A aceitação da marca será o ápice de uma longa história de descrença deliberada, e Deus soberanamente selará essa escolha — tornando o aviso do Apocalipse ainda mais urgente para aqueles que o ouvem agora.

Diante disso, as informações sobre a marca e sobre o número 666 foram fornecidas para que as pessoas que vivam durante a tribulação tenham um meio objetivo de identificar o Anticristo calculando o valor numérico de seu nome, podendo assim recusar sua marca.

O Simbolismo do Número 666

O número 666, que aparece na marca da Besta, será um número literal colocado sobre as pessoas e corresponderá ao nome do Anticristo. Ainda assim, esse número literal também possui significado simbólico, como explica o Dr. Paul Benware: "O '666' deve ser entendido como o valor numérico do nome da besta, mas possui claramente uma significância mística."82

Dentro do simbolismo bíblico, muitos autores associam o número 6 ao homem e o número 7 a Deus. Por exemplo, na criação Deus descansou no sétimo dia; em Apocalipse 1.20, os sete candelabros de ouro representam as sete igrejas de Deus. No Apocalipse lemos também sobre os sete Espíritos de Deus, os sete selos, os sete trovões que procedem de seu trono, os sete anjos, as sete trombetas e as sete taças de sua ira.83 Isso evidencia uma associação direta entre Deus e o número 7, que representa sua perfeição e plenitude.

O número 6, por outro lado, está associado ao homem. Na criação, o homem foi criado no sexto dia. Deus estabeleceu seis dias da semana para o homem trabalhar e ordenou que o sétimo dia fosse apartado para Deus. A maioria dos teólogos que oferece uma explicação simbólica desse número acredita que o 6 representa imperfeição e incompletude, ao passo que o 7 representa a plenitude e a perfeição de Deus. Durante a tribulação, o Anticristo, embora seja um homem, reivindicará ser Deus e exigirá a adoração do mundo inteiro. No entanto, mesmo proclamando-se Deus e sendo adorado pelo mundo inteiro, ele continuará sendo apenas um homem — uma figura da trindade satânica representada pelo "666".84

Como o número 6 está ligado ao homem, podemos também sugerir que ele guarda alguma relação com o crescimento do humanismo em nossa sociedade, que atingirá seu ponto culminante sob o governo do Anticristo. Nos últimos séculos, o homem tem feito de si mesmo a medida de todas as coisas, substituindo princípios morais objetivos pela vontade humana subjetiva. Essa trajetória de autoexaltação humana — na qual o homem busca ser seu próprio deus e o padrão supremo da verdade — encontrará sua expressão mais plena no Anticristo, que literalmente se proclamará Deus e exigirá a adoração do mundo (2 Ts 2.4). Sob essa luz, alguns estudiosos viram em movimentos culturais e religiosos contemporâneos uma preparação cultural para o tipo de engano mundial que a Bíblia prevê que acompanhará a ascensão do Anticristo.

O número 666, portanto, carrega uma dupla significância que a própria Bíblia estabelece: é ao mesmo tempo um número literal que corresponderá ao nome específico de um homem específico do futuro, e um símbolo que capta a essência da identidade desse homem — o supremo pretendente humano à divindade, a encarnação da rebeldia do homem contra Deus, que fica eternamente aquém da perfeição divina representada pelo número 7. Os três seises declaram simultaneamente quem é o Anticristo (um homem cujo nome resulta em 666) e o que ele é (um simples homem que se exalta como Deus, a expressão máxima do orgulho humano).

5 – Todos os Habitantes da Terra Serão Obrigados a Receber a Marca da Besta

A Bíblia deixa claro que, quando o Anticristo estabelecer o seu governo mundial, toda pessoa na terra será obrigada a receber sua marca como ato de adoração e lealdade:

"Ele obrigava todos, pequenos e grandes, ricos e pobres, livres e escravos, a receber uma marca na mão direita ou na testa." (Ap 13.16, NVI)

O texto bíblico menciona os pequenos e os grandes, os ricos e os pobres, os livres e os escravizados, o que, segundo Gwyn Pugh, é um recurso retórico para designar a humanidade em sua totalidade.85 Em outras palavras, o Anticristo exigirá a aceitação de sua marca de todos, sem exceção. Independentemente da influência que alguém possua, da riqueza que detenha ou da classe social a que pertença, quem não aceitar a marca do Anticristo será perseguido.

Durante o reinado do Anticristo, não haverá neutralidade: a pessoa ou aceitará sua marca ou será duramente perseguida.86 Como afirma o teólogo Mark Hitchcock, o slogan da campanha política do Anticristo será bastante simples: "Aceite minha marca e me adore, ou passe fome."87 Não haverá meio-termo nem terceira opção. O Dr. Arnold Fruchtenbaum explica que quem não aceitar a marca da Besta não poderá comprar, vender, trabalhar nem sequer circular livremente em espaços públicos, os quais serão monitorados por sistemas de vigilância projetados para identificar aqueles que não possuem a marca.88

O império do Anticristo exercerá um rígido controle econômico sobre o mundo inteiro. Alimentos, roupas, medicamentos e outros itens essenciais serão escassos em uma terra devastada. Ainda assim, apenas quem portar a marca do Anticristo na mão direita ou na testa poderá obtê-los.89 A Bíblia é muito clara a esse respeito:

"…de modo que ninguém pudesse comprar ou vender sem ter a marca, que é o nome da besta ou o número desse nome." (Ap 13.17, NVI)

Seja para ir ao médico, à farmácia, ao supermercado ou a qualquer outro lugar, a marca do Anticristo será exigida; do contrário, a pessoa enfrentará perseguição.90

Essa perseguição será severa e sem precedentes em sua extensão. Em Apocalipse 13.1, o Anticristo é simbolizado por uma besta que sobe do mar. Em Daniel 7, o reino do Anticristo tem origem na quarta besta, que é igualmente um animal selvagem. Em Apocalipse 17, o Anticristo é simbolizado por uma besta sobre a qual está sentada uma mulher. O termo grego para "besta" (therion), aplicado ao Anticristo, é o mesmo utilizado para designar um animal selvagem e predatório.91 Esse termo revela algo do caráter do Anticristo, que será um ditador responsável pela morte de muitos.92 Como observa Daymond Duck, a escala de sua perseguição superará até mesmo as piores ditaduras registradas pela história.93 Por causa de sua crueldade, muitas vidas serão ceifadas durante o seu governo:

"Vi tronos e, sentados neles, aqueles a quem havia sido dada autoridade para julgar. Vi também as almas dos que foram decapitados por causa do testemunho de Jesus e por causa da palavra de Deus. Não tinham adorado a besta nem a sua imagem e não tinham recebido a marca na testa nem nas mãos. Eles voltaram à vida e reinaram com Cristo por mil anos." (Ap 20.4, NVI)

Contudo, em meio a esse quadro de perseguição, a Bíblia também traz uma mensagem de esperança para aqueles que recusarão a marca. A passagem recém-citada revela a gloriosa recompensa que os aguarda: eles "voltaram à vida e reinaram com Cristo por mil anos" (Ap 20.4). Embora percam a vida terrena, partilharão do próprio reino milenial de Cristo.

Além disso, as Escrituras mostram que Deus sempre sustentou seu povo fiel em tempos de perseguição extrema. Ele alimentou miraculosamente o profeta Elias por meio de corvos junto ao ribeiro Querite (1 Rs 17.4-6) e sustentou toda a nação de Israel no deserto por quarenta anos, de modo que suas roupas não se gastaram e seus pés não incharam (Dt 8.3-4; 29.5). Da mesma forma, durante a Tribulação, Deus cuidará providencialmente daqueles que se recusarem a se curvar ao Anticristo. Apocalipse 12.6 e 14 descrevem como Deus preparará um lugar de refúgio no deserto para a mulher (que representa o remanescente judeu), onde ela será sobrenaturalmente sustentada durante os três anos e meio finais do reinado do Anticristo — exatamente o período em que a marca será imposta. Os que recusarem a marca enfrentarão grandes dificuldades, mas não serão abandonados por Deus. O próprio Senhor Jesus, na parábola das ovelhas e dos cabritos (Mt 25.31-46), parece apontar precisamente para esse período. Vários comentaristas dispensacionais, incluindo Ron Rhodes, identificam os "menores dos meus irmãos" nessa passagem como as 144.000 testemunhas judaicas de Apocalipse 7, que proclamarão o evangelho ao longo de toda a Tribulação.94 Os gentios justos que alimentam, vestem e abrigam essas testemunhas — com grande risco pessoal, já que quem não possui a marca não pode participar legalmente da economia — demonstram por esses atos uma fé salvadora genuína. Assim, a provisão de Deus para os que recusam a marca frequentemente virá pelas mãos de outros crentes que arriscam tudo para cuidar deles. O corpo de Cristo, mesmo na sua hora mais perseguida, será um instrumento de sustento divino.

6 – Os que Aceitarem a Marca da Besta Serão Para Sempre Condenados ao Inferno

Quem aceitar a marca da Besta durante a Tribulação desfrutará de benefícios temporários e comerciais consideráveis, incluindo o direito de comprar, vender e circular "livremente" pelas ruas, conforme observado acima. Do ponto de vista espiritual, porém, os que aceitarem a marca da Besta estarão perdidos para sempre.95 Será uma escolha irreversível que selará o destino eterno de uma pessoa no inferno, como deixa claro o seguinte texto bíblico:

"Um terceiro anjo os seguiu, proclamando em alta voz: Se alguém adorar a besta e a sua imagem e receber a sua marca na testa ou na mão, também ele beberá do vinho da ira de Deus, misturado em sua força no cálice da sua ira, e será atormentado com fogo e enxofre na presença dos santos anjos e do Cordeiro." (Ap 14.9-10, NVI)

Esse solene aviso é ainda iluminado por Apocalipse 13.8, que revela uma verdade profunda a respeito daqueles que adorarão a Besta e aceitarão sua marca: "Todos os habitantes da terra a adorarão — todos aqueles cujo nome não foi escrito, desde a criação do mundo, no livro da vida do Cordeiro que foi morto." Esse versículo ensina que os que adoram a Besta e recebem sua marca são aqueles cujos nomes não foram escritos no Livro da Vida do Cordeiro. Como explica o Dr. John MacArthur, "O Livro da Vida é o registro no qual Deus inscreveu os nomes daqueles escolhidos para a salvação antes da fundação do mundo... Os crentes têm estado sob o poder guardador de Deus desde antes da criação."96 Isso oferece uma medida de conforto para os crentes: os que verdadeiramente pertencem a Deus não tomarão a marca. O verdadeiro povo de Deus, cujos nomes estão escritos no Livro da Vida, recusará a marca mesmo ao custo de suas vidas, pois reconhecerá no Anticristo o que ele realmente é — um impostor blasfemo. Em contraste, os que aceitarem a marca o farão porque sua lealdade última nunca esteve voltada para o Deus verdadeiro.

7 – O Falso Profeta Promoverá a Marca da Besta por Meio de Sinais e Prodígios

"Exercia toda a autoridade da primeira besta em seu nome e fazia a terra e seus habitantes adorarem a primeira besta, cuja ferida mortal havia sido curada. Realizava grandes sinais, a ponto de fazer fogo descer do céu à terra, diante de todos. Por meio dos sinais que lhe foi dado poder de realizar em nome da primeira besta, enganou os habitantes da terra. Ordenou-lhes que fizessem uma imagem em honra da besta que, tendo sido ferida pela espada, voltou a viver. À segunda besta foi dado poder de dar vida à imagem da primeira besta, de modo que essa imagem pudesse falar e mandar matar todos os que se recusassem a adorá-la. Além disso, ela obrigava todos, pequenos e grandes, ricos e pobres, livres e escravos, a receber uma marca na mão direita ou na testa." (Ap 13.12-16, NVI)

Esse texto apresenta o contexto em que a marca surgirá e será exigida. Para compreendê-lo adequadamente, é preciso considerar a sequência de eventos que antecede a imposição da marca. Vários acontecimentos cruciais a precedem, e entendê-los ajuda a explicar por que o mundo inteiro estará tão disposto a aceitá-la.

A Ferida Mortal e a Falsa Ressurreição da Besta

Um dos eventos mais significativos que conduz à adoração mundial do Anticristo — e, consequentemente, à imposição de sua marca — é sua aparente morte e ressurreição. Apocalipse 13.3 declara: "Uma das cabeças da besta parecia ter recebido uma ferida mortal, mas essa ferida fora curada. O mundo inteiro ficou admirado e seguiu a besta." A expressão grega utilizada aqui, hōs esphagmenēn ("como se tivesse sido morta"), é notavelmente significativa, pois a mesma expressão aparece em Apocalipse 5.6 para descrever o Cordeiro, Jesus Cristo, que parecia "ter sido morto."97 Esse paralelo verbal não é acidental. Ele revela que a aparente morte e recuperação da Besta é uma falsificação satânica deliberada da morte e ressurreição de Cristo, o evento central da fé cristã.

O Dr. Gregory H. Harris, escrevendo na Bibliotheca Sacra, observa que "se Cristo morreu de fato, então parece que esse governante também morrerá de fato. Mas sua ferida seria curada, o que só pode significar restauração à vida."98 Seja isso uma ressurreição genuína operada pelo poder de Satanás ou uma falsificação magistral que apenas parece ser uma ressurreição, o efeito sobre o mundo será o mesmo: admiração e adoração universais. Apocalipse 13.4 afirma que, ao testemunhar esse evento, os habitantes da terra adorarão o dragão (Satanás) e a Besta, dizendo: "Quem é semelhante à besta? Quem pode guerrear contra ela?"

A exclamação dos adoradores da Besta — "Quem é semelhante à besta?" — está longe de ser uma expressão aleatória de espanto. É um eco deliberado e blasfemo de uma linguagem que o Antigo Testamento reserva exclusivamente a Yahweh. Em Êxodo 15.11, Moisés canta: "Quem é como tu entre os deuses, SENHOR?" O salmista pergunta: "SENHOR, quem é como tu?" (Sl 35.10). Isaías proclama a incomparabilidade de Deus: "A quem, então, vocês me compararão, como sendo igual a mim? — diz o Santo" (Is 40.25; cf. 40.18; Mq 7.18). O próprio nome Miguel — o arcanjo que lança o dragão para fora do céu (Ap 12.7) — significa em hebraico "Quem é como Deus?" (mî kā'ēl). Os adoradores da Besta, portanto, tomam a linguagem do louvor divino e a redirecionam a uma criatura, tornando sua aclamação a inversão exata do nome de Miguel e das declarações mais elevadas do Antigo Testamento a respeito de Deus.99 Não se trata de uma adoração acidental; é a blasfêmia suprema — a declaração formal de que a Besta assumiu o lugar de Deus na devoção do mundo.

Essa falsa ressurreição é o evento que desencadeia a adoração mundial e cria as condições para a imposição da marca. Como explica o Dr. Arnold Fruchtenbaum, o mundo verá "a falsa ressurreição do Anticristo dentre os mortos"100 — um evento tão extraordinário que convencerá as massas de que o Anticristo é verdadeiramente divino, tornando-as dispostas a receber sua marca como sinal de sua devoção.

Entre os intérpretes futuristas, a natureza precisa dessa "ferida mortal" e de sua cura tem sido compreendida de três maneiras principais. A primeira leitura, defendida notavelmente pelo Dr. John Walvoord, interpreta a cabeça ferida como o Império Romano, que "aparentemente morreu" historicamente mas será revivido nos tempos finais; o próprio Anticristo não teria morrido, mas o império que ele representa passaria por uma restauração miraculosa que assombraria o mundo.101 A segunda leitura, defendida por estudiosos como o Dr. Gregory Harris e o Dr. Arnold Fruchtenbaum, entende a ferida como a morte literal e a aparente ressurreição de um indivíduo — o próprio Anticristo —, argumentando que o paralelo verbal com o Cordeiro morto (Ap 5.6) exige uma sequência de morte e ressurreição pessoal, e não meramente política.102 A terceira leitura conecta a ferida mortal ao antigo mito do Nero redivivus — a lenda popular de que Nero retornaria dos mortos —, mas essa interpretação é rejeitada por praticamente todos os estudiosos futuristas, uma vez que Nero não retornou e os pais da Igreja mais próximos à época de João não demonstraram qualquer conhecimento desse mito em conexão com Apocalipse 13.103 Dessas três leituras, a interpretação individual (a segunda) parece ter o suporte textual mais sólido, uma vez que Apocalipse 13.12 e 14 identificam a cabeça com a própria Besta, tornando a cura da cabeça idêntica à cura da Besta. Contudo, a interpretação do império (a primeira) não pode ser inteiramente descartada como dimensão complementar, já que a Besta funciona simultaneamente como pessoa e como o reino que ela encarna.

A Imagem da Besta

A passagem citada acima também revela outro elemento crítico na sequência que conduz à marca: a imagem da Besta. Apocalipse 13.14-15 afirma que o Falso Profeta ordenará aos habitantes da terra que construam uma imagem em honra da Besta. Essa imagem receberá então "vida" (gr. pneuma) do Falso Profeta, de modo que parecerá falar (Ap 13.15). Mais solene ainda, os que se recusarem a adorar essa imagem serão mortos: "e fez com que fossem mortos todos os que se recusassem a adorar a imagem da besta" (Ap 13.15).

Essa imagem blasfema provavelmente estará ligada à "abominação da desolação" de que falou o profeta Daniel (Dn 9.27; 11.31; 12.11) e à qual o próprio Senhor Jesus fez referência (Mt 24.15). Como observa o Dr. John MacArthur, "Essa imagem blasfema provavelmente será erguida no recinto do templo em Jerusalém (2 Tessalonicenses 2.4) e estará ligada à abominação da desolação (Daniel 9.27; 11.31; 12.11; Mateus 24.15)."104

Uma questão adicional diz respeito à natureza do pneuma ("sopro" ou "espírito") que o Falso Profeta dá à imagem. A palavra grega pneuma tem um significado abrangente, e os comentaristas têm proposto diversas explicações dentro da estrutura futurista. O Dr. Robert L. Thomas argumenta que o pneuma dado à imagem equivale a pneuma zōēs ("sopro de vida"), a mesma expressão usada em Apocalipse 11.11 para as duas testemunhas que Deus ressuscitou, e que a imagem, portanto, verdadeiramente ganha vida e fala por poder sobrenatural.105 O Dr. John Walvoord, por sua vez, sugere que a imagem pode receber apenas a aparência de vida — respirando e falando — sem possuir vida real, observando que "pode não ser nada mais do que um robô" cujas capacidades poderiam ser explicadas por tecnologia avançada ou simulação satânica.106 Uma terceira possibilidade, mencionada por vários estudiosos, é que um espírito demoníaco habite a imagem, habilitando-a a falar e agir — uma forma de possessão, e não animação genuína (cf. At 16.16). O texto não nos obriga a escolher definitivamente entre essas perspectivas. O que ele deixa claro é que a imagem será suficientemente convincente para compelir à adoração e que a pena pela recusa será a morte (Ap 13.15).

O texto de Apocalipse 13 revela uma sequência clara: a falsa ressurreição da Besta gera admiração mundial (v. 3); o Falso Profeta surge e realiza grandes sinais e prodígios, incluindo fazer fogo descer do céu (vv. 12-13); por meio desses sinais, ele engana os habitantes da terra e os manda construir uma imagem da Besta (v. 14); a imagem recebe sopro e poder para matar os que se recusam a adorá-la (v. 15); e então, imediatamente após a imagem, a marca é imposta a todos (vv. 16-17). A marca, portanto, não surge de forma isolada, mas é o ponto culminante de uma campanha cuidadosamente orquestrada de engano e coerção. Diante de tudo isso, fica evidente que, quando a marca for apresentada ao mundo, o principal promotor da campanha mundial para sua aceitação será o Falso Profeta, atuando por meio de sinais e prodígios.

É necessário fazer uma distinção crucial a respeito dos sinais e prodígios realizados pelo Falso Profeta. O texto bíblico não os apresenta como meras ilusões ou truques. Os "grandes sinais" de Apocalipse 13.13-14, incluindo o fogo chamado do céu, são descritos com linguagem que indica eventos genuinamente sobrenaturais — não truques, mas manifestações reais de poder habilitadas por Satanás (cf. 2 Ts 2.9). No entanto, são teologicamente falsos, pois atestam um deus falso e afastam as pessoas do Deus verdadeiro. Essa distinção tem raízes profundas no Antigo Testamento. Em Deuteronômio 13.1-4, Moisés advertiu Israel de que um profeta poderia realizar um sinal ou prodígio que de fato se cumprisse, mas que, se esse profeta levasse o povo a servir a outros deuses, deveria ser rejeitado: "não ouça as palavras desse profeta... porque o SENHOR, o seu Deus, está testando vocês para saber se o amam com todo o coração e com toda a alma" (Dt 13.3). Os sinais do Falso Profeta serão o cumprimento máximo desse aviso: sobrenaturais, eficazes e reais — mas servindo ao propósito de atrair o mundo para a adoração de um falso cristo.107 A implicação para os crentes em qualquer época é que sinais e prodígios por si sós jamais são indicadores confiáveis de aprovação divina; o teste decisivo é sempre verificar se a mensagem por trás dos sinais está em acordo com a verdade revelada nas Escrituras.

8 – Os que Aceitarem a Marca da Besta Também Adorarão o Anticristo

A marca da Besta não é primariamente um mecanismo econômico — ela é, antes de tudo, um ato religioso de adoração com consequências econômicas. A ordem bíblica é clara: a adoração à Besta vem primeiro, e a capacidade de comprar e vender vem depois, como benefício secundário concedido àqueles que juraram lealdade (Ap 13.12-15 e, então, vv. 16-17). Quando o Anticristo se tornar governante mundial, exigirá adoração de todos os seus súditos e requererá que todos os seus seguidores sejam identificados por essa marca. Em Apocalipse 13, vemos que as pessoas serão enganadas pelos grandes sinais e prodígios realizados pelo Falso Profeta (Ap 13.14), de modo que adorarão o Anticristo e receberão sua marca. Esse engano não significa que as pessoas receberão sua marca sem saber, nem que ignorarão que, ao fazê-lo, estão adorando o Anticristo.108 A própria identificação do Anticristo pelo número de seu nome, 666, remove qualquer dúvida a esse respeito. Antes, esse engano significa que as pessoas, maravilhadas pelos sinais e prodígios do Falso Profeta, genuinamente acreditarão que o Anticristo é Deus, o verdadeiro salvador do mundo — um mundo que, naquele período da história, estará em completo caos, com guerras, crise financeira, fome e muito mais.

Enxergando o Anticristo como o salvador e a solução para um mundo caótico, as pessoas se entregarão a ele com lealdade e devoção. Para demonstrar essa devoção, aceitarão deliberadamente sua marca, o sinal visível de que adoram o Anticristo. Portanto, todo aquele que aceitar a marca da Besta estará reconhecendo consciente e inequivocamente o Anticristo como Deus.

O aspecto central da marca da Besta é espiritual, não comercial, como alguns acreditam. No mundo bíblico, especialmente nos dias do apóstolo João, que escreveu o Apocalipse, a marca era um símbolo de propriedade.109 Assim como em nossos dias uma marca impressa em um animal identifica seu dono, no mundo antigo pessoas devotadas a um deus tatuavam a marca desse deus em si mesmas para demonstrar sua devoção. Como vimos na seção 1, a palavra grega charagma era usada para marcar soldados, escravos e devotos de templos, e os cultos pagãos da Ásia Menor "se deleitavam em exibir tal tatuagem como emblema de propriedade por determinado deus."39 O Dr. John MacArthur observa de forma semelhante que alguns "dos antigos cultos místicos se deleitavam em tais tatuagens, que identificavam seus membros com uma forma de adoração."110 Esse contexto histórico deixa claro que receber uma marca como sinal de devoção religiosa não era um conceito estranho ao público do primeiro século de João.

Levando em conta esse contexto histórico, bem como a gramática da passagem, podemos concordar com o Dr. John MacArthur que, durante a Tribulação, quando uma pessoa receber a marca da Besta, ela estará conscientemente concordando em adorar o futuro autoproclamado deus, o Anticristo, que exigirá tal adoração.111

Esse ponto não pode ser suficientemente enfatizado: a marca da Besta é inseparável da adoração à Besta. Como o Dr. Thomas Ice observa com razão, "Apocalipse 13.15 deixa claro que a questão central em tudo isso é 'a adoração à imagem da besta.' A marca da besta é simplesmente um mecanismo para forçar as pessoas a declararem sua lealdade — ao Anticristo ou a Jesus Cristo."112 A função econômica da marca — a capacidade de comprar e vender — é uma consequência dessa adoração, não seu propósito primário. A marca é, antes de tudo, uma declaração visível de lealdade e adoração.

Isso é confirmado pelo fato de que toda passagem bíblica que menciona a marca também menciona a adoração. Em Apocalipse 14.9-11, o anjo adverte contra adorar a Besta e receber sua marca. Em Apocalipse 16.2, a primeira taça da ira de Deus é derramada sobre aqueles que têm a marca da Besta e adoram a sua imagem. Em Apocalipse 19.20, diz-se que a Besta e o Falso Profeta enganaram os que receberam a marca e adoraram a sua imagem. E em Apocalipse 20.4, os mártires são aqueles que não adoraram a Besta e não receberam a sua marca. Em cada caso, a marca e a adoração aparecem juntas como dois aspectos inseparáveis do mesmo ato de lealdade. Portanto, a marca da Besta deve ser entendida primariamente como uma marca religiosa de adoração e devoção, sendo os privilégios econômicos um benefício secundário concedido àqueles que demonstram sua fidelidade.

O Que É a Marca da Besta?

Com as informações estabelecidas nos capítulos anteriores, podemos agora responder de maneira mais sistemática o que é a marca da Besta. Até aqui, vimos que a visão futurista da marca da Besta é a única consistente com as informações bíblicas disponíveis sobre esse assunto. Antes de responder diretamente o que é a marca da Besta, porém, consideraremos primeiro o que alguns intérpretes futuristas disseram a respeito.

Diferentes Visões sobre a Marca da Besta segundo os Intérpretes Futuristas

Antes de examinar as posições dos estudiosos futuristas, é necessário distinguir dois grupos muito diferentes que reivindicam, ambos, uma interpretação futurista: de um lado, estudiosos teológicos sérios que se engajam cuidadosamente com o texto bíblico; de outro, vozes populares e sensacionalistas que se apoderam de cada nova tecnologia ou acontecimento mundial como o cumprimento há muito aguardado de Apocalipse 13. Esse segundo grupo causou danos consideráveis à credibilidade dos estudos proféticos, e sua abordagem merece ser nomeada pelo que realmente é.

Ao longo das últimas décadas, um desfile de tecnologias e eventos foi anunciado com toda a confiança — nas redes sociais, em canais do YouTube e em e-mails virais — como o cumprimento definitivo da marca da Besta. As vacinas contra a COVID-19 talvez tenham sido o exemplo mais difundido: milhões de publicações circularam afirmando que as vacinas eram, em si mesmas, a marca, ou que continham microchips ocultos destinados a rastrear os vacinados e, eventualmente, controlá-los. O Neuralink, projeto de interface cérebro-computador de Elon Musk, foi igualmente identificado como a marca — ou ao menos seu precursor imediato — sob o argumento de que envolve tecnologia implantada no corpo humano. As Moedas Digitais de Banco Central (CBDCs), que vários governos estão ativamente desenvolvendo, são rotineiramente apresentadas como a infraestrutura econômica da marca. Sistemas de identidade digital, passaportes de vacina introduzidos durante a pandemia de COVID, o sistema de crédito social da China, sistemas de pagamento biométrico, tecnologia de pagamento por aproximação e até QR codes já foram, em diferentes momentos, proclamados como a marca da Besta ou como sua preparação inconfundível.

O que essas afirmações têm em comum é uma falha metodológica consistente: elas identificam a marca com uma tecnologia, em vez de associá-la a uma pessoa, a um governo e a um ato de adoração. Como vimos ao longo deste livro, a marca da Besta não pode ser separada da própria Besta — do Anticristo, de seu governo mundial, de sua exigência de adoração e do momento histórico específico de sua ascensão. Uma vacina administrada por um governo democrático, uma moeda digital emitida por um banco central ou um implante neural desenvolvido por uma empresa privada opera completamente fora desse contexto teológico. Nenhum deles carrega o nome ou o número do Anticristo. Nenhum deles é promovido por um Falso Profeta que realiza sinais sobrenaturais. Nenhum deles exige a adoração de um deus autoproclamado como condição para sua aceitação. A abordagem sensacionalista confunde a infraestrutura com o evento em si e, ao fazê-lo, gera temor desnecessário entre os cristãos, enfraquece a credibilidade dos estudos proféticos sérios e arrisca dessensibilizar as pessoas para a marca real quando ela de fato aparecer — precisamente porque o mesmo alarme foi disparado tantas vezes sem fundamento.

Entre os estudiosos genuinamente futuristas, há duas visões comuns quanto à natureza da marca da Besta: 1) será um chip implantado na mão direita ou na testa, ou 2) será uma marca visível colocada na mão direita ou na testa. A opinião mais comum entre os escritores populares é a de que a marca será um chip implantado nas pessoas. A tecnologia de implante RFID — chips do tamanho de um grão de arroz inseridos sob a pele que podem armazenar dados e permitir identificação por aproximação — já está disponível comercialmente e foi adotada voluntariamente por milhares de pessoas em diferentes países. Empresas como a Biohax International, da Suécia, têm oferecido esses implantes a funcionários, permitindo-lhes abrir portas e realizar pagamentos sem cartão. Nessa perspectiva, o teólogo David Jeremiah acredita que a marca da Besta poderia envolver um chip RFID.113

Alguns teólogos futuristas não descartam nenhuma das duas visões, por entenderem que o texto permite ambas as possibilidades. Grant Jeffrey, por exemplo, distingue entre a marca da Besta, o nome da Besta e o número da Besta. Para ele, esses três elementos devem ser distintos, constituindo cada um uma marca diferente.114 Quanto à natureza da marca, ele não descarta nenhuma das possibilidades, ou seja, poderia ser uma marca visível na pele ou um chip RFID implantado sob a pele.115 Jeff Kluttz também não elimina nenhuma dessas duas visões, sugerindo que a marca pode envolver algum tipo de chip, embora reconheça que isso é apenas especulação, e não uma necessidade.116

O Dr. Thomas Ice afirma que a marca da Besta não será uma tecnologia, mas uma marca visível colocada na pele, algo semelhante a uma tatuagem.117 Segundo ele, o número contido na marca será especificamente 666 para cada pessoa, e não um número diferente para cada indivíduo, como ocorre com os cartões de crédito. Concordando com essa visão, Hal Harless explica que a marca da Besta não pode ser um número de cartão de crédito nem qualquer outro número arbitrário; deverá ser exatamente o número da Besta, 666, ou o próprio nome dela.118 O Dr. Ron Rhodes escreve de maneira semelhante:

"Embora eu acredite que a tecnologia moderna tornará possível que o anticristo e o falso profeta instaurem uma sociedade sem dinheiro em espécie e, em seguida, controlem todo o comércio na terra, precisamos diferenciar essa tecnologia da marca da besta, pois a tecnologia em si não é a marca. Faço essa ressalva porque alguns expositores proféticos, no passado, afirmaram que a marca será um chip de alta tecnologia inserido sob a pele, um código de barras na mão ou na testa, algum tipo de código universal de produto ou alguma outra tecnologia semelhante."119

Embora esses autores não creiam que a marca da Besta será em si uma tecnologia, concordam que novas tecnologias serão amplamente utilizadas pelo Anticristo em seu governo, tornando a tecnologia algo relacionado à marca, sem com ela se identificar. O Dr. John Walvoord, por exemplo, declara:

"Não há dúvida de que, com a tecnologia atual, um governante mundial com controle total teria a capacidade de manter um censo continuamente atualizado de todas as pessoas vivas e saber, dia após dia, exatamente quais juraram lealdade a ele e receberam a marca, e quais não o fizeram."120

Tony Garland, outro escritor futurista, adota uma posição interessante que o distingue dos demais. Ele acredita que a marca poderia combinar uma marca visível — na qual todos carregariam o mesmo nome ou número — com um identificador invisível que forneceria identificação única:

"Está certamente dentro do âmbito das possibilidades que a marca sirva tanto como identificador único de lealdade à Besta quanto como identificador globalmente único. Tudo o que se requer é combinar uma marca exterior visível (indicando lealdade compartilhada) com um código digital invisível (indicando identificação única). A marca externa funcionaria para distinguir facilmente os obedientes dos desobedientes, enquanto o código invisível forneceria os meios necessários para a troca monetária digital na economia controlada do fim. Como é típico dos esquemas de Satanás, o identificador único ofereceria inúmeros benefícios que também serviriam como motivação para receber a marca. O custo de recusar a marca não é apenas o risco de perder a própria vida, mas também a impossibilidade de participar do mercado global. Os detalhes da marca não são revelados pelas Escrituras."121

Por Que Nenhuma Tecnologia Atual Se Qualifica como a Marca da Besta

De todos os candidatos propostos para a marca da Besta nas últimas décadas, o chip implantável provou ser o mais persistente. E, ao contrário do código de barras ou da internet, há pelo menos uma plausibilidade superficial na sugestão: um chip pode armazenar dados, restringir o acesso a serviços e, em princípio, ser utilizado para monitorar e controlar a atividade econômica. Alguns estudiosos futuristas, como vimos, não descartam completamente a possibilidade de que a marca possa envolver tecnologia semelhante a um chip. A questão, portanto, não é primariamente qual tecnologia será utilizada, mas sim se algum chip atualmente existente — ou qualquer tecnologia que conhecemos — já pode ser identificado como a marca da Besta. A resposta é claramente não, e as razões não são meramente tecnológicas, mas teológicas.

A Bíblia é precisa quanto ao que será a marca da Besta. Com base em tudo o que foi examinado neste livro, podemos identificar pelo menos seis requisitos específicos que qualquer candidato à marca deve satisfazer simultaneamente:

  1. Deve conter o nome do Anticristo ou o número 666 (Ap 13:17-18). A marca não é qualquer código arbitrário, número de crédito ou identificador pessoal. Seu conteúdo visível será o nome específico de um homem futuro específico, ou o número que corresponde a esse nome — 666. Qualquer chip em uso atualmente contém dados que nada têm a ver com o nome do Anticristo, pela simples razão de que o Anticristo ainda não surgiu como governante mundial.

  2. Deve ser emitida sob a autoridade pessoal do governo mundial do Anticristo (Ap 13:16). A marca é explicitamente a marca da Besta — ou seja, do Anticristo e somente do seu governo. Um chip emitido por um sistema de saúde, uma corporação, uma universidade ou qualquer governo atual é, por definição, não a marca daquele governante específico.

  3. Deve ser introduzida por meio de uma campanha sobrenatural mundial liderada pelo Falso Profeta (Ap 13:13-14; 2 Ts 2:9-10). A Bíblia não descreve a marca como um sistema administrativo implementado silenciosamente. Ela será lançada na esteira de eventos sobrenaturais — incluindo a falsa ressurreição do Anticristo e o fogo chamado dos céus pelo Falso Profeta — eventos tão extraordinários que o mundo inteiro será movido a adorar a Besta e a aceitar sua marca.

  4. Deve funcionar como o único passaporte comercial para toda a economia global (Ap 13:17). Sem a marca, ninguém no mundo poderá comprar ou vender coisa alguma. Nenhum chip atual exerce esse tipo de controle econômico absoluto e universal. Implantes médicos, chips de pagamento e sistemas de identificação de funcionários operam em domínios limitados e específicos — eles não governam todas as transações de todas as pessoas na terra.

  5. Deve ser inseparável do ato de adorar o Anticristo (Ap 14:9-11; 16:2; 19:20; 20:4). Como vimos, toda passagem bíblica que menciona a marca também menciona adoração. Receber a marca será recebê-la como um ato deliberado de devoção a um homem que se proclamou Deus. Um chip médico, uma carteira de estudante ou um implante de pagamento não carrega nenhuma exigência religiosa desse tipo.

  6. Deve aparecer no ponto médio da Tribulação, após o Arrebatamento da Igreja e após o Anticristo ter consolidado seu governo mundial (Ap 13:5-7; Dn 7:25). Os eventos que devem preceder a marca — o Arrebatamento, a ascensão do Anticristo ao poder global, a abominação da desolação e a falsa ressurreição — ainda não ocorreram.

Nenhum chip, implante ou tecnologia atualmente existente satisfaz sequer um desses seis requisitos, quanto mais todos eles simultaneamente. Dos seis, o requisito 6 é o mais fundamental: mesmo que todas as outras condições fossem de alguma forma atendidas, a marca ainda assim não poderia existir na era presente, pois o Anticristo ainda não foi revelado e o Arrebatamento ainda não ocorreu. A marca não é primariamente uma tecnologia — é um evento teológico, indissociavelmente ligado a uma pessoa específica (o Anticristo), a um período específico (a segunda metade da Tribulação), a um conteúdo específico (seu nome ou número) e a um ato específico (a adoração dessa pessoa como Deus). Os requisitos 1 a 5 descrevem como será a marca; o requisito 6 estabelece que ela ainda não pode existir de forma alguma. Identificar qualquer chip da atualidade com a marca da Besta é confundir o instrumento com o ato, e a tecnologia com a teologia.

Há ainda outro erro de raciocínio que merece ser abordado diretamente. Mesmo que concedamos, por hipótese, que a marca da Besta envolverá alguma forma de tecnologia de chip, ainda seria completamente equivocado concluir que qualquer chip existente hoje já é a marca da Besta. O raciocínio falha nas duas direções. Se a marca requer um chip, não se segue daí que todo chip seja a marca — assim como o fato de um crime ter sido cometido com uma faca não significa que toda faca seja uma arma de assassinato. A marca da Besta envolveria, nessa hipótese, um chip; mas nem todo chip seria a marca da Besta. A marca exige o conjunto completo das condições bíblicas descritas acima, todas presentes simultaneamente, e nenhuma delas está atualmente em vigor.

É por isso que o temor que muitos cristãos têm de receber qualquer tipo de chip — e assim aceitar inadvertidamente a marca da Besta — é teologicamente infundado. Relata-se que uma jovem nos Estados Unidos foi expulsa de sua faculdade por recusar-se a receber uma carteirinha de estudante sob o argumento de que ela continha um chip. A sinceridade por trás dessa decisão é compreensível. Mas aceitar a marca da Besta será um ato consciente e deliberado de adoração dirigida a um homem que se proclamou Deus, realizado no contexto de uma campanha sobrenatural mundial, em um momento específico e inconfundível da história redentora que ainda não chegou. Não será possível recebê-la por acidente, por ignorância ou em qualquer momento durante a presente Era da Igreja.

A Marca da Besta Será Exigida Somente Após o Tempo da Igreja na Terra

O Momento da Marca da Besta — uma linha do tempo mostrando que a marca não pode existir durante a Era da Igreja e aparece somente próximo ao ponto médio da Tribulação, após o Arrebatamento, a revelação do Anticristo e a campanha mundial do Falso Profeta
O Momento da Marca da Besta — uma linha do tempo mostrando que a marca não pode existir durante a Era da Igreja e aparece somente próximo ao ponto médio da Tribulação, após o Arrebatamento, a revelação do Anticristo e a campanha mundial do Falso Profeta

A conclusão mais consistente que podemos extrair das informações bíblicas é que, enquanto a Igreja estiver na terra, a marca da Besta ainda não terá aparecido, pois nesse período o Anticristo ainda não terá se revelado122, quanto mais se tornado governante do mundo.123 A Bíblia afirma claramente que o governo global do Anticristo durará apenas três anos e meio (Dn 7:25; Ap 13:5), e afirma também que o fim de seu governo será marcado pela Segunda Vinda de Cristo à terra, o mesmo evento que encerrará a Tribulação (2 Ts 2:8; Ap 19:11-21).124 À luz dessas informações bíblicas, a única conclusão possível é que a Igreja não estará mais na terra durante esse período.

A Bíblia afirma que a identificação do Anticristo somente será possível durante a Tribulação, quando ele se revelar ao mundo. Por essa razão, muitos teólogos ao longo da história têm argumentado que o cálculo do número do nome do Anticristo — destinado a identificá-lo — somente poderá ser feito após o Arrebatamento. Por exemplo, embora não fale especificamente sobre o Arrebatamento, Ireneu de Lião, escrevendo no segundo século da era cristã, afirmou que a identidade da pessoa representada pelo número 666 — no caso, o Anticristo — não deveria ser objeto de especulação enquanto essa pessoa não entrasse em cena no palco mundial.125

John N. Darby acreditava que o nome do Anticristo somente poderá ser decifrado quando a Tribulação começar e o Anticristo for revelado ao mundo.126 O Dr. Robert L. Thomas afirma que, se 666 é o número do nome de um governante futuro, nenhuma tentativa feita no passado de identificar o Anticristo poderia jamais produzir um resultado verdadeiro.127 Segundo ele, essa identificação se tornará ao mesmo tempo necessária e possível somente quando o Anticristo aparecer no palco mundial — mais especificamente, após o Arrebatamento da Igreja. Tom Constable, professor do Dallas Seminary, faz uma observação semelhante:

"Acredito que nem a identidade do Anticristo nem o número de seu nome serão evidentes antes que ele apareça e cumpra a profecia. Então os crentes sábios poderão calcular seu número e também identificar sua pessoa. Até lá, ambos os aspectos da identidade do Anticristo permanecerão um mistério."128

Grant Jeffrey afirma que o cálculo do nome do Anticristo será relevante somente para os crentes que viverão durante a Tribulação. Ele acrescenta:

"...A identificação 666 do nome do Anticristo será relevante apenas para os crentes da Tribulação que estarão vivos durante o período de sete anos da Tribulação. A revelação profética a respeito de 666 alertará aqueles que viverão naquele tempo terrível de perseguição para que rejeitem a Marca da Besta. Por seguirem a Cristo, eles estarão cientes do aviso de Deus para rejeitar o Anticristo a qualquer custo, mesmo ao custo de suas vidas. As Escrituras advertem que qualquer um que receber a Marca da Besta (aceitando-o como deus) será condenado ao lago de fogo (ver Apocalipse 14:9-11)."129

Se os Chips Implantáveis de Hoje Não São a Marca da Besta, Há Algum Problema em Usá-los?

A seção anterior deixou claro que a marca da Besta ainda não existe e que ela aparecerá somente após o Arrebatamento da Igreja. Como muitas pessoas têm medo dos chamados "biochips", e como os biochips de hoje não são a marca da Besta, é natural fazer a seguinte pergunta: se os biochips não são a marca da Besta, seu uso ainda apresenta algum tipo de problema?

A ascensão de qualquer tecnologia, como o "biochip", traz consigo aspectos positivos e negativos — e a honestidade intelectual exige que reconheçamos ambos. No lado positivo, os avanços em tecnologia implantável e wearable produziram benefícios reais para a sociedade. Implantes médicos devolveram a audição a pessoas surdas, regularam batimentos cardíacos por meio de marca-passos e permitiram que pacientes diabéticos monitorassem continuamente seus níveis de glicose. Interfaces cérebro-computador prometem restaurar a mobilidade de pessoas com lesões na medula espinhal. A inteligência artificial está acelerando a pesquisa médica, melhorando a precisão diagnóstica e tornando a informação mais acessível às pessoas ao redor do mundo. A tecnologia GPS ajuda a localizar pessoas desaparecidas e a coordenar respostas de emergência. Esses são bens reais e tangíveis que melhoram a vida humana, e descartá-los em bloco seria ao mesmo tempo injusto e intelectualmente desonesto.

Ao mesmo tempo, essas tecnologias também levantam preocupações que merecem consideração séria. É importante afirmar isso com precisão: dizer que essas tecnologias não são a marca da Besta não é dizer que não apresentam riscos reais. Apresentam — e esses riscos merecem ser estudados, discutidos e questionados por seus próprios méritos, por razões que nada têm a ver com Apocalipse 13. O fato de uma tecnologia não cumprir profecia bíblica não a torna segura, ética ou imune ao escrutínio. Uma tecnologia pode ser simultaneamente benéfica em uma aplicação e perigosa em outra — e a mesma ferramenta que cura em um hospital pode oprimir nas mãos de um governo tirânico. Como é impossível abordar todas as preocupações neste pequeno livro, gostaria de destacar aquela que considero especialmente importante: a perda de privacidade e de liberdade individual.

A erosão da liberdade individual é uma das consequências mais significativas do avanço tecnológico, pois jamais na história tantos dados foram coletados — pessoais ou não —, seja por meio de transações financeiras, seja pelo simples uso de um celular equipado com GPS que, queiramos ou não, deixa registrado em algum servidor em algum lugar do mundo todos os lugares por onde passamos.

Com o avanço da inteligência artificial e da coleta massiva de dados, nossos gostos, preferências, crenças, opiniões políticas, históricos médicos, comportamentos de consumo e movimentos diários estão sendo compilados em perfis detalhados armazenados em servidores ao redor do mundo. Mecanismos de busca, plataformas de redes sociais e aplicativos de smartphone coletam e vendem esses dados a corretores de informações, que os agregam em dossiês individuais disponíveis a governos, corporações e anunciantes — muitas vezes sem o conhecimento de quem está sendo perfilado. Sistemas de reconhecimento facial implantados em cidades de múltiplos continentes já conseguem identificar indivíduos em tempo real a partir de câmeras públicas. O sistema de crédito social da China representa o exemplo operacional mais avançado até o momento de um governo utilizando essa infraestrutura de dados para recompensar a conformidade e punir a dissidência: cidadãos com pontuação baixa podem ser impedidos de comprar passagens aéreas e de trem, de matricular filhos em escolas ou de acessar serviços financeiros. Sistemas de IA generativa já conseguem analisar e prever o comportamento humano com notável precisão. Esses não são desenvolvimentos hipotéticos para o futuro — são o estado atual de uma infraestrutura de vigilância que já existe e já está sendo utilizada como arma por governos autoritários.

A resposta honesta é que ninguém sabe até onde a inteligência artificial chegará. Ninguém sabe quantos empregos ela substituirá, quantas tarefas repetitivas absorverá ou quão profundamente remodelará a relação entre cidadãos e instituições. O que sabemos é a trajetória: cada geração de IA é vastamente mais capaz do que a anterior, e o intervalo entre gerações está diminuindo. Sistemas que poucos anos atrás mal conseguiam manter uma conversa hoje redigem petições jurídicas, geram imagens e vídeos realistas, compõem músicas, dirigem veículos e diagnosticam doenças com precisão que rivaliza com a de especialistas treinados. A automação do trabalho repetitivo — entrada de dados, montagem industrial, atendimento ao cliente, até desenvolvimento de software — não é mais uma previsão distante; está em andamento. À medida que a IA desloca trabalhadores humanos de categorias inteiras de emprego, a alavancagem econômica e social dos governos sobre seus cidadãos cresce proporcionalmente. Uma população que depende de sistemas geridos pelo governo para obter renda, moradia e acesso a serviços básicos é uma população muito mais fácil de controlar. A convergência da inteligência artificial com vigilância biométrica, moeda digital e infraestrutura centralizada de dados está produzindo instrumentos de controle social cujo alcance e precisão não têm precedente histórico.

O que podemos observar, sem especulação, é que essas capacidades seriam de grande valor para qualquer governo autoritário — e a Bíblia ensina que o governo do Anticristo será exatamente isso: um governo mundial autoritário que exige lealdade total e controla o acesso à economia global (Ap 13:16-17). Quaisquer que sejam as ferramentas disponíveis naquele momento, o texto bíblico deixa claro que seu governo exercerá controle abrangente sobre seus súditos. 1984, de George Orwell — obra da qual a expressão "Grande Irmão" se popularizou —, oferece uma ilustração literária do tipo de estado de vigilância que a Bíblia descreve, embora a realidade do governo do Anticristo, empoderado pelo próprio Satanás (Ap 13:2), supere qualquer retrato ficcional.

Por esse motivo, os biochips implantáveis que existem hoje, embora não sejam a marca da Besta e não estejam cumprindo nenhuma profecia específica, levantam questões legítimas sobre privacidade e controle que merecem consideração séria por seus próprios méritos. O mesmo vale para a inteligência artificial e para cada tecnologia de vigilância adjacente. Se essas tecnologias específicas terão algum papel no futuro governo do Anticristo é algo que ninguém pode saber. O Anticristo pode surgir em dez dias, dez anos, cem anos ou mil — a Bíblia não nos diz quando, e qualquer afirmação de conhecer o momento é especulação. É igualmente possível que as tecnologias de nossa era estejam completamente obsoletas quando os eventos de Apocalipse 13 se desdobrarem, substituídas por desenvolvimentos que ainda não conseguimos imaginar. O que podemos afirmar é que essas tecnologias representam uma preocupação genuína e presente para a liberdade humana — não porque cumprem profecia bíblica, mas porque a concentração de poder de vigilância e o controle centralizado em qualquer governo, em qualquer momento da história, representa uma ameaça real à liberdade individual. Essa preocupação se sustenta por si mesma, independente de qualquer cronograma escatológico.

A Marca da Besta Pode Ser uma Marca Eletrônica?

Vimos que o biochip atual (pré-Arrebatamento) não é a marca da Besta. Mas a marca da Besta poderia ser uma marca eletrônica? Sim, isso é possível. Se examinarmos a Bíblia, veremos que a marca da Besta será o nome do Anticristo ou o número de seu nome, colocado na mão direita ou na testa. Nenhuma tecnologia atual — seja implantada ou usada na superfície — pode ser a marca da Besta, por uma razão mais fundamental do que qualquer questão de forma: a marca é inseparável do Anticristo, e o Anticristo não pode ser revelado antes do Arrebatamento da Igreja (2 Ts 2:6-8). A marca não existirá até que esse homem específico chegue ao poder naquele momento específico da história redentora. Mesmo uma tecnologia que correspondesse perfeitamente a toda descrição formal — colocada visivelmente na mão direita, portando um nome, legível a olho nu — ainda assim não seria a marca da Besta durante a era presente, porque existiria fora do único contexto em que a marca pode aparecer: o governo mundial do Anticristo revelado na segunda metade da Tribulação.

Como discutimos na seção sobre a preposição grega epi, a leitura mais natural do texto favorece uma marca colocada sobre a superfície da pele — mas epi é uma preposição ampla, e reconhecemos que uma aplicação subcutânea não pode ser completamente descartada apenas com base em argumentos gramaticais. O biochip implantável de hoje falha como candidato à marca não primariamente por razões formais, mas pelo fundamento cronológico e teológico de que o Anticristo ainda não foi revelado. Dito isso, tecnologias aplicadas na superfície são estruturalmente mais compatíveis com a leitura mais natural do texto. Hoje existem tecnologias colocadas sobre a pele em vez de sob ela, popularmente conhecidas como "tatuagens eletrônicas" ou "patches inteligentes". A eletrônica flexível e a computação epidérmica avançaram consideravelmente desde que este livro foi escrito pela primeira vez: sensores ultrafinos adesivos à pele já são capazes de monitorar dados biométricos, transmitir sinais sem fio e interagir com sistemas digitais. Instituições de pesquisa e empresas de tecnologia desenvolveram protótipos que funcionam como tatuagens temporárias enquanto contêm componentes eletrônicos funcionais.

De acordo com as informações bíblicas, nada impede que a marca da Besta seja uma tatuagem eletrônica colocada sobre a pele. Da mesma forma, se epi nesse contexto permitir uma aplicação mais ampla, um dispositivo subcutâneo também não poderia ser excluído. Em qualquer dos casos, o Anticristo poderia usar tal tecnologia para exibir visivelmente seu nome ou o número de seu nome e, por ser eletrônica, também armazenar dados pessoais, bancários e outros dados sobre quem a porta.

Aqui devemos lembrar que a tatuagem eletrônica é apenas um exemplo de uma tecnologia cujas características são compatíveis com a marca da Besta segundo as informações bíblicas. Outras tecnologias apontam em direções diferentes. Interfaces cérebro-computador como o Neuralink — projetadas para ajudar pacientes com paralisia a recuperar a capacidade de controlar dispositivos pelo pensamento — representam uma categoria inteiramente diferente: um dispositivo implantado que interage com o sistema nervoso e com a infraestrutura digital. Chips RFID implantados sob a pele, já usados voluntariamente por milhares de pessoas para acesso a edifícios e pagamentos por aproximação, representam ainda outra categoria. Cada uma dessas tecnologias é estruturalmente diferente das demais, e cada uma poderia, em princípio, servir como plataforma para a marca em um cenário futuro — embora nenhuma delas seja a marca hoje.

A realidade honesta é que ninguém sabe qual tecnologia específica a marca da Besta empregará. A Bíblia descreve o conteúdo da marca (o nome ou número do Anticristo), sua localização (a mão direita ou a testa), seu contexto (o governo mundial do Anticristo) e seu propósito (adoração e lealdade) — mas não especifica o meio tecnológico. Pode ser uma tecnologia que já existe de alguma forma hoje, ou pode ser algo que ainda não foi inventado. Dado o ritmo do avanço tecnológico, novas possibilidades surgem constantemente, e qualquer tentativa de identificar uma tecnologia atual específica como a plataforma definitiva para a marca é especulativa por natureza.

Uma analogia pode ajudar a esclarecer esse ponto. Uma faca é um instrumento neutro: pode ser usada para preparar uma refeição ou para cometer um crime. A faca em si não é inerentemente criminosa; seu caráter moral depende inteiramente de quem a usa e com qual propósito. Da mesma forma, uma determinada tecnologia — seja um chip implantável, um adesivo eletrônico para a pele ou qualquer outro dispositivo — não é a marca da Besta simplesmente porque existe. O mesmo dispositivo que hoje serve a um propósito médico, comercial ou de identificação legítimo poderia, num contexto futuro e completamente diferente, ser adotado pelo Anticristo como instrumento pelo qual sua marca é aplicada. A tecnologia não se torna a marca em virtude do que é; ela se torna a marca somente quando porta o nome ou número do Anticristo, é emitida sob sua autoridade, promovida pelo Falso Profeta e recebida como um ato de adoração — ou seja, quando todas as condições bíblicas descritas neste livro estiverem presentes simultaneamente. Até então, o dispositivo permanece o que é: um produto tecnológico, sem diferença de status moral em relação a uma faca sobre uma bancada de cozinha.

O que é teologicamente essencial, portanto, não é a tecnologia específica empregada — seja aplicada na superfície ou implantada —, mas o propósito que a marca servirá: será um ato de adoração e lealdade ao Anticristo. Qualquer que seja a forma que a marca venha a assumir — nome tatuado, adesivo eletrônico na pele, dispositivo implantado ou alguma tecnologia ainda não inventada —, sua característica definidora não será sua composição material, mas sua função como declaração de que quem a porta se submeteu ao Anticristo como deus.

Os Quatro Aspectos da Marca: O Que a Bíblia Define e o Que Deixa em Aberto

Antes de resumir as conclusões deste estudo, é útil organizar os dados bíblicos sobre a marca da Besta em quatro aspectos distintos. Essas quatro categorias representam tudo o que a Bíblia revela explicitamente sobre a marca — e, igualmente importante, ajudam a identificar a única dimensão que a Bíblia não define.

1. Conteúdo — o que a marca exibirá. O conteúdo visível da marca será o nome do Anticristo ou o número correspondente ao seu nome, a saber, 666 (Ap 13:17-18; 14:11). Não é um código arbitrário, um número de série ou um identificador pessoal. É o nome específico de um homem específico e futuro, ou seu equivalente numérico. A Bíblia é precisa nesse ponto.

2. Localização — onde a marca será colocada. A marca será colocada na mão direita ou na testa (Ap 13:16). Como discutimos, a leitura mais natural da preposição grega epi favorece uma marca colocada na superfície da pele, embora a preposição seja suficientemente ampla para que uma aplicação subcutânea não possa ser inteiramente excluída. O que o texto estabelece é a localização anatômica: mão direita ou testa — e não qualquer outra parte do corpo.

3. Contexto — quando e sob quais condições a marca aparecerá. A marca está inseparável à pessoa do Anticristo, ao seu governo mundial e ao momento específico da segunda metade da Tribulação (Ap 13:5-7). Será introduzida por meio de uma campanha mundial liderada pelo Falso Profeta, precedida pela ressurreição falsificada do Anticristo e pela construção da imagem da Besta (Ap 13:3, 13-15). O Anticristo não pode ser revelado antes do Arrebatamento da Igreja (2 Ts 2:6-8). Portanto, a marca não pode existir durante a era presente, independentemente das tecnologias disponíveis.

4. Propósito — por que a marca será exigida. A marca é antes de tudo um sinal de adoração e lealdade ao Anticristo, que se proclamará Deus (2 Ts 2:4). Cada passagem bíblica que menciona a marca também menciona adoração (Ap 14:9-11; 16:2; 19:20; 20:4). A função econômica — a capacidade de comprar e vender — é consequência dessa adoração, e não seu propósito primário. Aqueles que receberem a marca estarão declarando, pública e irrevogavelmente, que o Anticristo é seu deus.

O que a Bíblia não define: o meio tecnológico. A Bíblia especifica o que a marca conterá, onde será colocada, quando aparecerá e por que será exigida — mas não especifica como será fisicamente aplicada. Não prescreve uma tatuagem, um chip, um adesivo eletrônico, uma marca a ferro ou qualquer outra tecnologia específica. Essa é a única dimensão deixada em aberto, e é precisamente a dimensão sobre a qual a maioria das especulações populares se concentrou. O silêncio bíblico nesse ponto é em si mesmo instrutivo: nos diz que a tecnologia não é o que importa. O que importa é o conteúdo, a localização, o contexto e o propósito. Qualquer tecnologia — existente ou ainda a ser inventada — que seja utilizada pelo Anticristo para aplicar seu nome ou número na mão direita ou na testa de seus adoradores, sob as condições descritas em Apocalipse 13, será a marca da Besta. Nenhuma tecnologia que opere fora dessas condições pode ser a marca, independentemente de quão próxima da descrição bíblica ela possa parecer em sua forma.

Conclusão: Um Resumo do Que é a Marca da Besta

Agora, com todas as informações aqui apresentadas em vista, podemos resumir o que a marca da Besta de fato será:

  1. A marca da Besta será ao mesmo tempo literal e simbólica. Será a marca de um homem, um governante futuro conhecido como Anticristo, que é a Besta de Apocalipse 13:1 — a expressão "marca da Besta" é essencialmente equivalente a "marca do Anticristo". O reino do Anticristo será o ápice de todos os impérios mundiais gentios anteriores, combinando as características da Babilônia, Medo-Pérsia, Grécia e Roma (Ap 13:1-2; Dn 7).

  2. A marca não pode existir durante a era presente. Essa é a conclusão mais fundamental deste livro. A marca é inseparável do Anticristo — requer sua pessoa e seu governo mundial — e o Anticristo não pode ser revelado antes do Arrebatamento da Igreja (2 Ts 2:6-8). Nenhuma vacina, chip, moeda digital, implante cerebral, sistema biométrico ou qualquer outra tecnologia da era presente pode, portanto, ser a marca da Besta, independentemente de quão próxima ela pareça da descrição bíblica. A marca ainda não existe e não existirá até que chegue o momento específico na história descrito em Apocalipse 13. Esse é o fundamento teológico que deve nortear qualquer discussão séria sobre o assunto.

  3. A marca será colocada na mão direita ou na testa (Ap 13:16). A preposição grega epi mais naturalmente significa sobre, e a evidência gramatical acumulada — incluindo as construções no genitivo e no acusativo, o histórico da palavra charagma, e paralelos no Antigo Testamento (Ez 9:4; Is 44:5; Êx 13:9, 16) — favorece aplicação na superfície. No entanto, epi é uma preposição ampla, e uma aplicação subcutânea não pode ser inteiramente excluída apenas com base em argumentos gramaticais. O que a Bíblia define com certeza é a localização (mão direita ou testa) e o conteúdo (o nome ou número do Anticristo); o meio tecnológico específico — seja uma marca visível na superfície, um dispositivo implantado ou alguma outra forma — é a única dimensão que o texto não prescreve.

  4. Quanto ao seu conteúdo, a marca será o próprio nome do Anticristo ou o número correspondente ao seu nome, a saber, 666 (Ap 13:17-18). O número 666 é ao mesmo tempo literal — o valor numérico do nome de um homem específico e futuro, fornecido para que os crentes da Tribulação possam identificar o Anticristo (Ap 13:18) — e simbólico, pois o número 6 está associado ao homem (criado no sexto dia), enquanto 7 representa a perfeição divina. A tripla repetição sinaliza uma criatura que aspira ao status divino mas fica aquém, e também corresponde às três figuras da trindade falsificada: Satanás, o Anticristo e o Falso Profeta. Qualquer tentativa de identificar uma pessoa viva como aquela cujo nome equivale a 666 durante a era presente é prematura, pois o Anticristo será revelado somente após o Arrebatamento.

  5. A marca será imposta em algum momento próximo ao meio da Tribulação, pois o governo mundial do Anticristo durará apenas três anos e meio (Ap 13:5, 7), encerrando-se com a Segunda Vinda de Cristo à terra (2 Ts 2:8; Ap 19:11-21).

  6. A marca será apresentada ao mundo por meio de uma campanha mundial liderada pelo Falso Profeta, precedida pela ressurreição falsificada do Anticristo (Ap 13:3) — uma imitação satânica da ressurreição de Cristo que provocará espanto universal — e pela construção da imagem da Besta, à qual será dado fôlego, o poder de falar e o poder de matar os que se recusarem a adorá-la (Ap 13:14-15). Os meios de persuasão serão sinais e maravilhas (2 Ts 2:9-10; Ap 13:13-15; 19:20). Além desses induções sobrenaturais, o próprio Deus confirmará judicialmente o abraço do mundo a essa ilusão: "Por isso mesmo, Deus lhes envia um engano poderoso, para que creiam na mentira" (2 Ts 2:11). Aqueles que aceitarem a marca não estarão meramente sendo dominados pelo poder de Satanás — estarão experimentando o juízo justo de Deus sobre uma vida inteira de rejeição da verdade.

  7. A marca da Besta é inseparável da adoração ao Anticristo. É primariamente um sinal de devoção religiosa e lealdade, e não meramente um mecanismo econômico. Cada passagem bíblica que menciona a marca também menciona adoração (Ap 14:9-11; 16:2; 19:20; 20:4). O Anticristo se proclamará Deus (2 Ts 2:4) e exigirá adoração de cada pessoa na terra (Ap 13:14-15; 19:20). A consequência econômica de recusar a marca — a impossibilidade de comprar ou vender — decorre diretamente dessa exigência religiosa, e não o contrário.

  8. Como o Anticristo não será revelado antes do Arrebatamento (2 Ts 2:6), a marca da Besta não é uma preocupação para a Igreja de Cristo. Quando ele ascender ao poder mundial, a Igreja já não estará sobre a terra. Aqueles que são genuinamente crentes — cujos nomes estão escritos no Livro da Vida do Cordeiro (Ap 13:8) — não estarão presentes para enfrentar essa escolha, e a Palavra de Deus nos assegura que não tomariam a marca ainda que estivessem.

  9. Por meio da marca, as pessoas que viverem durante a tribulação poderão identificar o Anticristo calculando o valor numérico de seu nome (Ap 13:18). Isso será necessário porque a tribulação será um período de engano generalizado (2 Ts 2:9-11; Ap 13:13-15; 19:20), e porque aceitar a marca será um ato irreversível com consequências eternas (Ap 14:11). Os que adoram a Besta e recebem sua marca são precisamente aqueles cujos nomes não foram escritos no Livro da Vida do Cordeiro (Ap 13:8).

  10. Os que recusarem a marca serão severamente perseguidos — incapazes de comprar ou vender, de circular livremente em público, e sujeitos a prisão e morte (Ap 20:4). No entanto, os que permanecerem fiéis receberão uma recompensa muito maior: viverão e reinarão com Cristo por mil anos (Ap 20:4). Deus não abandonará o seu povo. Aquele que alimentou Elias pelos corvos e sustentou Israel no deserto por quarenta anos proverá para os que se recusarem a se curvar ao Anticristo — às vezes de forma miraculosa, às vezes pelas mãos de irmãos na fé que arriscam suas próprias vidas para abrigá-los e cuidar deles (Mt 25:31-46).

Notas

Footnotes

  1. João Calvino. As Institutas da Religião Cristã: vol 2. Pg 500

  2. Confissão de Fé de Westminster. http://www.monergismo.com/textos/credos/cfw.htm. (acesso 25/10/2014)

  3. Michael de Semlyen. All Roads Lead to Rome. Pg. 205.

  4. Spurgeon, C. H. Vol. 42: Spurgeon's Sermons: Volume 42.

  5. Nichol, F. D. The Seventh-day Adventist Bible Commentary (Ap 13:17).

  6. Nichol, F. D. The Seventh-day Adventist Bible Commentary (Ap 13:17).

  7. Hendriksen, William. More Than Conquerors. Pg. 150.

  8. C. Marvin Pate. As Interpretações de Apocalipse. Pg 71

  9. Hitchcock, Mark. Who Is the Antichrist? (Kindle Locations 754-755).

  10. Hitchcock, Mark. Who Is the Antichrist? (Kindle Locations 754-755).

  11. Henry Morris. Revelation Record. Pg. 254.

  12. Bass, R. E. Back to the Future : A study in the book of Revelation. Pg 317

  13. Veja Fruchtenbaum, Arnold G. The Footsteps of the Messiah. Pg. 209-212; Hitchcock, Mark. Who Is the Antichrist? (Kindle Locations 900-950). Ambos concluem que o Anticristo será um gentio com base em Dn 9:26 e na imagem do mar em Ap 13:1.

  14. C. Marvin Pate. As Interpretações de Apocalipse. Pg 71

  15. Jeffrey, Grant R. (2009-09-25). Shadow Government: How the Secret Global Elite Is Using Surveillance Against You (p. 155).

  16. Anthony C. Garland. (2006; 2006). A Testimony of Jesus Christ (Ap 13:16).

  17. Hitchcock, Mark. Who Is the Antichrist? (Kindle Location 1411).

  18. Horton, Stanley M. The Ultimate Victory (Kindle Location 3714).

  19. A data da composição do Apocalipse é debatida, mas o consenso acadêmico dominante a situa no reinado de Domiciano (d.C. 81-96), por volta de 95 d.C. Veja Thomas, R. L. Revelation 8-22: An Exegetical Commentary. Pg. 15-20; Hitchcock, Mark. The End. In loco.

  20. Hitchcock, Mark. The End. In loco. Hitchcock observa a proeminência da identificação de Nero como Anticristo na erudição alemã moderna da década de 1830. Os grandes Pais da Igreja primitiva, como Irenaeus, não fizeram de Nero a explicação padrão para o 666, embora algumas fontes cristãs posteriores tenham associado Nero a um perseguidor dos últimos tempos.

  21. Walvoord, John F. The Revelation of Jesus Christ. In loco (Ap 13:1-10). Veja também Thomas, R. L. Revelation 8-22: An Exegetical Commentary. In loco (Ap 13:1); MacArthur, John. Because the Time Is Near. In loco (Ap 13:1-2).

  22. MacArthur, John. Because the Time Is Near. In loco (Ap 13:1-2).

  23. Veja Walvoord, John F. The Revelation of Jesus Christ. Pg. 199; Fruchtenbaum, Arnold G. The Footsteps of the Messiah. Pg. 237-238.

  24. Walvoord, John F. The Revelation of Jesus Christ. In loco (Ap 13:3).

  25. Thomas, R. L. Revelation 8-22: An Exegetical Commentary. In loco (Ap 13:8). Thomas observa que o pronome masculino αὐτόν, usado com o neutro θηρίον, confirma a natureza pessoal da Besta.

  26. Thomas, R. L. Revelation 8-22: An Exegetical Commentary. In loco (Ap 13:5). Veja também MacArthur, John. Because the Time Is Near. In loco (Ap 13:5-7).

  27. Veja também Constable, Tom. Notes on Revelation. In loco (Ap 13:5-7); Feinberg, Charles L. A Commentary on Revelation. In loco (Ap 13:5).

  28. Ramsay, Sir William, citado em Thomas Ice. The Mark of the Beast. In loco.

  29. Beckwith, I. T. The Apocalypse of John. Pg. 641.

  30. KJV Bible commentary. Pg. 2691

  31. Thomas, R. L. Revelation 8-22: An exegetical commentary. Pg 180

  32. Thomas, R. L. Revelation 8-22: An Exegetical Commentary. Pg. 180.

  33. Gwyn Pugh. 1, 2, 3 John & Revelation. Pg 343.

  34. Hitchcock, Mark. Who Is the Antichrist? (Kindle Location 1467).

  35. Rhodes, Ron. Unmasking the Antichrist. Pg 174

  36. Thomas, R. L. Revelation 8-22: An Exegetical Commentary. Pg. 180.

  37. 115 Alford, Greek Testament, 4:682; Moffatt, "Revelation," 5:433; Robertson, Word Pictures, 6:405–406; Mounce, Revelation, p. 262.

  38. 116 Alford, Greek Testament, 4:682; Scott, Revelation, p. 284; Robertson, Word Pictures, 6:405; Edwin A. Judge, "The Mark of the Beast, Revelation 13:16," TynBul 42 (May 1991): 159–60.

  39. Robert L. Thomas. Revelation 8-22. Pgs. 179-80. 2

  40. Bailey, Mark; Tom Constable. Nelson's New Testament Survey. Pg. 638.

  41. Garland, Anthony C. A Testimony of Jesus Christ. In loco (Ap 13:16). Veja também Thomas, R. L. Revelation 8-22: An Exegetical Commentary. Pg. 179-180.

  42. Walter A. Elwell and Barry J. Beitzel. Baker Encyclopedia of the Bible. Pg. 1404.

  43. Osborne, G. R. Revelation. Pg. 517.

  44. Thomas Ice e Timothy Demy. O Anticristo e Seu Reino. Pg 47

  45. Thomas Ice e Ed Hindsom. Enciclopedia Popular de Profecia Bíblica. Pg 49

  46. A. W. Pink. The Antichrist. < http://www.pbministries.org/books/pink/Antichrist/anti_11.htm> (18/07/2014)

  47. Fruchtenbaum, Arnold G. The Footsteps of the Messiah: A Study of the Sequence of Prophetic Events. Rev. ed. (Tustin, CA: Ariel Ministries, 2003). In loco (Ap 13:4).

  48. Pink, A. W. The Antichrist. In loco. Veja também Garland, Anthony C. A Testimony of Jesus Christ. In loco (Ap 13:11-12); Walvoord, John F. The Revelation of Jesus Christ. In loco (Ap 13:11-12).

  49. Bass, R. E. Back to the Future. Pg 315

  50. Rhodes, Ron. Unmasking the Antichrist. Pg. 169. Veja também Stanley Horton, The Ultimate Victory (Kindle Locations 3701-3702); Arnold Fruchtenbaum, The Footsteps of the Messiah. Pg. 250; Robert L. Thomas, Revelation 8-22. Pg. 180.

  51. John MacArthur. Revelation 12-22. Pg. 63.

  52. Robert L. Thomas. Revelation 8-22. Pg. 182.

  53. Thomas, R. L. Revelation 8-22: An Exegetical Commentary. Additional Notes on Rev. 13:17.

  54. Beckwith, I. T. The Apocalypse of John. Pg 641

  55. J. Hampton Keathley III. Studies in Revelation (Ap 13:17).

  56. Arnold G. Fruchtenbaum, The Footsteps of the Messiah : A Study of the Sequence of Prophetic Events, Rev. ed. (Tustin, CA: Ariel Ministries, 2003), 251.

  57. Arnold G. Fruchtenbaum, The Footsteps of the Messiah : A Study of the Sequence of Prophetic Events, Rev. ed. (Tustin, CA: Ariel Ministries, 2003), 251.

  58. Arnold G. Fruchtenbaum, The Footsteps of the Messiah : A Study of the Sequence of Prophetic Events, Rev. ed. (Tustin, CA: Ariel Ministries, 2003), 251.

  59. Veja Garland, Anthony C. A Testimony of Jesus Christ (Ap 13:16).

  60. Ryrie, Charles C. Revelation: Everyman's Bible Commentary (Kindle Locations 1531-1533).

  61. Bailey, Mark; Tom Constable. Nelson's New Testament Survey. Pg 638

  62. Robert L. Thomas. Revelation 8-22. Pg. 181.

  63. Yeatts, J. R. Revelation. Pg 252

  64. Osborne, G. R. Revelation. Pg 519

  65. Thomas, R. L. Revelation 8-22. Pg. 183.

  66. Barton, J., & Muddiman, J. Oxford Bible commentary (Ap 13:11).

  67. John F. Walvoord. Prophecy in the New Millennium. Pg. 77.

  68. Irenaeus. Against Heresies. 5.30.

  69. Tim LaHaye e Ed Hindson. Enciclopédia Popular de Profecia Bíblica. Pg. 309.

  70. Fruchtenbaum, A. G. The footsteps of the Messiah. Pg 251

  71. Henry M. Morris, The Revelation Record. Pg 255.

  72. Johnson, B. W. The people's New Testament. Pg 472

  73. Veja uma breve discussão sobre o assunto em Hal Harless, Conservative Theological Journal, Vol. 7: The Beast and His Mark in Revelation 13. Pg. 345.

  74. Irenaeus. Against Heresies. 5.30.1.

  75. Veja Thomas, R. L. Revelation 8-22: An Exegetical Commentary. Additional Notes on Rev. 13:18; Garland, Anthony C. A Testimony of Jesus Christ. In loco (Ap 13:18).

  76. Thomas, R. L. Revelation 8-22: An Exegetical Commentary. Additional Notes on Rev. 13:18.

  77. Fanning, Buist. Revelation. Exegetical Commentary on the New Testament. In loco (Ap 13:18).

  78. Osborne, G. R. Revelation. Pg. 520.

  79. Veja, por exemplo, Simon Kistemaker em Exposition of the Book of Revelation. Pg. 395.

  80. Thomas, R. L. Revelation 8-22. Pg. 184.

  81. Wohlberg, Steve. Decoding the Mark of the Beast (Kindle Locations 48-50).

  82. Benware, Paul. Understanding End Times Prophecy (Kindle Locations 2973-2974).

  83. David Jeremiah. The Coming Economic Armageddon. Pg. 147.

  84. Warren Wiersbe. Comentário Expositivo do Novo Testamento: vol 2. Pg 771

  85. Gwyn Pugh. 1, 2, 3 John & Revelation. Pg. 343.

  86. Rhodes, Ron. Unmasking the Antichrist. Pg 171

  87. Hitchcock, Mark. Who Is the Antichrist? (Kindle Location 1559)

  88. Arnold Fruchtenbaum. Footsteps of the Messiah. Pg. 250-251.

  89. MacArthur, J. Revelation 12-22. Pg. 63.

  90. Duck, Daymond R. The Smart Guide to the Bible Series (Kindle Locations 3574-3575).

  91. MacArthur, J. F., Jr. Revelation 12-22. Pg. 41. Veja também Rhodes, Ron. Unmasking the Antichrist. Pg. 124.

  92. Ron Rhodes. 40 Days Through Revelation. Pg 156

  93. Duck, Daymond. The Smart Guide to the Bible Series (Kindle Location 3534).

  94. Rhodes, Ron. The End Times in Chronological Order. In loco (Mt 25:31-46). Veja também a discussão em Rhodes, Ron. The 8 Great Debates of Bible Prophecy. In loco.

  95. LaHaye, Tim; Jenkins, Jerry B. Are We Living in the End Times? (Kindle Location 2899).

  96. MacArthur, John. Because the Time Is Near. In loco (Ap 13:8).

  97. Harris, Gregory H. "The Wound of the Beast in the Tribulation." Bibliotheca Sacra 156 (October-December 1999). In loco.

  98. Ryrie, Charles C., citado em Harris, Gregory H. "The Wound of the Beast in the Tribulation." Bibliotheca Sacra 156 (October-December 1999). In loco.

  99. Thomas, R. L. Revelation 8-22: An Exegetical Commentary. In loco (Ap 13:4). Veja também Constable, Tom. Notes on Revelation. In loco (Ap 13:4); MacArthur, John. The MacArthur New Testament Commentary: Revelation 12-22. In loco (Ap 13:4).

  100. Fruchtenbaum, Arnold G. The Footsteps of the Messiah: A Study of the Sequence of Prophetic Events. Rev. ed. (Tustin, CA: Ariel Ministries, 2003). In loco (Ap 13:3).

  101. Walvoord, John F. The Revelation of Jesus Christ. In loco (Ap 13:3).

  102. Harris, Gregory H. "The Wound of the Beast in the Tribulation." Bibliotheca Sacra 156 (October-December 1999). In loco. Veja também Fruchtenbaum, Arnold G. The Footsteps of the Messiah. In loco (Ap 13:3).

  103. Thomas, R. L. Revelation 8-22: An Exegetical Commentary. In loco (Ap 13:3). Thomas observa que a interpretação do Nero redivivus era desconhecida dos primeiros Pais da Igreja e não se ajusta aos detalhes de Apocalipse 13 e 17.

  104. MacArthur, John. Because the Time Is Near. In loco (Ap 13:14-15).

  105. Thomas, R. L. Revelation 8-22: An Exegetical Commentary. In loco (Ap 13:15).

  106. Walvoord, John F. The Revelation of Jesus Christ. In loco (Ap 13:15).

  107. Garland, Anthony C. A Testimony of Jesus Christ. In loco (Ap 13:13-14). Veja também Thomas, R. L. Revelation 8-22: An Exegetical Commentary. In loco (Ap 13:13).

  108. Rhodes, Ron. Unmasking the Antichrist. Pg. 171. Veja também Tim LaHaye and Jerry Jenkins, Are We Living in the End Times? (Kindle Locations 2894-2895).

  109. Lothar Coenen. Dicionário Internacional de Teologia do Novo Testamento. Pg. 1263.

  110. John MacArthur. The MacArthur Study Bible. In loco.

  111. MacArthur, J. Revelation 12-22. Pg. 63.

  112. Ice, Thomas. The Mark of the Beast. In loco.

  113. David Jeremiah. The Economic Armageddon. Pg. 148-149.

  114. Jeffrey, Grant R. Shadow Government. Pg. 153.

  115. Jeffrey, Grant R. Shadow Government. Pg. 154.

  116. Kluttz, Jeff. The Return of The King: A Prophetic Timeline of End-Time Events. Pg 162

  117. Thomas Ice. A Marca da Besta. http://www.chamada.com.br/mensagens/marca_da_besta.html. (Acesso 29/05/2013)

  118. Hal Harless. Conservative Theological Journal Volume 7: The Beast and His Mark in Revelation 13. Pg 345

  119. Rhodes, Ron. Unmasking the Antichrist. Pg 173

  120. Walvoord, John F. The Revelation of Jesus Christ. Pg. 206.

  121. Anthony C. Garland. A Testimony of Jesus Christ (Ap 13:16).

  122. Mal Couch. Dictionary of Premilenial Theology. Pg 45

  123. LaHaye, Tim; Jenkins, Jerry B. Are We Living in the End Times? (Kindle Location 2911).

  124. Thomas, R. L. (1995). Revelation 8-22: An exegetical commentary. Pg 185

  125. Thomas, R. L. Revelation 8-22. Pgs. 183-184.

  126. Darby, J. N. Synopsis of the books of the Bible: Colossians to Revelation. Pg 616

  127. Thomas, R. L. Revelation 8-22. Pg. 184.

  128. Tom Constable. Notes on Revelation. Pg 125

  129. Jeffrey, Grant R. Shadow Government. Pg. 155.

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Perguntas Frequentes

Este estudo defende que a marca da Besta já existe nos dias atuais?
Não. O estudo defende que a marca da Besta é futura e não pode existir antes que o Anticristo seja revelado e seu domínio global seja estabelecido.
Como este estudo identifica a Besta de Apocalipse 13?
Ele defende uma leitura futurista em que a Besta é um governante humano futuro, o Anticristo, que dominará o mundo durante a Grande Tribulação.
O artigo também oferece uma versão para download?
Sim. A edição web é publicada como um artigo, e o mesmo estudo também está disponível como PDF para download.

Autor

Leonardo A. Costa

Pesquisador e escritor que explora o dispensacionalismo a partir de uma perspectiva progressiva, com profunda apreciação pelo legado da tradição.

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